Caríssimos amantes da História, pesquisadores, professores e estudantes da Bahia e de todo o Brasil, é com grande entusiasmo que anunciamos o III Congresso de História Social da Bahia. Em sua terceira edição, o evento convida a comunidade acadêmica e o público interessado a refletirem sobre um dos acontecimentos mais marcantes e complexos da história brasileira: Canudos, cuja memória, 130 anos depois do seu início, permanece viva e desafiadora.
Mais do que um episódio encerrado no século XIX, Canudos revela tensões profundas que atravessam a formação histórica do país — relações de poder, processos de exclusão social, experiências de fé e a violência exercida pelo Estado. Revisitar Canudos, mais de um século após sua destruição, é um exercício indispensável de memória crítica, que nos permite compreender não apenas o Brasil que fomos, mas também o Brasil que ainda somos.
O III Congresso de História Social da Bahia propõe ampliar o olhar sobre esse acontecimento, indo além do conflito armado e das narrativas consagradas. A partir das contribuições da História Social, o evento busca reconhecer a pluralidade de sujeitos, experiências e interpretações que compõem esse episódio histórico, incentivando o debate, a problematização e a construção de novos caminhos de compreensão.
Reafirmando seu compromisso com o rigor acadêmico, o diálogo interdisciplinar e a circulação do conhecimento histórico, o congresso reunirá mesas-redondas, palestras e comunicações que contemplam múltiplas perspectivas de análise, valorizando a pesquisa, a troca de experiências e a construção coletiva do saber.
Mais do que um encontro acadêmico, o III Congresso de História Social da Bahia será um espaço de reflexão profunda sobre memória, história e sociedade. Um convite a pensar criticamente o passado para iluminar os desafios do presente.
Participe deste momento de diálogo, aprendizado e construção histórica. Junte-se a nós nesta jornada de reflexão sobre Canudos e suas permanências na história brasileira.
Nos vemos no III Congresso de História Social da Bahia.
SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
ST 1 – GOLPES, DITADURAS E REGIMES DEMOCRÁTICOS
Coordenação: Dr. Grimaldo Carneiro Zachariadhes (SME-RJ), Dr. Silvio Benevides (UFRB)
Ementa: Ao longo da sua história republicana, o Brasil sofreu inúmeros golpes e tentativas de golpe de Estado. Por outro lado, variadas foram as formas como a sociedade brasileira se organizou para resistir a esses retrocessos. A organização política da sociedade brasileira nos ajudou a forjar nossa democracia, assim como, a construir uma cultura democrática cada vez mais norteadora das práticas cotidianas de nossas instituições sociais e políticas. O presente ST visa discutir trabalhos voltados para a compreensão dos golpes, tentativas de golpes e os intervalos democráticos, tomando como ponto de partida analítico desde a I república instituída pelos militares, passando pela Era Vargas, Ditadura Militar chegando até os dias atuais, na chamada Nova República.
ST 2 – HISTÓRIA SOCIAL, PÓS-ABOLIÇÃO, MUNDOS DO TRABALHO E OUTRAS PERSPECTIVAS
Coordenação: Dr. Edinaldo Antônio Oliveira Souza (UNEB) e Ms. Lucas Ribeiro Campos (UNIMAM)
Ementa: A História Social reconheceu o protagonismo histórico de sujeitos sociais cujas trajetórias e experiências foram, por muito tempo, negligenciadas (ou excluídas) pela historiografia: escravos, trabalhadores, mulheres, negros, indígenas e diversos outros grupos e indivíduos. Nessa perspectiva, desde os anos 1990, a História do Trabalho tem experimentado um importante processo de renovação teórica e metodológica. A ampliação do universo cronológico e geográfico, bem como, do leque de fontes têm permitido o surgimento de pesquisas inovadoras, diversificando e redimensionando temáticas, enfoques e perspectivas de abordagem. Os limites cronológicos tanto recuaram para o século XIX quanto avançaram para a segunda metade do século XX. O universo geográfico transcendeu os limites do Sudeste e expandiu-se para vários outros estados e regiões, além de incorporar a perspectiva transnacional. Aos poucos, a história do trabalho deixou de ser exclusivamente a história de uma classe operária branca, masculina, urbana e fabril e das suas organizações para incorporar as múltiplas experiências dos trabalhadores, suas diversidades e identidades, práticas de associativismo, sistemas gerenciais, hierarquias funcionais, mediações legais e institucionais, estratégias de lutas por direitos nas instâncias públicas e privadas, em diferentes tempos e espaços, as intersecção entre classe, gênero e raça, biografias, etc. Esse simpósio temático pretende ser um espaço de interlocução e intercâmbio dessas novas pesquisas.
