II Semana Da Consciência Negra - Unicatólica

II Semana Da Consciência Negra - Unicatólica

presencial UniCatólica do RN - Mossoró - Rio Grande do Norte - Brasil

II SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - UNICATÓLICA DO RN

UMA HISTÓRIA QUE NÃO COMEÇA AQUI.
E QUE NÃO PODE SER ESQUECIDA.

Muito antes de existir uma data para falar sobre Consciência Negra, já existiam histórias de resistência. Existiam vozes, culturas, saberes e memórias que sobreviveram ao apagamento e ajudaram a construir o Brasil.

Essa história não ficou no passado. Ela vive nos territórios que resistem, nas vozes que ocupam a universidade, na arte, na educação, na luta por direitos e em cada espaço que ainda precisa ser conquistado.

Por isso, esta Semana da Consciência Negra é mais do que uma data. É um convite para escutar, reconhecer e refletir sobre histórias que precisam permanecer vivas.

Vamos falar de cultura, educação, literatura, direitos, cotas raciais, povos indígenas e quilombolas, mulheres negras, empreendedorismo e tantas outras experiências que atravessam nossa sociedade.

Porque consciência também é memória. É reconhecer o passado para transformar o presente e construir outros futuros.

Algumas histórias não podem ser silenciadas.
Precisam ser contadas. Ouvidas. Lembradas.

E esta conversa também é sua.

| INSCRIÇÕES

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| ATIVIDADES

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Convidados

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UNICATÓLICA DO RIO GRANDE DO NORTE

| MEMORIAL

Área destinada à homenagens



  A história do povo negro é uma história de resistência, coragem, sabedoria e luta diante da opressão. Em diferentes tempos e lugares, homens e mulheres negros enfrentaram a escravidão, o racismo, o silêncio e as desigualdades, deixando marcas profundas na construção do Brasil. Liberdade, dignidade e consciência negra não foram concedidas: foram conquistadas com luta e esperança. Por isso, lembrar é reconhecer quem resistiu e transformou sua realidade por meio da palavra, da política, da arte e da luta. É nesse sentido que "Para além da consciência: resistência negra, direitos e transformação social" nos convida a unir a consciência ao reconhecimento das lutas e à preservação da memória. Desse compromisso nasce a segunda edição do memorial "Guardiões da Memória e da Luta", que reúne histórias de homens e mulheres negros que desafiaram estruturas de exclusão, compreendendo a memória como parte da luta por direitos e por uma sociedade mais justa.

  Benedita da Silva é uma das grandes referências contemporâneas na luta pelos direitos da população negra e das mulheres no Brasil. Mulher negra, nascida e criada na favela da Praia do Pinto, no Rio de Janeiro, superou barreiras sociais, raciais e de gênero. Foi Deputada Constituinte, a primeira mulher a governar o estado do Rio de Janeiro e a primeira a representar seu estado no Senado Federal. Ao romper barreiras históricas, abriu caminhos para que outras mulheres negras ocupassem espaços de poder e decisão, transformando sua história em instrumento de luta por igualdade e justiça social.

  Ao lado de sua trajetória política, Carolina Maria de Jesus representa a força da palavra como resistência. Mulher negra, pobre e catadora de papel, transformou sua realidade em literatura, registrando as dificuldades e a luta pela sobrevivência. Em Quarto de Despejo, deu visibilidade à vida nas favelas e fez da escrita denúncia e afirmação. Carolina não aceitou que sua história fosse silenciada e, mesmo diante da pobreza e do racismo, tornou-se uma das mais importantes vozes negras da literatura brasileira.

  Já no campo da literatura, décadas depois, Conceição Evaristo tornou-se uma das vozes mais marcantes da literatura negra brasileira. Nascida em uma família pobre de Belo Horizonte, transformou experiências de vida e memórias da população negra em literatura, dando voz a histórias por muito tempo silenciadas. Sua escrita, marcada pela "escrevivência", revela as dores, as lutas e a força das mulheres negras. Conceição fez da literatura um espaço de memória, identidade e afirmação, mostrando que escrever também é ocupar espaços e afirmar a dignidade de um povo.

  Também pela força da palavra e do conhecimento, Lélia Gonzalez tornou-se um dos grandes símbolos da luta contra o racismo no Brasil. Mulher negra, intelectual, professora e militante, dedicou sua trajetória à reflexão sobre as desigualdades raciais e sociais. Em seus estudos, destacou a importância da cultura negra e denunciou o racismo e o machismo que atingiam especialmente as mulheres negras. Lélia não aceitou que as vozes da população negra fossem silenciadas e, por meio do conhecimento e da militância, fortaleceu a identidade e a luta do povo negro, tornando-se uma das mais importantes referências do pensamento negro brasileiro.

  Muito antes dessas vozes ganharem espaço, Esperança Garcia já fazia da palavra um instrumento de resistência. Mulher negra escravizada no Piauí, desafiou a violência do sistema escravocrata ao escrever, em 1770, uma carta ao governador da capitania, denunciando os maus-tratos sofridos por ela, seus filhos e outras pessoas escravizadas, além da separação de sua família. Sua coragem atravessou séculos e, em 2022, foi reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil como a primeira advogada brasileira. Seu legado permanece como símbolo da luta das mulheres negras, da resistência à escravidão e da busca por liberdade e justiça.

  Na história de Mossoró, essa mesma resistência encontra expressão na trajetória de Rafael Mossoroense da Glória. Homem negro e ex-escravizado, liberto em 1883, dedicou-se à luta pela liberdade de outras pessoas negras e tornou-se uma importante liderança do Clube dos Spartacus, organização de negros e libertos que enfrentava a escravidão. Rafael não aceitou que a liberdade fosse apenas uma conquista individual. Sua memória permanece como símbolo de coragem e protagonismo negro na história de Mossoró.

  Para além da luta política e da conquista da liberdade, a resistência também se manifesta pela cultura e pela arte. É nesse espaço que se destaca Tony Silva, figura marcante da arte e da comédia mossoroense, dedicada à valorização da cultura do Rio Grande do Norte. Artista, humorista e comediante, construiu sua história por meio do riso, do teatro e da aproximação com a comunidade local. Em suas atuações, como a marcante personagem Dona Zita, valorizou o cotidiano popular e levou ao público uma arte ligada à identidade local, fortalecendo a cultura e o orgulho do povo mossoroense.

  E quando a resistência se transformou em ação coletiva contra a escravidão, Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, tornou-se símbolo dessa luta. Líder abolicionista cearense, natural de Canoa Quebrada, em Aracati, liderou jangadeiros que se recusaram a transportar pessoas escravizadas pelo porto de Fortaleza. Seu ato ajudou a interromper o tráfico de escravizados naquele porto e marcou a história da resistência abolicionista no Ceará.

  Lembrar dessas pessoas é um compromisso com o presente. A memória é parte da luta por direitos, porque rompe silenciamentos, reconhece quem abriu caminhos e inspira as novas gerações a seguir transformando a realidade. Ao dar destaque às mulheres negras e às lideranças da história local, esta segunda edição reafirma que a consciência negra precisa ir além da lembrança e se tornar valorização, reconhecimento e ação. Que essas vozes continuem sendo ouvidas, para que a luta por igualdade e justiça siga viva e a história do povo negro seja contada por quem a construiu.

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