III Congresso Internacional em Humanidades Digitais (HDRio2023)

III Congresso Internacional em Humanidades Digitais (HDRio2023)

online Urca, UNIRIO - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
presencial Com transmissão online

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Sobre o evento

Gambiarras Digitais – Arte, Ciência e Política no Mundo Conectado

 

O III Congresso Internacional em Humanidades Digitais da Cidade do Rio de Janeiro (HDRio2023) em torno do  tema “Gambiarras Digitais – Arte, Ciência e Política no Mundo Conectado” convida tecnólogos, cientistas sociais, pensadores, artivistas, professores, estudantes, pesquisadores, instituições, governos, organizações sociais e empresas a refletir,  reavaliar e debater sobre as vantagens  e desvantagens das gambiarras digitais para a vida, submetendo os seus artigos, posters, podcasts, aplicativos, plataformas e instalações de arte, para a seleção e posterior apresentação desses trabalhos ou meios de comunicação em palestras, mesas-redondas, oficinas, feira de empreendedorismo digital (de aplicativos, plataformas e games), além de exposição de arte digital e eventos culturais, em uma extensa  programação a ser criada.

 

O termo “gambiarra” se origina provavelmente do italiano gamba [perna] e remete a gambeta, que indica um procedimento manhoso, tal como um drible no futebol. Gambiarra indica um gesto de improvisação característico de todas as culturas, embora no Brasil tenha grande centralidade, geralmente associado ao famoso “jeitinho”. Na vida cotidiana, o termo “gambiarra” costuma ganhar uma conotação puramente negativa de algo “precário, tosco ou feio”. Do ponto de vista da moral, a gambiarra é fruto de descuido, preguiça ou má-fé. Já da perspectiva das artes em geral, a gambiarra, ao contrário, pode ser vista também como uma técnica de recombinação e de reapropriação de materiais visando superar situações de carência de recursos através da abundância de criatividade. Para a filosofia, a gambiarra pode ser a marca da astúcia (métis, em grego), capaz de fazer alianças entre a razão e a imaginação em busca de atalhos para se chegar aos objetivos, sempre quando o caminho mais direto se mostrar demasiadamente perigoso.

 

As gambiarras não dizem respeito apenas à improvisação de materiais. Elas podem se mostrar como formas imateriais de recombinação, a saber, como “gambiarras digitais”.  Para a área estrita de teoria da informação, o termo parece indicar um mal uso das tecnologias, seja por ignorância ou por incompetência. Contudo, para as Humanidades Digitais a ideia de “gambiarras digitais” pode indicar também uma forma mais democrática de acesso e compartilhamento das tecnologias de informação, tornando-as mais abertas para o crivo crítico e mais passíveis de reconstrução pelo coletivo social. As “gambiarras digitais” podem vir a ser uma forma de expressão de habilidades humanas em uma época em que o universo tal como o conhecemos está vivenciando a instauração do “metaverso”. Nesse contexto, a proposta do HDRio2023 é promover um debate sobre outras e melhores formas de articular humano e inumano; razão e imaginação; arte, ciência e política; algoritmos e afetos, em nome de um projeto político de pluralização das realidades acessíveis ao ser humano, enfim, da instauração de um “pluriverso”.

 

O HDRio2023, que será realizado de 16 a 20 de abril de 2023, no bairro da Urca, em torno dos campi da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), buscará reunir uma rede de pesquisadores que, desde as duas primeiras edições do congresso (HDRio2018 e HDrio2021), já vêm trocando ideias e experiências, transferindo saberes e práticas, propondo caminhos e alternativas e principalmente, despertando novas questões ainda mais relevantes, a partir dos atravessamentos híbridos, nos nossos próprios corpos, das tecnologias digitais e das tradições humanistas na vida contemporânea.

Sobre as Humanidades Digitais

São cada vez mais impactantes, surpreendentes e inimagináveis no mundo contemporâneo as perspectivas abertas pela tecnologia digital nas atividades humanas. Esse fenômeno que muitos estudiosos comparam ao impacto civilizatório provocado pela passagem da comunicação oral para a escrita, emerge em todas as esferas da sociedade, atinge direta ou indiretamente todos os seus agentes e subverte as suas noções de tempo, espaço e conhecimento. Tanto por possibilitar a comunicação intercontinental em rede, como por aumentar exponencialmente a capacidade de armazenamento e processamento de dados, por convergir todo tipo de acervo em conteúdo digital ou por facilitar o acesso a esse conteúdo, a dados e informações em dispositivos móveis na vida cotidiana, esse fenômeno vem se constituindo como um fértil campo de investigação, sob o rótulo de Humanidades Digitais.

As Humanidades Digitais, enquanto expressão agregadora de práticas, teorias e métodos que se desenvolvem desde a segunda metade do século XX, a partir do trabalho pioneiro do padre Roberto Busa, em linguística computacional, ao se associar à IBM em 1949 para tratar as obras de Tomás de Aquino para criar "Index thomisticus".



Desde o lançamento do seu Manifesto, em 19 maio de 2012,  na ocasião do ThatCamp Paris, as HDs vem sendo consideradas, pelos muitos laboratórios e centros de pesquisa surgidos desde 2010 no mundo acadêmico, como uma “transdisciplina”, que incorpora os métodos, os dispositivos e as perspectivas heurísticas das ciências humanas e sociais, ao mesmo tempo em que mobiliza as ferramentas e abordagens singulares abertas pela tecnologia digital. 



O III Congresso Internacional em Humanidades Digitais, a se realizar no Rio de Janeiro, de 16 a 20 de abril de 2023, se constitui como uma oportuna ocasião para acadêmicos, cientistas e tecnólogos das Artes, da Cultura e das Ciências Sociais, Humanas, Exatas e Computacionais apresentarem as suas pesquisas e a refletirem, entre outros temas, sobre o impacto das tecnologias de informação, das redes de comunicação e da digitalização de acervos e processos na vida cotidiana dos indivíduos e os seus efeitos nas instituições e sociedades locais e globais.


