II Redescobrindo o Brasil: Espaço em disputa, Territórios em construção

II Redescobrindo o Brasil: Espaço em disputa, Territórios em construção

online Universidade Federal de São João del-Rei - Campus Santo Antonio - São João del Rei - Minas Gerais - Brasil
presencial Com transmissão online

II Seminário Redescobrindo o Brasil: Espaço em disputa, Territórios em construção

A segunda edição do Redescobrindo o Brasil: Espaço em disputa, Territórios em construção” busca promover encontro de pesquisadores, estudantes, profissionais e militantes de movimentos sociais que em sua vida cotidiana estão diretamente envolvidos com as relações espaciais e territoriais brasileiras e enfrentam, nos horizontes teóricos e práticos, as contradições do mundo contemporâneo a partir da realidade de um país dependente e periférico. Espaço e território são inerentes a toda a dinâmica da sociedade e perpassa a dimensão imediata das necessidades de existência dos indivíduos englobando diversos campos da reprodução social como a cultura, a arte, a política, a memória e os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e a economia. Logo, “Espaço em disputa” refere-se às diferentes formas de enfrentamento e de construção de alternativas diante da expropriação, espoliação e segregação espacial, resultantes da lógica de acumulação do capital e da ação seletiva do Estado. Já “Territórios em construção” remete aos movimentos, coletivos, comunidades e sujeitos que afirmam novas formas de viver e produzir no espaço, construindo redes solidárias e estratégias contra-hegemônicas que apontam para outros futuros possíveis. Tais processos, nas sociedades de classes, são constantemente renovados, plasmando-se de modo particular em conflitos entre agentes portadores da propriedade privadas dos meios essenciais da reprodução da vida social, as instâncias do Estado cujas tomadas de decisão variam conforme as articulações de natureza política no interior da sociedade, sobretudo das classes dominantes, e aqueles que vivem da venda de sua força de trabalho em espaços complexos. Do ponto dos múltiplos complexos produzidos social e historicamente o espaço e os territórios, longe de serem elementos passivos na sociedade de classe, são produto, meio, condição e refletem desigualmente forças e disputas distintas e originárias de objetivações de sujeitos e agentes concretos. No âmbito dessas premissas, a segunda edição do “Seminário Redescobrindo o Brasil” objetiva produzir e perpetuar o encontro e o compartilhamento de experiências, pesquisas e formas de luta frente a temática da reprodução desses espaços complexos, sobretudo e com enfoque ao urbano, o que não nega a temática e as práticas socioespaciais do espaço rural, uma vez que ambos constituem e coexistem dialética e dinamicamente como uma unidade contraditória.

Junto a natureza científica e acadêmica do encontro, busca-se igualmente a troca entre universidade e sociedade por meio encontro e intercâmbio de saberes daqueles de direta ou indiretamente, em escalas e formas diferentes de atuação, produzem e reproduzem a vida nos espaços socialmente produzidos, razão pela qual o evento também perspectiva a construção de estratégias para o Brasil visando enfrentar desigualdades e injustiças sociais e quiçá superar das contradições contemporâneas, processo que passa necessariamente pelas lentes e convergência de projetos de pesquisadores, de agentes de tomadas de decisão de ordem política, econômica e cultural, de profissionais e técnicos, de educadores de todos os níveis do ensino e estudantes, de militantes políticos e de movimentos sociais, de trabalhadores e representantes sindicais e de grupos vulnerabilizados e segregados.

Inscrições

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Atividades

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Eixos Temáticos

1. Ensino e aprendizagem em espaços de disputa

visa promover um debate sobre práticas pedagógicas integrativas e metodologias ativas no Ensino das Ciências Humanas, contemplando o compartilhamento de intervenções didáticas, discussões sobre formação continuada de professores, espaços não formais de ensino e diálogos interdisciplinares, bem como temáticas relacionadas com: Educação Étnico-Racial, Educação no/do Campo e na Cidade, Práticas Educativas Contra-Hegemônicas, Saberes Tradicionais e Construção de Conhecimento, Educação Escolar Indígena Diferenciada, Interculturalidade, Gênero, Sexualidade, Educação ambiental e Sustentabilidade nas Escolas, etc.

