SESSÃO TEMÁTICA 1 – ARTEFATOS
CULTURAIS DE MATRIZ AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA (ACMAB) ALTERNATIVAS DIDÁTICAS
PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA (0–12 ANOS)
Coordenadora(s): Profa. Drª. Lucimar
Rosa Dias (UFPR) e Profa. Drª. Marlina Oliveira (UNESPAR)
O
objetivo desta Sessão Temática é debater, sistematizar e socializar
conhecimentos sobre como ACMAB (especialmente livros, mas também jogos,
materiais pedagógicos, plataformas) podem sustentar práticas pedagógicas
antirracistas com crianças de 0 a 12 anos, explicitando fundamentos
teórico-metodológicos, critérios de seleção/curadoria e possibilidades de
mediação em diferentes contextos educativos e intersetoriais. A proposta é
reunir pesquisas, relatos analíticos e experiências formativas que investiguem
a produção nacional e internacional de artefatos da cultura de matriz africana
– com ênfase em livros (literatura infantil afro-brasileira), mas também jogos
(analógicos e digitais), plataformas, aplicativos, acervos, brinquedos,
materiais pedagógicos, curadorias e percursos didáticos – voltados à construção
de alternativas didáticas para a educação antirracista com crianças de 0 a 12
anos. Serão acolhidos trabalhos que discutam: processos de criação, circulação
e mediação desses artefatos; critérios ético-estéticos e político-pedagógicos
(representação, autoria, linguagem, imagens, narrativas, brincadeira e
cuidado); impactos na constituição de identidades e pertencimentos; relações
com políticas públicas e marcos legais; e usos em diferentes estruturas/ambientes
educativos (creches, pré-escolas, anos iniciais, espaços comunitários, saúde,
assistência social, museus, bibliotecas, territórios e mídias digitais). A
Sessão valoriza abordagens interdisciplinares (Educação, Saúde, Antropologia,
História, Letras, Artes, Comunicação, Estudos Culturais, Design, Tecnologia,
entre outras) e análises com base em evidências e referenciais críticos sobre
relações étnico-raciais e infâncias.
SESSÃO TEMÁTICA 2
- PESQUISAS COM CRIANÇAS NEGRAS NO BRASIL: NOSSOS PASSOS VÊM DE LONGE
Coordenadora:
Profa. Drª. Míghian Danae Nunes Ferreira (UNILAB)
Há algumas décadas, temos nos dedicado
a estudar as/com/para/desde/sobre crianças negras (0 a 12 anos) nas ciências
humanas. Este interesse parte, também,da ideia de que as crianças negras são
pessoas com direitos que, ao estarem vivas, interrogam a ideia universal de
infância, provocando nosso olhar para, ao encontrar a pluralidade de
experiências das crianças, encontrarmos e construirmos também modos de fazer
ciência que levem em consideração as diferenças, sejam elas etárias, raciais,
de gênero, de classe e de origem. Nesta sessão temática, nosso interesse
concentra-se em estudar quais têm sido as metodologias que temos escolhido - ou
criado - para dar conta da empreitada de falar das crianças negras no Brasil.
Aqui, intencionamos criar um espaço para um debate sobre as metodologias
empregadas não apenas nas pesquisas acadêmicas, mas também nas pesquisas que
impulsionaram legislações e/ou ações, realizadas em diferentes âmbitos:
universidades, organizações não-governamentais, sistemas educacionais, dentre outros
espaços que contemplam o universo das infâncias negras em múltiplas
perspectivas. Nossa compreensão é que, para visibilizar o debate sobre as
infâncias e as crianças negras produzidos nas últimas décadas no Brasil e assim
contribuir para o contínuo fomento da produção intelectual sobre as temáticas
aqui apresentadas, no interesse tanto de garantir direitos às crianças negras
quanto de colaborar com a implementação da educação das relações étnico-raciais
em prol de uma educação de qualidade no país, necessitamos estudar por quais
caminhos estas pesquisas têm sido realizadas, para que possamos seguir
produzindo ciência com consciência, com a ética necessária na escuta de
crianças negras e na elaboração de materiais, legislações e ações que levem em
consideração o melhor interesse destas crianças. Esta sessão temática, assim,
se ocupará estritamente de um debate metodológico sobre as pesquisas acadêmicas
sobre/com/para/desde as crianças negras, sendo nosso principal interesse
esmiuçar o como fazer das pesquisas, analisando as escolhas realizadas, seus
potenciais e possíveis prejuízos. Além disso, intencionamos abordar a ética na
pesquisa a partir dos documentos legais que citam as crianças como grupo social
e, especialmente, a forma como a Plataforma Brasil tem encarado as pesquisas
com crianças negras nas ciências humanas.