Programação

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Palestrantes

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Inscrições

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Sobre os Eixos Temáticos

1 - Humanidades Digitais e Educação

Autores

Viviane Toraci Alonso de Andrade, Jessika Wanessa dos Santos Miranda

Palavras-Chave
Práticas pedagógicas; Materiais didáticos; Escola; Educação não-formal.


Resumo

Encontramos nos processos educativos um fértil campo para as gambiarras digitais, exigindo a todo tempo a "recombinação e reapropriação de materiais, visando superar situações de carência de recursos através da abundância de criatividade". Por isso, o eixo temático Humanidades Digitais e Educação propõe pensar coletivamente as conexões entre as Humanidades Digitais, novos processos de produção de conhecimento e formas de inserção das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) em atividades de ensino-aprendizagem. Defendemos que ao mudar as formas de produzir conhecimentos – agora com uso intensivo de tecnologias digitais – são alterados também como estes conhecimentos são transpostos e reinterpretados em processos formais e não-formais de educação.

 Assim, este eixo temático tem como objetivo localizar as contribuições dos princípios das Humanidades Digitais para processos de ensino-aprendizagem. Deslocamos a discussão do âmbito das inovações advindas no campo da produção de novos conhecimentos a partir da aplicação de hardwares, softwares e linguagens computacionais para um outro espaço, o campo educacional, que também quer atravessar a difícil barreira do tradicionalismo.

 Já encontramos um debate intenso relacionado à inserção das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação nos processos de ensino-aprendizagem. As discussões foram ainda mais intensificadas no período de isolamento social exigido pela pandemia de Covid-19, quando as escolas foram fechadas para atividades presenciais e rapidamente foi necessário implementar ações de ensino remoto. No Brasil, desde a década de 1980, o Governo Federal investe em pesquisas e programas para prover infraestrutura de rede nas escolas públicas, formação de professores e desenvolvimento de objetos educacionais digitais. São exemplos destas políticas educacionais a inserção no Programa Nacional do Livro e do Material Didático a solicitação de “recursos digitais” e a forte presença de Competências e Habilidades relacionadas ao uso das linguagens digitais integrando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para todos os níveis educacionais. No rol de dez Competências Gerais para a Educação Básica, a quinta competência é dedicada ao tema, trazendo a seguinte redação: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2018).

 Seja no âmbito da escola ou em espaços não-formais, queremos ressaltar a diferença entre ser consumidor de dados e ser produtor de conhecimentos. Propomos pensar práticas pedagógicas e materiais didáticos capazes de estimular um posicionamento ativo na produção e circulação de conhecimentos como estratégia de disputa do espaço público de forma a participar de e influenciar instâncias de decisão. É o salto que propomos ao pensar que para além da inserção de produtos digitais na educação (entre hardwares, softwares, plataformas e objetos educacionais digitais), precisamos pensar em como inserir as Humanidades Digitais na Educação, refletindo como suas metodologias poderão representar um salto qualitativo para o ensino de uma geração que não conhecerá formas de acessar e manipular informações, assim como gerar conhecimento novo, que não passem pelos ambientes digitais.

Buscamos neste eixo temático propostas que possam contribuir para os debates, podendo ser:

• Relatos de experiências pedagógicas condizentes com os princípios das Humanidades Digitais;

• Apresentação de materiais didáticos baseados nos princípios das Humanidades Digitais;

• Propostas de atividades pedagógicas e materiais didáticos com uso das Tecnologias Digitais;

• Análises curriculares que revelem possibilidades da interrelação entre Humanidades Digitais e Educação;

• Análises teóricas acerca das possibilidades de interrelação entre Humanidades Digitais e Educação.

 

 2 - Emoções, Tecnologia e Humanidades

Autores

Rodrigo De Souza Tavares, Jordi Vallverdú

Palavras-Chave

Emotions, Technology, Digital Humanities.

Resumo

Este eixo temático tem como objetivo discutir as projeções e conexões das emoções com o mundo digital. O mundo digital é ao mesmo tempo real, estendido, aumentado ou misto, sendo resultado de interações entre diferentes tipos de agentes (humanos, chatbots, robôs virtuais ou digitais, sistemas de IA etc.). As emoções são uma parte central da experiência de vida porque estão intrinsecamente associadas às nossas ações, motivação e fazem parte do núcleo da natureza humana. Mas desde que o processo de digitalização da cultura começou, a digitalização da experiência emocional tornou-se uma das fronteiras mais complexas para as tecnologias digitais e a compreensão humana. Como podemos traduzir esses tipos incorporados de cognição para o meio etéreo do código binário? Por outro lado, quais são os impactos das tecnologias digitais na vivência das emoções? As máquinas podem aprender, expressar e sentir emoções? Como as emoções paleolíticas podem se encaixar nas tecnologias do século 21? E, finalmente, indo um passo além: como a IA, os robôs e os sistemas de computador podem modificar as esferas emocionais naturais? Essas são algumas questões que precisam ser abordadas considerando a disseminação de emoções nos espaços virtuais.

Neste eixo temático acolheremos trabalhos sobre os seguintes assuntos, não excluindo outros que possam ser vistos como pertinentes:  Análise de sentimentos: metodologias e aplicações;• Vigilância digital das emoções; Tecnopolítica e emoções públicas; Proteção Jurídica de Dados Emocionais; Divulgação e manipulação de emoções nas redes sociais; Desenvolvimentos em Computação Afetiva; Modelagem de emoções e inteligência artificial; Interações emocionais humano-robô; As emoções viscerais através das tecnologias: dor e prazer nas mídias digitais; Emoções, sentimentos e Psicopolítica .

 

3 - Simulação em dinâmicas sócio-urbanas

Autores

Marcelo Zamith, Marcel William Rocha da Silva, Ubiratam Carvalho de Paula Junior e Leandro Dias de Oliveira

Palavras-Chave

Simulação; políticas públicas; comportamento social; dinâmica social; urbanismo; cidades e ambientes inteligentes.

Resumo

Os centros urbanos estão em constante evolução, sendo compostos por diversas pessoas e seus diversos grupos sociais, os quais interagem entre eles e a própria cidade, modificando e evoluindo o ambiente onde vivem.

