Diários de Pesquisa em Design
O envio de resumos e artigos para os Diários de Pesquisa em Design integra a programação do Festival KUYA Design Sul-Americano 2026, promovendo um espaço de visibilidade para pesquisas, projetos e experiências alinhados ao tema desta edição: Design para o Bem Viver.
A iniciativa busca aproximar práticas acadêmicas, comunitárias e profissionais a partir de perspectivas de escuta, criação e atuação territorial, reconhecendo o design como um campo capaz de fortalecer vínculos sociais, valorizar a diversidade de saberes e contribuir para a construção de futuros mais justos, regenerativos e sustentáveis.
Nesta edição, o tema Design para o Bem Viver orienta as reflexões do Festival a partir do reconhecimento da interdependência entre pessoas, culturas, territórios e ecossistemas. Em diálogo com perspectivas decoloniais e com os conhecimentos produzidos no Sul Global, o bem viver propõe uma compreensão ampliada do design, comprometida com a construção coletiva de futuros mais sustentáveis e regenerativos. Nesse sentido, ultrapassa noções estritamente econômicas de desenvolvimento e convida à reflexão sobre modos de existência fundamentados no cuidado, na reciprocidade, na justiça socioambiental e na pluralidade de saberes.
O Festival KUYA se alinha às políticas públicas de cultura do Estado do Ceará, em especial à Lei Orgânica da Cultura do Ceará (LOCE – Lei nº 13.811/2006), que institui o Sistema Estadual de Cultura e reconhece a cultura como direito fundamental. Também dialoga com os princípios da Política Estadual Cultura Viva, que valoriza iniciativas culturais de base comunitária, e com os esforços de formulação de um Plano Setorial de Design, que busca fortalecer o campo como área estratégica para o desenvolvimento local, sustentável e plural.
Ao promover o design como prática situada, coletiva e crítica, o Festival KUYA contribui para a consolidação de uma política cultural comprometida com a diversidade, a decolonialidade, os saberes do Sul Global e a construção de formas de vida orientadas pelo bem viver.
Os trabalhos devem se alinhar a um dos três eixos temáticos do Festival:
Eixo 1 – Design e Ancestralidade
Este eixo acolhe trabalhos que discutam as relações entre design, saberes ancestrais, memória coletiva, cosmologias não hegemônicas e práticas culturais enraizadas em territórios tradicionais. São bem-vindas propostas que reconheçam a oralidade, o corpo, o fazer manual e a espiritualidade como dimensões vivas dos processos de criação e como fundamentos para a construção de modos de vida orientados pelo bem viver.
Palavras-chave: saberes ancestrais, memória coletiva, design decolonial, territórios, oralidade, corporeidade, epistemologias não hegemônicas, bem viver.
Eixo 2 – Design e Comunidades em Rede
Voltado para iniciativas que articulem design e ações coletivas, este eixo contempla trabalhos relacionados à comunicação popular, à criação colaborativa, à produção de narrativas comunitárias e à mobilização territorial. Destacam-se propostas que fortaleçam redes de cuidado, participação social e pertencimento, contribuindo para a construção de comunidades mais resilientes, inclusivas e comprometidas com o bem viver.
Palavras-chave: comunicação popular, design colaborativo, redes territoriais, educação, publicações comunitárias, design em processos coletivos, participação social, cuidado.
Eixo 3 – Design e o Mundo do Trabalho
Este eixo acolhe experiências e reflexões sobre as relações entre design, trabalho e sustentabilidade da vida. São esperados trabalhos que abordem novas formas de produção, empreendedorismo social, cooperativismo, tecnologias acessíveis e iniciativas voltadas à geração de renda, à autonomia produtiva e à justiça socioambiental, evidenciando o papel do design na construção de economias mais solidárias e regenerativas.
Palavras-chave: economias criativas, design social, autonomia produtiva, trabalho coletivo, sustentabilidade, juventudes e trabalho, tecnologias sociais, economia solidária, regeneração.
Ações afirmativas
Com o compromisso de promover a diversidade de vozes e o fortalecimento de narrativas plurais, o Festival KUYA adotará ações afirmativas na seleção dos trabalhos submetidos. Essa medida visa garantir equidade de participação e visibilidade às produções de grupos historicamente sub-representados, em consonância com os princípios do Festival KUYA e com as políticas de cultura e diversidade do Estado do Ceará.
Será assegurado que, no mínimo, 30% dos trabalhos aprovados para apresentação oral e pôster sejam de autoria de pessoas autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, quilombolas, travestis, transexuais, transgêneros e/ou pessoas não binárias, desde que atendam aos critérios de avaliação.
A autodeclaração será realizada no ato da inscrição, por meio de campo específico no formulário. As informações serão utilizadas exclusivamente para fins de aplicação das ações afirmativas, respeitando a confidencialidade dos dados.
❗Caso o percentual previsto para as ações afirmativas não seja atingido, as vagas remanescentes serão destinadas à ampla concorrência.
Serão selecionados até 30 pôsteres e 10 comunicações orais por eixo temático, respeitando os princípios das ações afirmativas adotadas pelo Festival. A comissão organizadora reserva-se o direito de ampliar esse número, conforme a qualidade e a quantidade dos trabalhos aprovados, bem como a disponibilidade de tempo e espaço na programação do evento.
Programação dos eixos temáticos
- 05/11/2026 (quinta-feira): Design e Ancestralidade
- 06/11/2026 (sexta-feira): Design e Comunidades em Rede
- 07/11/2026 (sábado): Design e o Mundo do Trabalho