2. Apropriação, reprodução e consumo do espaço urbano

tem por objetivo debater, refletir e compartilhar pesquisas e formas de atuação social partindo dos elementos constitutivos da gênese, desenvolvimento e multiplicidades de determinações da urbanização brasileira a partir das práticas socioespaciais contemporâneas. As frentes de trabalho deste eixo também perspectivam analisar as práticas dos diversos agentes envolvidos com a construção do urbano, as particularidades e singularidades das diversas manifestações da produção do espaço urbano (das grandes metrópoles às pequenas e médias cidades), os impactos e drama do planejamento (ou sua ausência) territorial, regional e urbano na vida cotidiana  e a reprodução de forças hegemônicas na sociedade, bem como as resistências e projetos alternativos de natureza política e econômica criadores de redes de solidariedade e variáveis as formas de propriedade dominantes promovidas por movimentos sociais, sindicatos, coletivos e associações cooperativas, etc.; 

3. As metamorfoses agrárias e as formas de luta no campo

o foco do debate será sobre oposição existente até os dias de hoje entre as formas dominantes de propriedade e posse da terra frente a potencialidades de democratização do uso do solo rural por meio de estratégias para melhoria das condições de vida e de trabalho promovidas por comunidades e movimentos sociais. No mesmo diapasão, este eixo também busca compartilhar pesquisas que se debruçam sobre a análise das transformações socioespaciais e territoriais recentes ligadas a unidade contraditória entre campo e cidade na economia mundializada do capital, a financeirização das atividades agrícolas e os impactos da posição do Brasil e da América Latina na cadeia produtiva global e suas várias escalas, o uso de agrotóxicos, semestes transgênicas e a opção pela agroexportação, a emergência do agronegócios e sua expansão em diferentes regiões do Brasil e as medidas políticas tomadas pelo Estado ligadas a reinserção periférica do país na divisão internacional do trabalho. Igualmente busca-se o conjunto de análises das contradições, conflitos e injustiças manifestadas em desigualdades socioespaciais com recortes das relações de trabalho e propriedade do campo, das dimensões raciais, das orientações e identidade sexual e de gênero, evidenciadas nos padrões de moradia, locomoção, acesso à alimentação, saúde e lazer. Essas análises das resistências e lutas da sociedade civil e dos movimentos urbanos e rurais ressaltam a necessidade de reflexão sobre a mercantilização dos territórios.

4. Risco e vulnerabilidade socioambiental na produção e fruição do espaço e de seus múltiplos territórios:

inúmeros são os pontos de partida para o debate das questões objetivas de risco e vulnerabilidade socioambiental, a começar pela potencialidades de convergir e entrelaçar análises das ciências da natureza, das ciências sociais e das ciências exatas, uma vez que o risco resulta de certo ruptura das relações metabólicas entre natureza e sociedade. A partir a existência do risco e da vulnerabilidade socioambiental evidencia-se a forma de ser da sociedade, fragilidades ou desigualdades de classes plasmadas também na esfera racial e de gênero, aspectos importantes da divisão social (técnica, racial e de gênero) do trabalho emergem e se materializam no racismo ambiental e na injustiça social. Ou seja, objetiva-se trazer diferentes prismas sobre a questão do risco e da vulnerabilidade mediante diálogos como processos socioeconômicos, dinâmicas das populações periféricas, povos e comunidades tradicionais atingidas e suas formas de luta, resistência e projetos frente a violência da espoliação e da expropriação o que também permite iluminar ações preventivas e mitigadoras do Estado e da população, a consolidação de projetos desenvolvimentistas ou de outras alternativas, a construção de zonas de “sacrifícios”, além da abordagem da influência físico-ambiental nessas dinâmicas e sua relação com o fator humano num cenário de mudanças climáticas. A intenção é proporcionar a ampliação do diálogo entre as perspectivas nos estudos de risco e vulnerabilidade socioambiental.

5. Patrimônio e memória em disputa

embora exista o Brasil seja um país construído por uma diversidade social, cultural e religiosa múltipla e plural, o que nos coloca a importância da problemática e a relação inerente entre o patrimônio, memória, espaço e território, há formas dominantes e seletivas de tombamento, reconhecimento e enaltecimento dos elementos materiais e imateriais da cultura que devem ser preservados, restaurados e cultuados. Logo, modos de vida e formas de luta de grupos vulneráveis e classes sociais populares, envolvendo questões de exploração (diretamente ligada à esfera do trabalho) e opressão (racial, de gênero, sexual, cultural, étnica, etc.), são sistematicamente apagados para remontar uma histórica e uma geografia asséptica da realidade brasileira. No sentido de resgatar memórias que ainda resistem como patrimônio (material ou imaterial) plasmado no espaço e no território, visa-se promover um debate amplo sobre as relações dinâmicas de poder, sobre o exercício do direito ao território e ao patrimônio cultural, como também, a possibilidade de desnudar as intervenções das políticas públicas de garantia de direitos, a atuação dos sujeitos de interesse e de suas comunidades.

Submissões em breve

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Em processo de construção (Convidados)

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