De fato, nos últimos anos, a humanidade presenciou e atuou no processo de mudança das áreas rurais para urbanas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, houve um grande movimento de pessoas do campo para cidades. Nos anos 1970, pouco mais de 50% dos brasileiros já moravam em regiões urbanizadas, nos anos 2000, 80% de toda a população brasileira, para 2050 a previsão é 90%.

Embora a migração para os centros urbanos tenha acontecido em todo o mundo, nem todos os países vivenciaram da mesma forma. Países desenvolvidos tiveram de forma lenta e gradual, enquanto em países em desenvolvimento, como o Brasil, o processo de urbanização aconteceu em poucas décadas, fazendo surgir diversos problemas sociais, como moradia, segurança, mobilidade, educação, saúde e entre outros que se fazem presente até os dias atuais.

É importante ressaltar que as demandas e os fenômenos relativos ao processo de urbanização são de diversas áreas de pesquisa, como sociologia, geografia, economia, história, entre outros. De fato, as relações sociais são objeto de estudo de diversos campos da ciência.

Nesse sentido, o eixo temático de relevância para o campo das humanidades digitais (HD). De acordo com a definição 2 do Manifesto da Humanidades Digitais, as HD referem-se, de alguma forma, ao uso de técnicas digitais para as Ciências Humanas, Sociais, Artes e Letras: “2. Para nós, as humanidades digitais dizem respeito à totalidade das ciências sociais e humanas. As humanidades digitais não negam o passado, apoiam-se, pelo contrário, no conjunto dos paradigmas, experiência e conhecimentos próprios dessas disciplinas, mobilizando simultaneamente os instrumentos e as perspectivas singulares do mundo digital.”

Fazendo uma leitura mais ampla do Manifesto de HD, não é um absurdo incluir a simulação de dinâmicas sociais como uma ferramenta de interesse para as HD, uma vez que: i) vem para auxiliar diversas áreas de humanas (definição 2 do Manifesto); ii) é uma ferramenta da área de exatas e que a tecnologia torna viável a sua utilização, sem o computador digital não seria possível reproduzir certos cenários (definição 3 do Manifesto), seja pelo seu tamanho seja pela aplicação das regras. Dessa forma, não seria possível realizar certas observações e construir certos conhecimentos, que a simulação acaba por elucidar (definição 1); e, iii) as simulações de dinâmicas sociais estão intrinsecamente conectadas às Ciências Humanas, como: geografia, economia, sociologia, entre outras.

A proposta do eixo temático visa formar um importante local para pesquisadores e profissionais debaterem o potencial e as limitações das simulações de dinâmicas sócio urbanas, apresentar as pesquisas e trabalhos relacionados ao tema. O objetivo da trilha é fomentar discussões sobre como pesquisadores e profissionais de organizações públicas e privadas estão desenvolvendo técnicas e modelos para reproduzir as dinâmicas sociais, contribuindo para uma melhor compreensão dos problemas urbanos.

A chamada de trabalhos está aberta para os seguintes temas de interesse (lista não exaustiva): Modelos de simulação em dinâmicas sociais, Políticas públicas, Comportamento social, Urbanismo, Cidades e Ambientes Inteligentes

 

4 - Artes, Expressões Digitais e Meios Emergentes

 
Autores

Luiza Helena Guimarães, Ivana Bentes, Inês Maciel, Ricardo Dal Farra

Palavras-Chave

Arte, estéticas, mídias, midiarte, história das artes eletrônicas e digitais, ética, Antropoceno, política, subjetividade, desejo, imaginário, hibridismo, transdisciplinaridade, diversidade, pluralidade, audiovisual, cinema expandido, visual music, video mapping, performance, produções midiáticas, realidades virtual, aumentada e mista, plataformas, ciência de dados, visualização e sonificação de dados, inteligência artificial, aplicação e desenvolvimento de software, hardware, efeitos especiais.

Resumo

Buscamos explorar e colocar em discussão as artes e expressões digitais, mais especificamente, o campo da arte em relação aos meios emergentes, dos quais se originam produções visuais, sonoras, audiovisuais imersivas, modalidades de cinema expandido e das artes performáticas, que, junto com as metamorfoses humanas e digitais, propiciam novas estéticas e linguagens, criam novos imaginários e, assim, forjam o mundo contemporâneo. As complexas mudanças emergentes do campo da arte digital requerem pesquisas não somente relativas aos aspectos históricos da arte, das mídias, eletrônicas e digitais, e da materialidade da comunicação, como formas de produção de afetos e sentido no passado, presente e futuro. Mas, também se torna importante fomentar os estudos relativos às práticas e as teorias que abordam, por exemplo, a notória tendência da produção artística relacionada à criação de sistemas imersivos de vida e mundos artificiais (baseados em tecnologias como realidade virtual, aumentada e mista), a utilização da ciência de dados, de inteligência artificial, de redes neurais etc. Tais pesquisas reúnem as mais diversas expressões do universo da arte, estética, ciência e mídias digitais e pertencem ao campo da midiarte, da arte híbrida, arte-ciência e arte visual e sonora. Assim, no momento em que as fronteiras se dissolvem em limiares híbridos e transdisciplinares, este eixo se abre para receber todos os tipo de propostas artísticas que serão distribuídas em apresentações de trabalhos, dispositivos ou obras de arte que respondam e interajam com as humanidades e meios emergentes. Pelo potencial de mudança que exercem sobre o por vir citamos a inteligência artificial e a ciência de dados. O objetivo desse eixo também é investigar o uso das linguagens e expressões digitais em suas dimensões subjetivas, éticas e políticas em processos tecnossociais e de mudanças culturais emergentes, como às estéticas da comunicação da visualização e da sonificação de dados, a arte em NFT, metaverso, estéticas artísticas disruptivas (como deep fakes e humanos digitais), poéticas ancestrais/digitais e as linguagens plurais da diversidade de cunho artístico. Em conjunto, a arte, apreendida de forma afetiva e ética, comprometida criticamente com a natureza cada vez mais não humana da vida econômica, social e cultural, tende a impactar a produção e a criação da vida humana em todas as suas dimensões. Por exemplo, a arte é potencialmente capaz de agir em prol do controle do Antropoceno? Pode-se dizer que as artes e as gambiarras têm em comum o fato de ao serem confrontadas com a necessidade, poderem acionar o desejo e, sob esta condição, responderem com a criação e a inovação.

