Em 2025, a sanção da Lei do Feminicídio completou dez anos. Nesse mesmo ano, segundo a Agência Brasil, o país atingiu número recorde de vítimas de feminicídio. O anuário brasileiro de segurança pública lançado em 2025, contendo dados do ano de 2024, mostrou aumento nas porcentagens de feminicídio, tentativa de feminicídio, violência psicológica e stalking. A maior parte das vítimas de feminicídio são mulheres negras, destacando que 8 a cada 10 mulheres são mortas por companheiros ou ex-companheiros (97% dos crimes são cometidos por homens). Com isso, também cresceram os números de solicitações de medidas protetivas de urgência. O anuário aponta, ainda, um aumento nos casos de estupro e estupro de vulnerável, sendo a maior parte das vítimas crianças e adolescentes. A violência de gênero e o feminicídio têm se configurado em uma epidemia social no Brasil, tornando mulheres - cis e trans - altamente vulnerabilizadas. Apesar dos inegáveis avanços no estado brasileiro, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, o passar dos anos aponta para uma urgência de adoção de medidas e estratégias mais eficazes e efetivas no combate à violência de gênero e a morte de mulheres relacionadas ao feminicídio. Desse modo, esse evento está sendo proposto, como já exposto em seu título, com o objetivo de discutir a epidemia de feminicídio no Brasil e construir um espaço de diálogo e de estratégias para proteção “das nossas”. “As nossas” são as estudantes do curso de Fonoaudiologia da UFRN, curso proponente dessa discussão, a qual integra os conteúdos da disciplina de “Epidemiologia em Saúde Coletiva”, ofertada ao 3º período do curso, mas também às demais estudantes do Centro de Ciências da Saúde e da UFRN em geral. Para tanto, foi pensada a estratégia de promover uma aula pública com essa discussão, a fim de ampliar o espaço de diálogo e incluir outros sujeitos. Esse momento também se destina aos homens que compõem a instituição, compreendendo que eles precisam ser aliados no combate à misoginia, à ‘machosfera’ e ao feminicídio. O evento também está direcionado aos servidores e docentes da instituição, além da comunidade em geral que deseje se aprofundar na temática abordada. A urgência do tema chamada à universidade e seus atores à responsabilidade, apontando uma também urgência de ampliar os debates e os espaços de proteção às mulheres, bem como o combate à misoginia e às violências cotidianas. Para tanto, realizaremos um evento no dia 29/04/2026, das 8h às 12h, no auditório da Faculdade de Farmácia da UFRN, contando com a participação de palestrantes e debatedores na área.