O Seminário Paulo Freire surge da inquietação e da necessidade de desenvolver um evento com e para a comunidade, fazendo um resgate e mantendo viva a memória das 40 Horas de Angicos e abrindo o espaço para a cultura popular dentro e fora da universidade, ropendo com o academicismo esperado dos congressos, seminários e simpósios realizados dentro do ambiente universitário.
Em 2024, iniciamos este movimento de preservação da memória dos ex-alunos da experiência das 40 Horas, com a temática "103 anos ensinando, emancipando e resistindo", onde destacamos a inauguração do Bosque Paulo Freire e a abertura da exposição "Memórias autobiográficas dos ex-participantes das 40 Horas de Angicos", que trouxe em seu acervo peças significativas da memorabilia dos ex-alunos, que estiveram e estão presentes em todas as edições do evento, para compartilhar a sua história e relação com o educador Paulo Freire e o impacto que participar do projeto de alfabetização de Angicos teve em suas vidas.
Na segunda edição, no ano de 2025, o Seminário Paulo Freire alçou voos antes inimaginados, com o dobro da duração do ano anterior e sob o tema "104 anos tecendo inéditos viáveis, sonhos coletivos e esperanças libertadoras". Mais um vez mantendo forte a ideia de levar Paulo Freire à comunidade, invadimos as ruas angicanas com o cortejo cultural que nos levou a conhecer os pontos mais marcantes da cidade para sua população e para a experiência das 40 Horas; além de levar a valorização da cultura local, com a feirinha cultural e exibição do filme-documentário "Lendo o Mundo" (2025) de Catherine Murphy e Iris de Oliveira. O destaque da edição, no entanto, fica para a inserção das oficinas de cultura popular na programação, que trouxe os fazedores de cultura de Angicos para dentro da universidade para compartilhar seus saberes e habilidades com os participantes do evento.
Neste ano, o III Seminário Paulo Freire trás como temática "Educação que une, cultura que tranforma e esperança que floresce", agora com uma programação ainda mais ousada, fruto da luta coletiva dos professores, estudantes, artesãos e comunidade de Angicos e região, que vem mais uma vez para mostrar como é através do esperançar, não da espera, que as mudanças que desejamos para o mundo ocorrem de verdade.
"A esperança não é a expressão de uma necessidade, ou de um desejo, ou uma necessidade do homem, da mulher e dos povos, em si um certo gosto de esperança, mas a esperança faz parte da natureza socialmente construindo-se historicamente, construindo-se no ser o humano. Seria um disparate, se inconcluso e inserido no processo de busca permanente o ser humano fizesse a busca sem esperança. É possível até que não ache nunca o que busca, mas é a busca em si mesma que gera a esperança."
- Paulo Freire, 1996.