 
 

5 - Tecnologia da Informação, Memória Social e Acervos Digitais

Autores

João Carlos Nara Jr., Elton Gomes dos Reis, Fernando Santos Berçot, Ana Lígia Medeiros

Palavras-Chave

Cultura, Memória Social, Acervos Digitais

Resumo

O presente eixo temático articula as Humanidades Digitais enquanto campo transdisciplinar, multifacetado e diverso, o qual congrega um conjunto de práticas convergentes que exploram o universo de saberes que se impõem através do emprego das novas configurações multimídia: as ferramentas, as técnicas e mídias digitais que alteraram a produção e disseminação do conhecimento nas artes, ciências humanas e sociais. A proposta da linha de pesquisa e debate aqui apresentada é a de explorar as Humanidades Digitais num esforço analítico e propositivo para a compreensão de contextos e fatos onde sobressaem o hibridismo, a pluralidade de fontes e a redefinição de tempo e espaço propiciada pela tecnologia da informação.

Entende-se que tal quadro impacta sobremaneira os sujeitos e instituições produtores, guardiões e disseminadores de conhecimento ou cultura, tomados em sentido amplo, obrigando as universidades e centros de pesquisa a adaptar modelos digitais de discurso acadêmico para as esferas públicas emergentes, e vice-versa, em meio aos desafios do quadro contemporâneo.

Fenômenos como o advento das as redes sociais, bancos de dados online, sites especializados, Wikipedia, fóruns de debates na internet, polarização em meio ao debate público travado nas redes, bibliotecas digitais, acesso remoto de dados, digitalização de documentos históricos, plataformas interativas de aprendizado, visitas virtuais a museus e outras instituições culturais, georreferenciamento, emprego de inteligência artificial para tarefas intelectuais, metaverso, entre outros, são tomados como elementos de interesse para estudos que objetivam modelar a excelência e a inovação nesses domínios, propiciando a formação de redes de produção, intercâmbio e disseminação de conhecimento no mundo interdependente e complexo dos fluxos de informação integrados e da globalização político-econômica e sociocultural.

Serão aceitas propostas que reflitam sobre a prática das instituições de memória no enfrentamento de questões relacionadas à digitalização e divulgação dos seus acervos, cujos métodos de trabalho vem se modificando muito rapidamente. Novas questões de pesquisa e de práticas profissionais em relação à aquisição, gestão, preservação, acesso e reutilização de conteúdos eletrônicos serão bem-vindas. Além disso, o tema sobre a convergência digital das instituições de memória (arquivos, bibliotecas e museus) vêm se impondo como uma das tendências na área, incluindo as diversas tipologias documentais.

Como exemplos de tópicos a serem apresentados  podem-se citar: patrimônio cultural digital, modelos de digitalização, organização e gerenciamento de  repositórios digitais (institucionais, memoriais, de dados e outros), utilização de plataformas abertas para disseminação de acervos digitais, curadoria digital, atividades e plataformas de crowdsourcing, letramento e mediação digital, questões sobre direitos autorais,  criação e gestão de metadados e interoperabilidade em instituições de memória cultural.

Sugere-se, ainda, reflexão sobre a responsabilidade social das instituições memoriais, pois não basta digitalizar, mas traçar uma estratégia de alcançar um número maior de pessoas, ampliando o uso pela sociedade. Nesse sentido, aponta-se a relevância de estudos sobre políticas públicas voltadas para o acesso aos acervos digitais, incluindo o planejamento e as dificuldades enfrentadas.

 São bem-vindas todas as propostas que dialoguem com as questões suscitadas pelo cenário que aqui descrevemos, de maneira a valorizar os aportes das mais diversas áreas do conhecimento e a contribuição de outros saberes e práticas. Cultura, Memória Social e Acervos Digitais são conceitos fundamentais que servirão como ponto de partida para o debate.

 

6 - Inovação, design e experiência nas humanidades digitais

Autores

Patrícia Duarte Gonçalves

Palavras-Chave

Humanidades digitais; design de experiência; inovação; interação humano-computador; tecnologia.

Resumo

Desde meados do século XX aprofundaram-se os estudos sobre a interação humano-computador. Com o aprimoramento tecnológico e aumento da capacidade de fluxo de dados, o relacionamento entre humanos por meios digitais se modificou. No final do século XX iniciou-se a cibercultura e atualmente já não se distingue o mundo digital do “analógico”. Uma vez que o digital já faz parte do cotidiano por meio de dispositivos móveis, inteligência artificial, realidade aumentada e de perspectivas com o “metaverso”.

As pessoas não interagem apenas com interfaces digitais, artefatos ou entre si, mas estabeleceu-se a necessidade de um relacionamento com algoritmos, de forma a criar estratégias, ou gambiarras, para, por exemplo, o uso desses algoritmos para objetivos próprios.

Pessoas que se relacionam com inteligências artificiais como companhia para driblar sua solidão. Pessoas que são substituídas em suas profissões por robôs e criam profissões para se adaptar. Que buscam constante atualização para não se sentirem obsoletas, que utilizam ferramentas digitais para trabalhar, estudar, ter relacionamentos afetivos sem nunca se encontrar pessoalmente. As tecnologias proporcionaram um encurtamento do tempo, do espaço, em um dilúvio informacional e de algoritmos divididos em bolhas. Novos paradigmas que necessitam de novas soluções ou perspectivas.

Design e tecnologia desenvolvem inovações em produtos, serviços e negócios que impactam diretamente a vida das pessoas em novas formas de consumo, trabalho, relações interpessoais e novas gambiarras. A boa experiência se tornou uma meta.