SESSÃO TEMÁTICA 3 - POLÍTICAS
PÚBLICAS PARA CRIANÇAS NEGRAS E/OU FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) PARA A EDUCAÇÃO
DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA INFÂNCIA
Coordenador: Prof. Dr. Otavio
Henrique Ferreira da Silva (UEMG)
A presente Sessão Temática
se alinha com a construção de sociedade e educação antirracista no Brasil, com
escopo para os estudos das infâncias, políticas públicas e pedagogias. A
política do cuidado com as crianças negras precisa com urgência de ser
fortalecida e ampliada visto o fenômeno da necroinfância que cada vez mais mira
os corpos e as vidas negras cada vez mais tenras. Ao mesmo tempo o racismo
muitas vezes se utiliza das estruturas do espaço escolar marcando de forma
negativa vidas negras desde a primeira infância. Entende-se que a criança negra
poderá e deverá ser pensada como foco de políticas públicas em diferentes áreas
do Estado como educação, lazer, cultura, assistência social, segurança pública,
ações afirmativas, orçamento público, justiça e política. Assim, busca-se receber
trabalhos que abordem o tema das infâncias e crianças negras nas diferentes
áreas das políticas públicas e na formação de professores em diálogo com as leis
10.639/2003 e 11.645/2008.
SESSÃO TEMÁTICA 4 - CORPO,
INFÂNCIAS NEGRAS E EDUCAÇÃO INFANTIL: PERSPECTIVAS DO CORPO-TERRITÓRIO-CRIANÇAS
Coordenadora: Profa. Drª Marta
Alencar dos Santos (UEFS)
Esta
Sessão Temática propõe reunir pesquisas, reflexões teóricas e relatos de
experiências que tomem o corpo dos bebês e das crianças negras como categoria
central de análise para compreender as experiências das infâncias negras nos
contextos da educação infantil. Partindo da perspectiva teórica do
corpo-território-crianças, busca-se discutir o corpo infantil negro como
território social, político, cultural e epistemológico, atravessado por
relações de poder, processos de racialização e práticas educativas. A noção de
corpo-território-crianças permite deslocar compreensões que reduzem o corpo dos
bebês e das crianças negras à dimensão biológica ou ao desenvolvimento
individual, enfatizando sua constituição como espaço de inscrição de memórias
coletivas, ancestralidades, afetos e disputas simbólicas. Nessa perspectiva, o
corpo dos bebês e das crianças negras é compreendido como um território no qual
se inscrevem experiências históricas marcadas pelo racismo estrutural, pela
colonialidade e pelas desigualdades sociais que atravessam as instituições
educativas desde a primeira infância. Nos espaços da educação infantil, o corpo
negro infantil frequentemente é objeto de processos de regulação, controle e
vigilância que incidem sobre gestos, movimentos, expressões estéticas e formas
de interação. Tais dinâmicas evidenciam como o racismo pode operar sobre esses
corpos, produzindo experiências de invisibilização, estigmatização e
silenciamento dos bebês e das crianças negras. Essas práticas revelam
fragilidades institucionais e pedagógicas no reconhecimento da diversidade
racial e na construção de ambientes educativos comprometidos com a equidade e
com a justiça racial. Ao mesmo tempo, este simpósio busca enfatizar as
potências inscritas nos corpos dos bebês e das crianças negras. Longe de serem
compreendidos apenas a partir de marcadores de vulnerabilidade, tais corpos
constituem-se como territórios de criação, resistência, produção de saberes e
elaboração de formas próprias de estar no mundo. Nas brincadeiras, nas
expressões corporais, nas linguagens, nos gestos e nas ocupações do espaço
educativo, os bebês e as crianças negras produzem sentidos, afirmam identidades
