A Prática Baseada em Evidências (PBE) é definida pela associação da melhor evidência científica disponível, a expertise e experiência clínica do profissional, além das escolhas e valores do paciente, essa amálgama se junta para definir a melhor tomada de decisão clínica possível. Adotar essa abordagem culmina na significância em basear decisões clínicas que se alicerçam em evidências previamente investigadas com rigor metodológico e científico, isentando-se de preconceitos e integrando-se as preferências do paciente. Apesar do termo “baseado em evidências” ter se principiado nos anos 1990 pela medicina, a área da saúde contemporânea emerge com uma translocação do conceito supracitado por todo contexto multidisciplinar, como: enfermagem, odontologia, educação, serviço social e políticas públicas. Nesse sentido, estudos demonstram que seu uso pelos profissionais de saúde melhora a qualidade da assistência e otimiza os recursos, melhorando a relação custo-benefício da prestação de cuidados em saúde.
As bases epistemológicas da Enfermagem, defendida por Florence Nightingale em seus ensinamentos, envolve a aplicação dos princípios científicos no cuidado do paciente a fim de restabelecer seu estado geral de saúde, ou seja, pauta-se no alicerce da PBE, porém aplicados à enfermagem.
Um estudo bibliométrico evidenciou aumento na produção relativa a PBE na enfermagem a partir de 2009, porém existe um contraponto de que não observou-se impacto significativo na prática hospitalar, ainda centrada no desenvolvimento de tarefas, por concepção tradicional ou por subcultura médica. Assim, a Translação do Conhecimento (TC), definida como a transferência dos resultados de pesquisas para a prática clínica profissional, se torna extremamente importante para melhora desse indicador da PBE de fato implementada. Ademais, nota-se várias barreiras para implementação dessa abordagem, como: ausência de conhecimento sobre PBE e habilidades para sua aplicação, falta de crença de que a PBE possibilita resultados mais positivos comparados ao cuidado tradicional, volume exacerbado de informações em periódicos, falta de tempo e recursos para buscar e avaliar as evidências disponíveis, carência de apoio administrativo ou incentivo das instituições e resistências para mudanças.
Diante do exposto, prima-se por este evento realizar discussões que permeiam a Enfermagem Baseada em Evidências com enfoque em boas práticas profissionais em diferentes contextos da assistência de enfermagem, seus desafios, suas realidades e como transpor as barreiras para que a ciência produzida pela enfermagem seja usada em sua prática assistencial.