O termo design de experiência começou a ganhar popularidade quando Donald Norman percebeu que o significativo no uso de produtos é a experiência obtida, neste uso. Segundo o pesquisador, o contato com uma tecnologia resulta em um tipo de prática que pode afetar o cérebro. O autor ainda afirma que é necessário reconhecer a diferença entre o funcionamento das pessoas, com suas capacidades únicas, e das máquinas. Que as emoções são centrais para o comportamento e interpretação humana no mundo e que não devem ser ignoradas ao projetar soluções.

As inovações digitais permeiam nossas vidas de modo que também se faz necessário debater sobre este contexto para o fortalecimento do campo das humanidades digitais ao projetar soluções que podem ser de produtos, serviços, negócios, arte, entre outros.

Reconhecendo a amplitude do campo das humanidades digitais e sua interdisciplinaridade, este eixo agrega pesquisas, estudos e práticas relacionados a temas como: Design de experiência e as estratégias para a inovação; Ergonomia e design de interação; O pensamento projetual do design para soluções digitais; Tecnologias, propriedade intelectual e novos negócios; Relacionamentos humanos com inteligências artificiais; Redes sociais e novas práticas de consumo; Migração da arte, da cultura, da moda e outras atividades criativas para o campo digital; Investigação sobre UX, imaginação e comunicação; Inovação, criatividade e economia criativa; Transformação digital e novos paradigmas.

 

7 - Sociedade Inclusiva e Acessibilidade Digital

Autores

Daniela Francescutti Martins Hott e Brenda Couto de Britto Rocco

Palavras-Chave

Acessibilidade, Inclusão Social, Ambiente Digital

Resumo

Os direitos de todos os seres humanos estão definidos em tratados internacionais como a Declaração dos Direitos Humanos, os Direitos Fundamentais no Trabalho e a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Nesse contexto, a educação e o mercado de trabalho são duas áreas prioritárias para a efetivação da promoção da igualdade e da inclusão social. A revolução resultante do advento da Internet promoveu o acesso à informação para grande parte de nossa sociedade, trazendo, em contrapartida, novas formas de exclusão.

Com os movimentos sociais de luta por direitos, a compreensão da deficiência como intrínseca ao indivíduo e como expressão da diversidade humana, e a difusão das ideias do modelo biopsicossocial da deficiência, desloca-se a questão da deficiência do nível individual para o nível social, e o resultado é a necessidade de adequação da sociedade para promover a inclusão de todas as pessoas nos diversos espaços sociais.

Neste sentido a frase “Nada sobre Nós, sem Nós: da integração à inclusão” tem sido reforçada anualmente por um movimento social que começou em uma terceira quinta-feira do mês de Maio no ano de 2011 sendo o Dia Mundial da Conscientização sobre a Acessibilidade (GAAD - Global Accessibility Awareness Day). O objetivo deste dia é reforçar cada vez mais a importância em um mundo digital de que o conhecimento sobre acessibilidade inexoravelmente passou a ser uma das competências essenciais para todos midiáticos que atuam nesta sociedade.

O conceito de acessibilidade determina que as pessoas possam ser igualmente usuárias de produtos e serviços, sendo uma possível deficiência encarada como uma simples característica individual. Por consequência, as concepções de todos os espaços, físicos ou virtuais, e formatos de produtos e de serviços devem se adequar a essa determinação. Isso posto, se um espaço virtual não está acessível a todas as pessoas, esse espaço é inadequado. Se há barreira, seja ela um entrave, um obstáculo, uma atitude ou um comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa no seu papel como cidadã e consumidora em uma sociedade, esse espaço continua inadequado.

O uso do ambiente digital pode, ao mesmo tempo, diminuir ou aumentar as barreiras de acessibilidade, dependendo de como é utilizado. A troca de experiências e debates com vistas ao amadurecimento e conscientização do uso das tecnologias digitais em prol da autonomia e igualdade das pessoas com deficiência é fundamental. Assim sendo, este eixo temático visa reunir pesquisadores e interessados na temática de acessibilidade e ambiente digital, trazendo para a área das Humanidades Digitais essa questão que é tão cara para a sociedade e para as pessoas com deficiência. Tal relação pode ocorrer pelo viés político, gerencial ou tecnológico. Exemplos disso podem ser observados no uso de tecnologias assistivas que têm toda uma ampliação e pesquisas nas universidades mas que, por questões tecnológicas, de desconhecimento do mercado ou por falta de apoio financeiro, por vezes não chegam a quem realmente precisa que são as pessoas com deficiência, por falta de uma política de incentivo desse uso.

 

8 - Transformação digital e inteligência artificial

Autores

Barbara Coelho Neves e Carolina de Souza Santana

Palavras-Chave

Transformação digital; inteligência artificial; computação cognitiva; tecnologia; metaverso; marketing digital; distúrbios informacionais.

Resumo

A humanidade já passou por diversas transformações desde que o homosapiens passou a andar ereto, controlar o fogo e o desenvolvimento de ferramentas, culturas e linguagens avançadas. Ao olharmos para a nossa história, percebemos grandes transformações mundiais e um contínuo processo de intensificação da digitalização de dados e informações na sociedade. Contudo, a cada uma das inovações de grande escala, a humanidade precisa de algum tempo para assimilar, se apropriar e incorporar no seu cotidiano. A transformação digital é uma das coisas mais importantes que vem acontecendo na sociedade contemporânea e, mais uma vez, os ciclos transformativos convocam e interpelam a humanidade a interagirem em seus processos. Este movimento, intensificado nos últimos anos, tem levado os contextos empresariais, educacionais, mercados e sociais a se adequarem de maneira rápida às tendências tecnológicas mais avançadas. As interlocuções da Inteligência artificial (IA) e os diversos segmentos da sociedade assumem uma característica de pervasividade e convergência de modos e artefactos que interferem no cotidiano de instituições e dos cidadãos. Desse modo, este eixo agrega discussões sobre a inteligência artificial, em consonância com o reconhecimento das tecnologias de informação e comunicação, das tecnologias digitais e das tecnologias cognitivas relevantes à consolidação da apropriação do conhecimento. Tem como objetivo agrupar comunicações científicas que abordem o espectro da transformação digital e da inteligência artificial no contexto das humanidades digitais. As comunicações devem contemplar as seguintes temáticas: a inteligência artificial, computação cognitiva, machine learning, deep learning; redes neurais, redes artificial; digitalização, proteção de dados; sistemas inteligentes e cognitivos, inteligência coletiva; metaversos, NFTs, blockchain; plataformização, modulação algorítmica, envolvendo as questões relacionadas à tecnopolítica; marketing digital e os distúrbios informacionais (desinformação, fake news e deep fake).

