O II Colóquio do Laboratório de Estudos das Festas, Folclore e Tradições (LABFEST) e dá prosseguimento às edições anteriores de eventos que até aqui caminharam separados, mas que se somam para consolidar no estado do Amazonas os estudos acerca das festas, folclore, tradições populares e patrimônios. Parte-se de ideia de que é saudável e necessária a aproximação entre Universidade e Sociedade e que, de modo especial a UEA, deve estar presente no Festival, somando através da pesquisa e da extensão, com debates que, de diferentes formas, influenciam nas próprias configurações (sociais, políticas, econômicas) da festa.
Não obstante sua força e importância, esse tema não ocupa, há bastante tempo, o lugar de destaque em um evento acadêmico. No Amazonas, uma única edição de um seminário sobre o tema foi realizada no início dos anos 2000, em Manaus, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM); depois disso, no ano de 2022, o Centro de Documentação e Memória (CEDEM) do Boi-Bumbá Caprichoso realizou, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), um colóquio para debater as conexões criativas entre Carnaval e Boi-Bumbá e em 2024 o LABFEST retomou o tema em seu I Colóquio, que foi também a XIII Semana de História do CESP-UEA. O que estamos propondo agora é suscitar novamente a discussão (interdisciplinar) acerca de como a universidade, em especial os profissionais da História, interagem como temas tão ricos e tão diretamente imbricados na vida das pessoas em Parintins e região.
Trata-se, portanto, de uma oportunidade para colocar em foco não apenas a função social da academia, mas também várias questões internas do nosso ofício - desde os referenciais teóricos e metodológicos que norteiam os estudos sobre festas, folclore, tradições populares e patrimônios no Amazonas até a pertinência de avaliar o estado da arte desses temas para construir novos programas de estudo/trabalho, tendo em vista inclusive o processo em curso de salvaguarda dos saberes-fazeres associados aos Bois-Bumbás.
De um ponto de vista mais profissional, é importante que graduandos e pós-graduando possam travar contato com renomados pesquisadores de fora da Instituição - para conhecer/aprofundar-se em diferentes abordagens das festas, do folclore, das tradições populares e dos patrimônios (sobretudo do patrimônio imaterial). Mas cabe destacar aqui também um outro aspecto: conforme preconiza a Lei 14.038, de 2020, que regulamenta a profissão de historiador, mesmo os licenciados podem atuar em instituições de guarda de documentos e preservação da memória, fazendo pesquisa ou mediando (de diferentes formas) a relação entre a História profissional e a divulgação histórica para públicos mais amplos - um campo, aliás, em evidente destaque e crescimento na atualidade - a História Pública. Assim sendo, é preciso também inserir os/as estudantes, em um circuito ativo de cultura, na qual eles/as podem ingressar para diferentes funções, como produtores de conteúdo ou mediadores culturais, inclusive para trabalhar temas/aspectos relativamente novos, como a inclusão de PCDs e outras minorias.