O Movimento Feminista da Psicologia Complexa realiza seu 2º Encontro Anual, reunindo mulheres para construir e transformar a psicologia complexa a partir de uma perspectiva feminista, crítica e comprometida com a pluralidade das experiências humanas.
Neste ano, nosso encontro começa antes do dia dedicado às atividades e discussões. No dia 20 de novembro, teremos uma sessão especial do espetáculo Gala Dalí, de Mara Carvalho, como abertura do nosso encontro.
O solo teatral, dirigido por Ulysses Cruz, revisita a trajetória de Gala Dalí, figura frequentemente reduzida ao lugar de “musa” de Salvador Dalí, mas que teve papel fundamental na construção da obra, da imagem pública e do mito do artista surrealista. A peça desloca o olhar sobre essa personagem histórica e coloca em cena uma mulher que construiu sua própria persona, atravessou relações de poder e enfrentou o julgamento social em um universo predominantemente masculino.
Em uma narrativa não cronológica, que se movimenta entre memória, experiência e reflexão, Gala aparece atravessada por questões como arte, paixão, maternidade, dinheiro, poder, autonomia, julgamento e morte. A escolha desse espetáculo para abrir nosso encontro não é casual: é também um convite para começarmos pela arte e por uma mulher que nos permite pensar sobre os modos como as mulheres são narradas, reconhecidas, silenciadas e reduzidas ao longo da história.
Assim, a noite de 20 de novembro será uma abertura simbólica e sensível para o que iremos construir no dia seguinte.
No dia 21 de novembro, acontece o II Encontro Anual do Movimento Feminista da Psicologia Complexa, reunindo participantes para um dia de diálogo, reflexão, compartilhamento e construção coletiva.
Este encontro nasce da continuidade de uma construção coletiva: um espaço para dialogar, compartilhar experiências, tensionar ideias e imaginar outros modos de fazer, reconhecendo que nossas práticas, teorias e formas de compreender o sujeito também são atravessadas pelas relações de gênero, poder, cultura, corpo, história e sociedade.
Ao longo do encontro, colocamos em movimento questões que atravessam os corpos, as relações de poder, a produção de conhecimento, as diferenças, a clínica, a política, a cultura e as possibilidades de transformação.
O encontro pretende ser um território de escuta, elaboração e criação coletiva. Um lugar para reconhecer o que já foi construído, questionar aquilo que precisa ser transformado e abrir espaço para aquilo que ainda não sabemos nomear.
O II Encontro Anual é, portanto, um convite para estarmos juntas na construção de uma psicologia que não se pretenda neutra diante das desigualdades, que reconheça a complexidade dos sujeitos e que possa sustentar múltiplas vozes, experiências e formas de existência.
Um encontro para sermos juntas.