A sessão chama atenção para as problematizações que envolvem o contexto digital introduzidas por meio de questões sobre as mudanças de linguagens utilizadas, flexibilização (ou adaptações) de procedimentos técnicos, científicos e sociais em contextos híbridos e mutáveis por onde transitam a informação e a educação rumo ao futuro digital.

 

9 - Organização e Representação do Conhecimento em ambientes digitais, Web Semântica e Dados Abertos

Autores

Carlos Henrique Marcondes, Jair Martins de Miranda, Linair Maria Campos, Sérgio de Castro Martins, Sergio Manuel Serra da Cruz

Palavras-Chave

Digitalização de conteúdos em HD; organização do conhecimento; representação do conhecimento; Linked Open Data; interoperabilidade; metadados; ontologias; vocabulários controlados; Web semântica; sistemas de organização do conhecimento; ciência aberta; ¨Big Data¨; dados de pesquisa; ciência de dados.

Resumo

A dimensão da Web, seu contínuo crescimento e centralidade em todos os aspectos da vida social, cultural e econômica da humanidade colocam a questão de como utilizar este potencial para a educação, cultura, ciência, tecnologia, gestão, inovação e cidadania. Como representar estes conteúdos, como organizá-los para acesso e reuso? Como tirar partido das Tecnologias da Informação e Comunicação? Quais delas utilizar? Que padrões tecnológicos devem ser utilizados? Quais repositórios utilizar? Nunca houve tantos dados disponíveis em formato digital que necessitam ser mais acessíveis e localizáveis tanto por humanos quanto por máquinas e ao mesmo tempo, possam ser validados e reutilizados de modos seguros e confiáveis. Neste cenário as Humanidades enquanto área científica são colocadas inclusive diante de questões epistemológicas e metodológicas colocados por essa profusão e variedade de dados, nos mais diversos temas. Como tratá-los ? Como evitar vieses e preconceitos? Como distinguir sua procedência? O objetivo deste Eixo é apresentar e discutir as iniciativas, os pontos de convergência, os desafios e as oportunidades referentes à Organização do Conhecimento em ambientes digitais para as Humanidades Digitais, em aspectos como dados digitais, sua organização e representação como insumos para as Humanidades Digitais, oriundos de projetos e instituições de pesquisa, de redes sociais, de instituições do patrimônio cultural. Temas emergentes como geração de planos de gestão de dados de longo prazo; avaliações com vistas à adoção de Repositórios Digitais confiáveis (institucionais ou temáticos); compreensão, adoção e utilização de princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) em pesquisas; incorporação padrões de descritores de metadados em datasets de pesquisa, registro de proveniência de dados e processos; abordagens mais inteligentes de recuperação da informação, são desafios que se somam às crescentes demandas nas Humanidades Digitais. Nosso foco é a interação entre pesquisadores, estudantes, empresas, startups, gestores, analistas, especialistas, consultores e profissionais da Ciência da Informação, Ciência da Computação, História, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Biblioteconomia, Letras, Arquivologia, Comunicação e Museologia, que atuam na área de gestão e organização da informação e do conhecimento como elementos de convergência com as Humanidades Digitais, com vistas à ampliação das fronteiras do conhecimento, tanto teórico quanto aplicado, de métodos computacionais e de sua utilização para melhor compreensão das formas de interação humana, o que implica em novas formas de representação, padronização, métodos, processos, repositórios, algoritmos, sistemas científicos, semântica e inteligível por máquinas.

 

 10 - As Humanidades e o Digital: Filosofando sobre a Técnica

Autores

Erick Felinto

Palavras-Chave

Filosofia, Tecnologia, Digital, Pós-Humanismo, Materialismo

Resumo

A par dos desenvolvimentos tecnológicos mais recentes, assim como das últimas teorias sobre o digital e a sociedade hipertecnológica, a filosofia tem aceito o desafio de se engajar com as questões e dilemas da virtualização do mundo e das modificações prostéticas do organismo. Desde pelo menos as reflexões de Ernst Kapp sobre a extensão do corpo e da subjetividade humanas sobre o globo e o célebre ensaio de Heidegger sobre a questão da técnica (Die Frage nach der Technik), o pensamento filosófico vem explorando temas como o pós-humanismo, a relação da arte com a tecnologia, a desmaterialização do real e as acoplagens entre sujeito e aparatos. Se o papel da filosofia é propor perguntas (Benjamin) e criar conceitos (Deleuze) a partir de um engajamento do pensar marcado por traços profundamente humanos, como seguir filosofando em um momento no qual a própria ideia do humano é posta em cheque? Este eixo propõe investigar a tecnologia a partir de perspectivas clássicas ou contemporâneas, como as de Gilbert Simondon, François Laruelle, Carl Mitcham, Don Ihde, Alexander Galloway, Vilém Flusser, Friedrich Kittler e muitos outros. Trata-se, portanto e acima de tudo, de questionar o que é fazer teoria e refletir filosoficamente num contexto em que se exige aproximações menos antropocêntricas, menos materialistas e menos antitecnológicas (Hans Ulrich Gumbrecht). Dessa forma, o eixo acolherá indagações que contemplem as reconfigurações recentes do humanismo (pós-humanismo, transhumanismo, estudos animais), as transformações do social em seu embate com as redes digitais e sociotécnicas, os impactos materiais das tecnologias no tecido da cultura e as mutações nos processos temporais e espaciais do mundo tecnologizado. Talvez caiba precisamente à filosofia (ou pelo menos a certo modo de pensar "filosófico") encontrar um campo epistemológico interdisciplinar no qual sociologia, antropologia, engenharia e comunicação estabeleçam um pacto investigativo capaz de oferecer novas visões da tecnologia. Este eixo deseja ser, portanto, um espaço de discussão para o desenvolvimento futuro de uma "nova filosofia para a nova mídia" (Mark Hansen), com igualmente inovadores conceitos e paradigmas de pesquisa com foco em uma "high techné" (R.L. Rutsky).

