A pesquisa intercultural e a ciência produzida em comunidades indígenas têm ganhado cada vez mais relevância no cenário nacional. Exemplo disso é a criação do Ministério de Povos Indígenas (MPI), em 2023, pelo Presidente Lula. Além dessa ação, também podemos citar o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que visa “ampliar a valorização e o fortalecimento dos saberes indígenas, tradicionais e locais, reconhecendo-os como centrais na produção de conhecimento” (MCTI, 2025).
Atenta a esse debate emergente e à necessidade de fortalecer esta pauta e reconhecer os saberes ancestrais, a Nucleação Centro-Oeste do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade em suas Múltiplas Insurgências, por meio do Grupo de Trabalho “Direitos de povos indígenas e tradicionais, interseccionalidade e acesso às Instituições de Ensino Superior” e Arandu - Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, dedica-se a produzir dados sobre indígenas mulheres e LGBTQIAPN+ no ensino superior. Não limitando-se gerar tais dados, a Nucleação tem especial interesse em produzir epistemologias outras, o que apoiamos por meio de editais de bolsas de pesquisa (da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado) dirigidos a indígenas e de um espaço de trabalho acolhedor.
Nesse bojo, o Seminário Nacional Indígenas Pesquisadoras é organizado pelo INCT Caleidoscópio, com a parceria do MPI e da Anmiga – Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade. É o primeiro evento nacional que promove o encontro de indígenas pesquisadoras em torno de temas como mulheres, justiça, ciência, educação, resistência, saúde e linguagem. Esses e outros temas serão discutidos por indígenas mulheres de todos os biomas brasileiros, a saber: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.
A programação conta com sete mesas-redondas temáticas distribuídas ao longo dos dias 10, 11 e 12 de dezembro. Além destas, a mesa de encerramento será dedicada à avaliação da COP30 por indígenas mulheres que participaram da conferência.
Com apoio do MPI, parceria da Anmiga e realização do INCT Caleidoscópio, o Seminário acontece na Universidade de Brasília, sediado no Instituto de Relações Internacionais, no campus Darcy Ribeiro.