e constroem modos singulares de aprendizagem e sociabilidade. Assim, pretende-se
promover um espaço de interlocução interdisciplinar entre pesquisadoras(es),
docentes e estudantes que investigam as infâncias negras, as corporalidades
infantis e as relações étnico-raciais na educação infantil. Serão acolhidos
trabalhos que abordem, entre outras possibilidades: corporalidades e experiências
das crianças negras na educação infantil; processos de racialização na primeira
infância tendo o corpo como experiência primeira; práticas pedagógicas
antirracistas que visibilizam os corpos dos bebês e das crianças; relações
entre corpo, território e infância; bem como metodologias de pesquisa que
considerem as crianças negras como sujeitos de produção de conhecimento
corpóreo. Ao colocar o corpo das crianças negras no centro do debate, esta
proposta busca contribuir para o aprofundamento teórico e político das
discussões sobre infâncias negras no campo da educação infantil, reafirmando a
necessidade de práticas pedagógicas que reconheçam tais corpos como territórios
de dignidade, memória, criação e potência. Portanto, pretende-se ampliar os
debates sobre educação infantil e corpo a partir de uma perspectiva crítica das
relações raciais, reconhecendo as crianças negras como sujeitos históricos,
sociais e epistemológicos.
SESSÃO TEMÁTICA 5 - INFÂNCIA, RAÇA,
DEFICIÊNCIA E O DIREITO À EDUCAÇÃO
Coordenadora: Profa. Drª. Fernanda
Cristina de Souza (UFRB)
O
objetivo desta Sessão Temática é fomentar diálogos e trocas de conhecimentos a
partir das relações entre infância, raça e deficiência, em diálogo com o
conceito de interseccionalidade, considerando o entrecruzamento dos dados da
população negra e da população com deficiência no Brasil e as implicações para
a garantia do direito à educação de crianças de 0 a 12 anos. A proposta é
reunir pesquisas e relatos de experiência que investiguem as relações entre
infância, raça e deficiência. Serão acolhidos trabalhos que discutam: políticas
públicas para a infância em uma dimensão interseccional; práticas pedagógicas e
crianças negras com deficiência; e crianças negras com deficiência na pesquisa.
A Sessão estabelece diálogos com os conceitos de escrevivência e
escrevinfância, valorizando a agência de crianças negras com deficiência, com a
intenção de potencializar seus modos de ser e estar no mundo e a produção das
culturas infantis.
SESSÃO TEMÁTICA 6 - CRIANÇAS E
INFANCIAS NEGRAS: A ESCOLA, O TERREIRO E
A CIDADE COMO ESPAÇOS EDUCATIVOS
Coordenadora: Profa. Drª. Nanci Helena
Rebouças Franco (UFBA)
Esta
Sessão Temática tem como objetivo refletir sobre a escola, o terreiro e a
cidade como espaços educativos para as crianças e infâncias negras. Para tanto,
pretende-se dialogar com pesquisas, relatos de experiências e reflexões que
contribuam para fortalecer práticas educativas comprometidas com justiça
racial, com o enfrentamento ao racismo e com a valorização das contribuições
africanas e afro-brasileiras na formação das crianças, concebidas como sujeitos
históricos e de direitos, herdeiras de um legado africano e que tem “um jeito
negro de ser e viver”. Ressalta-se que em 2003, fruto da luta histórica do
Movimento Negro, foi promulgada a Lei 10.639/03. No ano seguinte, em 2004, as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e
para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana reafirmam a obrigatoriedade do tratamento das
questões raciais para produzir conhecimentos, posturas, atitudes e valores que
colaborem para a “[...] valorização e respeito às pessoas negras, à sua
descendência africana, sua cultura e história”, desde a mais tenra infância.