 

11 - Big Data e dinâmicas científicas: novas perspectivas e desafios metodológicos

 
Autores

Antonio da Silveira Brasil Junior, Lucas Correia Carvalho

Palavras-Chave

big data, cientometria, estudos da ciência, ciência e debate público

Resumo

O acesso a conjuntos enormes e diversificados de dados e informações sobre a prática científica e sua percepção pública vem redefinindo a análise das dinâmicas científicas, como nas áreas de sociologia da ciência, estudos da ciência e da tecnologia, história da ciência ou mais recentemente a “ciência da ciência”. Por dinâmicas científicas compreendemos a ampla e diversificada rede formada por pesquisadores, instituições, formas de comunicação científica e público não-especializado, através da qual vão se sedimentando ou se alterando padrões mais gerais de comunicação e de estruturação de práticas e percepções públicas da e sobre a ciência. Nesse sentido, a produção e circulação da ciência na tensão entre a inserção institucional e social dos autores e a dimensão comunicativa que o conjunto de dados coletados pode oferecer. Diante dos desafios teóricos e metodológicos impostos às análises dedicadas à ciência em seus diversos aspectos, propomos nesse eixo temático refletir sobre: 1 – as potencialidades e limites da incorporação de certas ferramentas tecnológicas, há tempos consolidadas em diversas áreas como a cientometria, pelas ciências humanas, em particular as sociais, com o intuito de criar novas formas de observação da ciência; 2 - as contribuições metodológicas para diversas áreas das ciências humanas que buscam conciliar big data e análise da ciência; 3 – a utilização de bases de indexação científica, plataformas de currículo ou outras bases semi ou não estruturadas; 4 – a utilização de dados que permitam identificar as percepções e debates públicos da ciência que envolvam não somente cientistas mas o público não-especializado, como no caso das mais diversas plataformas de mídias sociais; e, por fim, 5 – a análise da circulação, das disputas e as “guerras de edição” relativas à ciência em enciclopédias colaborativas, como a Wikipédia. Em suma, nossa proposta é fomentar um debate sobre as novas formas de observação (e de auto-observação) na era do big data.

 

12 - Ciência de Dados e Aprendizagem de Máquina aplicadas a acervos e coleções digitais

Autores

Dalton Martins, Luciana Martins, Daniela Lucas da Silva Lemos

Palavras-Chave

aprendizagem de máquina, ciência de dados, acervos digitais, coleções digitais, instituições de memória

Resumo

A proposta do eixo temático é abordar pesquisas e desenvolvimentos que se voltem para a aplicação de técnicas oriundas das áreas da Ciência de Dados e da Aprendizagem de Máquina para as diversas etapas e processos de trabalho relacionados à criação, gestão e manutenção de acervos e coleções digitais. Entende-se que processos como normalização, limpeza e transformação de dados, automação do tratamento descritivo e temático da informação, reconhecimento de entidades, extração de características, agrupamento, relacionamento entre objetos e outros temas deles derivados são atualmente fonte de grande interesse científico e técnico no campo da gestão das instituições de memória e das políticas públicas que atualmente têm se voltado para questões relacionadas a cultura e humanidades digitais.

Entende-se que o eixo temático visa estimular a discussão, o relato de experiências e a produção de iniciativas que tenham por objetivo apoiar na adoção de novas tendências conceituais e tecnológicas de apoio e ganho de produtividade no trabalho de gestão de acervos e coleções digitais. Sabe-se que os desafios de catalogação e produção de documentação de acervos relacionados às Ciências Humanas são enormes, ainda mais considerando a questões contemporâneas da geração de acervos nato digitais, tais como os oriundos de mídias sociais e de equipamentos móveis na produção de imagens, vídeos e áudios digitalizados. Algumas questões orientam a perspectiva de debate da proposta deste eixo. Quais são as possibilidades e limites da automação dos processos de documentação de acervos? Quais são as preocupações éticas relacionadas? Quais ganhos efetivos para o trabalho de gestão de coleções? Como lidar com os desafios da formação técnica dos profissionais no campo das Ciências Humanas?

 

13 - Voz e Tecnologias Digitais

 
Autores

Charles Feitosa, Ana Wegner

Palavras-Chave

voz, som, tecnologia, arte, performance, estética, política, realidade virtual. inteligência artificial, corpos transhumanos.

Resumo

O objetivo deste eixo temático é investigar a relação entre voz e tecnologias digitais em suas esferas pedagógicas, terapêuticas, estéticas, éticas e políticas, abrindo perspectivas de investigação intermediais e transdisciplinares. O tema do eixo se insere na proposta geral do HDRio23, na medida em que busca uma reflexão acerca do papel da voz na constituição do pluriverso e dos potenciais inclusivos do uso de tecnologias digitais no tratamento vocal nas ciências e na cultura. Partindo da constatação dos processos tecnológicos do desprendimento da voz em relação às suas fontes buscaremos uma reflexão acerca das possíveis implicações do advento das tecnologias digitais para o pensamento do corpo na era dos humanismos digitais. As tecnologias digitais reforçam e embaralham parâmetros e paradigmas da voz humana: entre animal e humano, entre gêneros, entre Homem e máquina, entre natural e artificial. As discussões serão dedicadas, portanto, à investigação das implicações estéticas, políticas e ontológicas do advento das tecnologias digitais sobre os corpos humanos, sobre as representações da corporeidade e sobre a propriocepção. São esperadas contribuições que indiquem e discutam reconfiguração nas interações vocais tanto do agir cotidiano, como das práticas artísticas, culturais, terapêuticas e políticas no mundo contemporâneo, tendo como dispositivos desencadeadores para discussão os seguintes tópicos: formas de transmissão e de armazenamento da voz; vozes sintetizadas nas artes, nas ciências e na cultura pop; o uso de objetos técnicos digitais na preparação vocal de atores, cantores, professores e oradores; tecnologias da tradução, relação entre texto, imagem e som; tecnologias de acessibilidade por voz;  voz e games; tecnologias de identificação e controle por voz; interações entre inteligência artificial e voz; ruído e distorção vocal; polifonia digital como estratégia política; vocal deep fake; ventriloquismo digital; voz presencial x voz remota e gambiarras sonoras para práticas vocais.