ST 3 – RELIGIÃO E RELIGIOSIDADES DA BAHIA: FÉ, POLÍTICA E LUTAS NA HISTÓRIA.
Coordenação: Dra. Edilece Souza Couto (UFBA) e Ms. Igor Trabuco (UNEB)
Ementa: Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas que investiguem o papel das religiões e religiosidades na História Social da Bahia ao longo da História do Brasil. Serão acolhidas abordagens que analisem instituições religiosas, práticas devocionais, religiosidades populares e experiências de fé que atravessam as dimensões de sociais, culturais e políticas. Interessa-nos refletir sobre como diferentes agentes religiosos atuaram na construção histórica da sociedade, seja por meio do engajamento político, da assistência social ou da resistência cultural. Também são bem-vindas propostas que explorem as tensões entre tradições religiosas e o avanço das modernidades políticas e sociais. Este ST é uma iniciativa conjunta do Centro de Pesquisas das Religiões (CPR - UEFS) e do Grupo de Pesquisas em Religiões e Assistência no Mundo Atlântico e Lusófono (RAMAL - UFBA).
ST 4 – ÁFRICAS SOBERANAS AO CONFLITO E CONEXÃO: DINÂMICAS, AGÊNCIAS E INSTITUIÇÕES NO CONTINENTE AFRICANO
Coordenação: Dr. Felipe Silveira de Oliveira Malacco (UFF) e Dr. Carlos Francisco da Silva Júnior (UEFS)
Ementa: Este simpósio temático se concentra na história da África desde os processos formativos políticos, sociais e culturais no continente a partir da intensificação dos contatos entre as duas maiores macrorregiões africanas, África do Norte e África Subsaariana, como resultado do aumento do fluxo do comércio saariano a partir do século VII, até as dinâmicas dos estados pós-coloniais Africanos no século XXI. Serão acolhidos trabalhos que ressaltem a agência africana nas interações com outras partes do mundo, além das relações internas ao próprio continente. São bem-vindos trabalhos que lidem com a diáspora africana, desde que estes se conectem diretamente com as experiências sociais, culturais e políticas internas à África. Na esteira da lei 10.639/03, posteriormente alterada pela lei 11.645/08, incentivamos também o envio de trabalhos que lidem com o ensino de história da África nos diferentes níveis de formação. Trabalhos com temas como as diferentes alterações e permanências causadas por transformações econômicas inerentes aos contatos entre diferentes partes da África e do mundo, circulação de indivíduos africanos nos mais variados espaços, dinâmicas políticas anteriores e posteriores à colonização do continente são alguns dos exemplos de trabalhos que serão contemplados neste simpósio.
ST 5 – ENSINO DE HISTÓRIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: TRAJETÓRIAS DOCENTES E MEMÓRIAS EDUCATIVAS
Coordenação: Dr. Carlos Augusto Lima Ferreira (UEFS) e Dr. José Augusto Ramos da Luz (UEFS)
Ementa: O Grupo de Trabalho Ensino de História e História da Educação: trajetórias docentes e memórias educativas propõe reunir pesquisas que investiguem as múltiplas interfaces entre o ensino de História, a história da educação e os processos de constituição das trajetórias docentes, considerando as experiências formativas, as práticas pedagógicas, as memórias profissionais e os contextos institucionais e sociopolíticos nos quais se inscrevem. O GT parte do entendimento de que as trajetórias docentes não se reduzem a percursos individuais, mas se constroem na intersecção entre políticas educacionais, culturas escolares, saberes disciplinares, disputas curriculares e experiências vividas no cotidiano da escola. Nessa perspectiva, as memórias educativas, individuais e coletivas, configuram-se como fontes privilegiadas para compreender continuidades, rupturas e permanências no ensino de História e na formação de professores ao longo do tempo. Serão acolhidos trabalhos que mobilizem diferentes abordagens teórico-metodológicas, como história oral, narrativas autobiográficas, análise de trajetórias profissionais, estudos sobre cultura escolar, currículos, livros didáticos, práticas avaliativas, políticas de formação docente e experiências de ensino em distintos níveis e modalidades da educação básica e superior. O GT também se interessa por pesquisas que problematizem os desafios contemporâneos do ensino de História, em especial diante das transformações curriculares, das disputas em torno da memória, da verdade histórica e do papel social do professor.