Nessa perspectiva, compreender a escola, o terreiro e a cidade como espaços
educativos implica reconhecê-los como territórios que ensinam, moldam
trajetórias e influenciam a construção das subjetividades das crianças. A
escola é um espaço privilegiado de socialização, mas também um lugar onde o
racismo institucional opera e produz desigualdades, logo, é preciso
problematizar currículo, práticas pedagógicas, materiais didáticos, relação
entre as crianças e as demais pessoas que compõe a comunidade escolar... para
construir uma educação antirracista. O terreiro, como um espaço ancestral de
formação ética, comunitária e espiritual, no qual a criança participa de
rituais, aprendizados simbólicos e práticas culturais que fortalecem vínculos e
identidades, aprendendo sobre cuidado, coletividade, respeito às diferenças,
pertencimento. A cidade, como espaço educativo, permite circulação, convivência,
resistência, mas também exclusões e violências; é preciso reconhecer as
experiências das crianças em praças, ruas, transportes, equipamentos culturais
e comunitários, observando como a racialização do espaço impacta as
possibilidades de viver ou não a infância de maneira plena. Ao reunir estudos e
vivências que atravessam a escola, o terreiro e a cidade, buscamos ampliar as
possibilidades de pensar crianças e infâncias negras em sua complexidade,
reconhecendo que elas se constituem na intersecção entre educação, cultura,
território, ancestralidade.
Normas para submissão de trabalhos
Normas de Apresentação de Comunicação Oral nas Sessões
Temáticas
As proposições de comunicação oral a serem apresentadas nas Sessões
Temáticas de Trabalhos são destinadas aos pesquisadoras(es), outras(as)
estudiosas(os) da temática, às(aos) profissionais da educação básica de ensino,
em especial, às(aos) professoras(es). As propostas de comunicação oral nas Seções Temáticas de
apresentação de trabalhos deverão ter:
- Sessão Temática
- Título;
- Nome das(os)
autoras(es);
- Instituição
- Resumo do texto com,
entre 2.000 (dois mil) a 2.800 (dois mil e oitocentos) caracteres com
espaços, incluindo:
a)
Discriminação do objeto da comunicação da
pesquisa ou da experiência didático-pedagógica;
b)
referencial teórico e metodológico;
c)
etapas de desenvolvimento;
d)
principais resultados alcançados;
e)
três a cinco palavras-chaves;
f)
Referência a possível agência financiadora e/ou
instituição de desenvolvimento.
Um trabalho pode ter até 05 autores (1 autor (a) + 4 co-autores
(as)) com todos inscritos no evento.
Cada inscrito no evento pode apresentar 02 trabalhos como autor e 03
como co-autor.
O(A) proponente deverá escolher 03 (três) Sessões Temáticas na ordem de
sua preferência. Caso não seja aceito no primeiro, será realocado na opção
seguinte.
A avaliação, o aceite e a eliminação de trabalhos são da
responsabilidade da Coordenação de cada Sessão Temática.
Caso a Sessão Temática seja cancelada, em razão de não atingir o número
mínimo de 5 (cinco) participantes, os resumos aprovados serão realocados nas
opções seguintes indicadas.
A publicação dos resumos aprovados está condicionada à apresentação
oral pelas(os) autoras(es) nas Sessões Temáticas.
Não haverá devolução do valor de inscrição. Caso o trabalho não seja
aceito, a(o) inscrita(o) poderá usar o valor pago na inscrição como Ouvinte.
A submissão é pela área do inscrito. Os resumos devem ser submetidos
obrigatoriamente no período divulgado pelo cronograma.
Em caso de dúvidas entrar em contato pelo e-mail: ibejirede@gmail.com