 

14 - A Era Digital e o Ofício do Historiador

 Autores

Alexandre Fortes, Carlos Valencia e Massimiliano Grava

Palavras-Chave

História Digital

Resumo

Há hoje uma crescente percepção de que a revolução tecnológica em curso nas últimas décadas vem transformando aceleradamente todos os aspectos da vida humana, e que, a despeito das imensas desigualdades e disparidades entre países e regiões, esse processo ocorre em escala global. Seria difícil identificar algum aspecto da atividade relativa à produção do conhecimento histórico que não tenha sido significativamente alterado nos últimos quinze ou vinte anos. Ferramentas computacionais, desde os processadores de texto até os sofisticados softwares de análise qualitativa ou de mineração de texto, estão cada vez mais presentes à produção e difusão do conhecimento histórico. Fontes documentais dos mais diversos tipos, sobre os mais variados temas e períodos, são hoje disponibilizadas de forma massiva na internet, enquanto fichas e cadernos de notas são substituídos por câmeras digitais e scanners quando a ida ao arquivo físico ainda é necessária. Historiadores interagem em âmbito global entre si, com alunos e com o público em geral trocando e-mails, postando em redes sociais – algumas delas criadas especificamente para uso de acadêmicos – e realizando videoconferências. A construção de sítios eletrônicos e blogs, a divulgação de vídeos didáticos e podcasts passam a ser instrumentos cada vez mais relevantes de divulgação científica e de história pública. A atuação nesse ambiente digital que permeia crescentemente a produção e circulação do conhecimento histórico desafia os pesquisadores a irem além de uma compreensão instrumental e consumista das novas tecnologias. Na perspectiva da história do trabalho, seria difícil imaginar que uma atividade profissional atravessasse um contexto marcado por mudanças tão profundas nas técnicas e instrumentos de produção, nos mecanismos que definem sua inserção no processo de circulação de artefatos culturais, com o correspondente enfrentamento de uma agenda política completamente nova, sem passar por uma profunda metamorfose.

A proposta deste eixo temático é agregar profissionais envolvidos na pesquisa, ensino e extensão em história para troca de experiências, assim como para o mapeamento dos potenciais e desafios colocados pela História Digital.

 

15 - As Humanidades Digitais na perspectiva africana dos PALOP

 Autores

Luis Frederico, Sonia Domingos, Matilde Muocha

Palavras-Chave

Narrativa Africana, aplicações digitais, impressão 3D, realidade virtual, ciência de dados, jogos virtuais, história digital, metaverso, arqueologia, educação e literacia digital, PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa

 Resumo

 Nesta área temática procuramos incluir temas que influenciam a aplicação de ferramentas digitais das tecnologias de informação de forma a tornar acessível o conhecimento cultural, científico e tecnológico produzido na narrativa africana. Estamos interessados em temas como a aplicação de  impressão digital 3D de artefatos históricos das peças arqueológicas africanas, Ciência de Dados aplicados no ensino das Humanidades Digitais, Visualização de dados, como criar aplicações práticas de suporte à pesquisa e disseminação do conhecimento dentro do contexto africano ( o caso dos PALOP), Desenvolvimento de jogos históricos africanos,  VR realidade virtual aplicada às narrativas históricas africanas.

Buscamos também saber como dar mais acesso às narrativas históricas africanas usando as as tecnologias digitais e tornar acessível o conhecimento cultural, científico e tecnológico produzido aos alunos do ensino básico ao ensino secundário adaptando o plano curricular aos novos desafios da tecnologia.  

Neste eixo temático acolheremos trabalhos sobre os seguintes assuntos, não excluindo outros que possam ser vistos como pertinentes: Base de dados para historiadores e arqueólogos que possam servir aos pesquisadores dos PALOP, Museu digital- Online - aplicação com QR code ( Angola), Acesso a peças digitalizadas, numa plataforma, base de dados para historiadores e arqueólogos; Escavações arqueológicos- digitalização de peças arqueológicas; Conteúdos multimédia e filmes de escavações arqueológicas para serem usadas no museu virtual; Utilização do metaverso para criar narrativas africanas.

Cronograma

30/04/2022 - Lançamento do site do HDRio2023, da Associação Brasileira de Humanidades Digitais (ABHD), da Revista Brasileira de Humanidades Digitais (RBHD) e do Caderno de Resumos do HDRIO20/21

30/04/2022 - Início da chamada de propostas de eixos temáticos

30/07/2022 - Fim da chamada de propostas de eixos temáticos

15/08/2022 - Anúncio do resultado dos eixos temáticos selecionados

15/11/2022 - Abertura da chamada de trabalhos para os eixos temáticos

01/01/2023 - Abertura das inscrições para o HDRio2023

31/01/2023 - Encerramento da chamada de trabalhos para os eixos temáticos (23:59 no Horário de Brasília)

24/02/2023 - Anúncio do resultado preliminar das submissões de trabalho;

28/02/2023 - Prazo final para envio (com correções) de submissões de trabalhos aprovados com ressalvas;

03/03/2023 - Anúncio do resultado final das submissões de trabalho.

16 a 20/04/2023 - Realização do HDRio2023

30/06/2023 - Prazo final para o envio opcional de artigos completos de trabalhos apresentados no HDRio2023 

 

Organizadores, Apoiadores, Parceiros



Local do Evento

Redes Sociais

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