O I Simpósio de Psicanálise da Faci Wyden, com o tema Escuta Interseccional e a Clínica no Contemporâneo, propõe um espaço de reflexão acadêmica e científica sobre os desafios da psicanálise diante das transformações sociais e subjetivas da atualidade. A clínica psicanalítica contemporânea é convocada a dialogar com novas formas de sofrimento psíquico, marcadas por desigualdades sociais, atravessamentos de gênero, raça, classe social, sexualidade e contextos culturais diversos. Pensar a escuta interseccional significa reconhecer que o sujeito é constituído por múltiplos atravessamentos sociais e históricos, exigindo uma prática clínica ética e crítica.com a pluridiversidade.
A clínica psicanalítica contemporânea é, assim, convocada a deslocar-se de perspectivas universalizantes e a se abrir para o reconhecimento das múltiplas formas de sofrimento psíquico que emergem em contextos historicamente situados. Tais sofrimentos não podem ser compreendidos de forma dissociada das condições materiais e simbólicas que atravessam os sujeitos, sendo profundamente marcados por desigualdades sociais, relações de poder e dispositivos de opressão que operam a partir de categorias como gênero, raça, classe social, sexualidade, território e pertencimento cultural.
Nesse sentido, pensar a escuta interseccional implica reconhecer que o sujeito não é uma entidade abstrata ou isolada, mas um sujeito constituído na trama complexa de relações sociais e históricas. Essa perspectiva demanda da psicanálise uma escuta sensível às diferenças, capaz de acolher as singularidades sem desconsiderar os efeitos do racismo estrutural, do patriarcado, da colonialidade e das múltiplas formas de violência que incidem sobre determinados corpos e existências.
Além disso, a proposta do simpósio busca tensionar os limites tradicionais da clínica, incentivando o diálogo com outros campos do saber, como os estudos de gênero, os estudos raciais, a saúde coletiva e as epistemologias decoloniais. Trata-se de afirmar uma clínica comprometida eticamente com a vida, que não apenas escuta o sofrimento, mas também se implica nas condições que o produzem, reconhecendo seu papel na construção de práticas de cuidado mais justas, inclusivas e socialmente situadas.
Dessa forma, o I Simpósio de Psicanálise da Faci Wyden se configura como um espaço de encontro, troca e produção de conhecimento, reunindo estudantes, pesquisadores/as e profissionais interessados/as em pensar uma psicanálise viva, crítica e comprometida com os desafios do nosso tempo. Ao colocar em pauta a escuta interseccional, o evento reafirma a necessidade de uma clínica que escute não apenas o inconsciente, mas também os silêncios produzidos pelas desigualdades, abrindo caminhos para novas formas de cuidado e de existência.