“Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.”
Sobre a Ocupação NegriCidade
Em 7 de setembro de 1895, o trem que partiu do Arraial do Curral Del Rey levava mais do que trilhos e dormentes — levava um projeto de poder: o nascimento de uma nova capital, planejada para simbolizar o progresso e a modernidade. Belo Horizonte surgiu como emblema desse ideal, mas foi erguida sobre o apagamento de igrejas, cemitérios, espaços urbanos e das memórias das comunidades negras e indígenas que já habitavam esse território.
Realizado em parceria pela Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), pelo Projeto NegriCidade e pelo Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), a Ocupação NegriCidade tem como propósito ocupar a cidade e demarcar os territórios afroindígenas soterrados. Em edições anteriores, a ação aconteceu no Largo do Rosário (próximo às ruas Bahia, Timbiras, Aimorés e Avenida Álvares Cabral). Nesta edição, a ocupação se desloca para a Zona Cultural da Praça da Estação — antiga Vila Alto da Estação — e para o marco ferroviário, de onde partiu o chamado “progresso” da nova capital.
A iniciativa é um convite a reencontrar o antigo Arraial do Curral Del Rey — o “Arraial dos Pretos”, demolido a partir de 1894 com a instalação da CCNC – Comissão Construtora da Nova Capital, e a contar suas histórias, refletir sobre a importância histórica desse território e o apagamento da memória dos povos que ali viviam, que permaneceram sob as edificações da capital.
Prof. Dr. Pe. Mauro Luiz da Silva
Projeto de Pesquisa e Centro de Documentação NegriCidade