ST 6 – ÍNDIOS, AFRICANOS E MESTIÇADOS NA IBERO-AMÉRICA: DINÂMICAS DE MESTIÇAGENS, MOBILIDADES E PROTAGONISMOS (SÉCULOS XVI – XIX).
Coordenação: Dr. David Barbuda Ferreira (UFMG) e Dr. Eduardo França Paiva (UFMG)
Ementa: A construção sociocultural e política da Ibero-América estruturou-se a partir de interações complexas entre populações indígenas, africanas e europeias. Distanciando-se de narrativas eurocentradas e da romantização passiva da miscigenação, este trabalho analisa as dinâmicas de mestiçagens e mobilidades como campos de disputa e mecanismos de sobrevivência tática. O objetivo é evidenciar o protagonismo e a agência de índios, africanos e mestiçados nos espaços coloniais. Para além da mobilidade forçada pelos deslocamentos compulsórios, investigam-se as mobilidades sociais e geográficas articuladas por esses sujeitos, como a inserção em irmandades religiosas, o trânsito urbano, a formação de redes de solidariedade, inserção em aldeamentos, acionamento da justiça e inserção nas elites coloniais. A mestiçagem, assim, é compreendida aqui não apenas em seu viés biológico, mas como apropriação e ressignificação cultural. Analisar as dinâmicas de mestiçagens, mobilidades e protagonismos é reconhecer a agência de índios, africanos e mestiçados como motor central da história no mundo ibero-americano moderno. Assim, conclui-se que as estratégias de resistência, negociação e adaptação ativa forjadas por essas populações subalternas não foram elementos periféricos, mas o motor central da estruturação das dinâmicas sociais e políticas no continente americano, cujos desdobramentos são fundamentais para a compreensão de muitas das disputas presentes na sociedade contemporânea.
ST 7 – REPERTÓRIOS DO SUL GLOBAL: AS ARTES NA CONSTRUÇÃO DO SABER HISTÓRICO
Coordenação: Dr. Rafael Barbosa de Jesus Santana (UFRGS) e Dr. Cam-Naté Augusto Bissindé (UFRGS)
Ementa: Este simpósio temático propõe reunir pesquisas dedicadas às relações entre História, ensino e produções artísticas do Sul Global, com especial atenção às experiências que mobilizam cinema, literatura e outras linguagens estéticas como instrumentos de reflexão histórica. Serão acolhidos tanto relatos de práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula quanto estudos que investiguem as articulações entre arte, política e memória em diferentes contextos do Sul Global. Parte-se do entendimento de que, em diversos países da África, da América Latina, do Caribe e da Ásia, as produções culturais desempenharam papel fundamental na contestação das hierarquias sociais e na formulação de projetos de autonomia política e epistemológica ao longo do século XX e XXI. Cinematografias, literaturas e expressões artísticas emergiram como espaços de elaboração crítica, tensionando representações impostas por centros hegemônicos e afirmando outras narrativas sobre nação, identidade e pertencimento. Nesse sentido, o simpósio pretende discutir como essas produções podem ser analisadas e mobilizadas no ensino de História, problematizando tanto a persistência de imaginários coloniais quanto as múltiplas estratégias de resistência e reinvenção cultural. Interessa refletir sobre como o cinema, a literatura e as artes do Sul Global constroem repertórios simbólicos próprios e de que maneira tais repertórios podem contribuir para práticas pedagógicas comprometidas com a pluralidade histórica e a descentralização do conhecimento. Serão bem-vindos trabalhos que explorem diferentes temporalidades e espaços do Sul Global, considerando tanto as dinâmicas nacionais quanto as conexões transnacionais e diaspóricas.
ST 8 – O VIVER RELIGIOSO NO MUNDO ATLÂNTICO (SÉCULOS XVI-XIX): AGENTES, FONTES E INSTITUIÇÕES
Coordenação: Ms. Rafaela Almeida L. Franca (UFBA), Ms. Emily Machado (UFBA) e Dr. Fabricio Lyrio Santos (UFRB)
Ementa: A proposta deste simpósio parte da percepção do importante papel desempenhado pelo aspecto religioso na configuração das sociedades, especialmente durante a época moderna e início da contemporaneidade. Entre os séculos XVI-XIX, as religiões em geral, e mais especificamente o catolicismo para o mundo ocidental, têm moldado não só a relação dos indivíduos com o campo místico ou sobrenatural, mas influenciado diretamente a construção de pilares sociais como as noções de ética, autoridade, família, influenciando diretamente, portanto, as mentalidades, comportamentos e a própria organização da sociedade. Diante disso, o objetivo deste Simpósio Temático é congregar pesquisas que se debruçam sobre a diversidade de agentes, fontes e instituições que contribuíram para moldar o viver religioso no período que se estende do século XVI ao XIX. Busca-se, acima de tudo, debater e problematizar o papel social da religião (em especial, do Catolicismo) na formação do mundo moderno e contemporâneo, tendo como foco privilegiado os espaços interligados e interconectados do Atlântico português. Serão aceitos trabalhos que se encontrem em diferentes níveis de desenvolvimento, desde que possuam aderência à temática proposta.
ST 9 – RAÇA, GÊNERO, CLASSE E RELIGIÃO NA HISTÓRIA SOCIAL DA BAHIA: TRAJETÓRIAS, RESISTÊNCIAS E DESIGUALDADES A PARTIR DE UMA ANÁLISE INTERSSECCIONAL
Coordenação: Dra. Andrea da Rocha Rodrigues Pereira Barbosa (UEFS) e Dr. Brian Gordon Lutalo Kibuuka (UEFS).
Ementa: Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas que abordem as múltiplas interseções entre raça, gênero, classe e religião na História Social da Bahia, no interior das dinâmicas mais amplas da história brasileira. A partir de uma perspectiva interseccional, busca-se refletir sobre como as experiências de mulheres, populações negras, sujeitos das religiosidades diversas, trabalhadoras e trabalhadores urbanos e rurais foram historicamente constituídas em meio às disputas por direitos, reconhecimento social e cidadania. Interessa-nos compreender de que modo essas dimensões se articulam na formação de trajetórias sociais marcadas por desigualdades estruturais, mas também por múltiplas formas de resistência, organização política, práticas religiosas e atuação nos espaços institucionais e cotidianos. Nesse sentido, o simpósio pretende fomentar debates que evidenciem tanto os mecanismos de exclusão quanto as estratégias de mobilização e agência construídas por esses sujeitos ao longo do tempo. São bem-vindas propostas que dialoguem com fontes variadas, abordagens interdisciplinares e perspectivas críticas, valorizando a pluralidade de experiências, memórias e práticas sociais no contexto baiano. O ST será coordenado pelo curso de Especialização em História da Bahia da UEFS.
ST 10 – HISTÓRIA SOCIAL DA SAÚDE E DAS DOENÇAS: PERSONAGENS, INSTITUIÇÕES, ARTES DE CURAR, ENFERMOS E ENFERMIDADES.
Coordenação: Dra. Laís Viena de Souza (IFBA) e Dra. Virlene Cardoso Moreira (IFBA)
Ementa: As relações entre saúde, doença e sociedade na história são o eixo norteador das reflexões propostas pelo presente GT. As pesquisas no campo da história social da saúde e das doenças vêm se intensificando ao longo dos últimos anos, resultando numa gama de trabalhos com temáticas e abordagens bastante heterogêneas. O espaço criado por este GT visa ampliar o debate em torno das questões relativas ao percurso da saúde no Brasil, cuja complexidade perpassa por experiências institucionais e subjetivas que, por sua vez, representam também as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais da sociedade brasileira ao longo do tempo. Temas relacionados à saúde e às doenças apresentam uma dimensão multidisciplinar. Assim, serão bem-vindos trabalhos que abordem questões relativas à história da saúde global; pesquisas sobre a história da ciência, da medicina acadêmica e da medicina tradicional (artes de curar) e a circulação destes saberes; sobre a história de instituições de saúde e de educação em saúde, de assistência e de pesquisa em saúde; sobre história da ciência e da saúde, atravessadas por questões de gênero, étnico-raciais, faixas etárias, dentre outras; sobre a história das profissões da saúde; sobre a história da saúde pública, enfocando doenças e epidemias, políticas e agentes públicos; bem como os trabalhos que discorrem sobre fontes, acervos e lugares de memória da saúde/medicina.