1. APRESENTAÇÃO
O Encontro Nordestino de Espeleologia – ENE consolidou-se na última década como um dos principais eventos espeleológicos do Brasil. Inaugurado em Ubajara, Ceará, em 1998, segue reunindo espeleólogos, comunidades e pesquisadores, sendo uma importante voz da sociedade para debater e discutir caminhos consensuais para o desenvolvimento da Espeleologia. O local escolhido ao VIII ENE é o município de Paripiranga, situado na Bahia e limítrofe com Sergipe, o que faz desse lugar único, por representar a perfeita integração tão buscada para soluções práticas e alinhamentos fundamentais à sustentabilidade.

A proposta de PARIPIRANGA 2025 começou a ser delineada a partir de 2024, quando houve um convite feito pelo GRUPO MUNDO SUBTERRÂNEO DE ESPELEOLOGIA - GMSE para a integração da ESPELEONORDESTE a um projeto de documentação e apresentação do patrimônio ambiental de Paripiranga à sociedade. Ao longo do ano, foram realizados dois momentos presenciais com a participação representantes de vários grupos nordestinos, em julho e dezembro de 2024, como o Grupo Araras de Espeleologia - GAE, o Grupo Sul Baiano de Espeleologia - GSBE, além dos anfitriões locais do GMSE e da própria Espeleonordeste. Entre as atividades e os levantamentos de campo do projeto, foram discutidas agendas ao evento, cronogramas, parcerias e possibilidades de saídas às cavernas durante uma proposta para 2025, consolidada como sendo o próximo Encontro Nordestino de Espeleologia.
No ano do Congresso Mundial de Espeleologia da UIS no Brasil, a se realizar no final de julho de 2025, em Belo Horizonte, os grupos espeleológicos do Nordeste mais uma vez se unem para apresentar soluções e novos caminhos. O VIII Encontro Nordestino de Espeleologia mostrará a todos que estiverem em Paripiranga a importância da diversidade, do respeito, da ética e da memória exercitada e valorizada em nossa prática espeleológica. Nossos esforços fortalecem as comunidades locais e convidam à reflexão e celebração, mostrando as cavernas como locais para a semeadura de saberes e aprendizagens.
2. HISTÓRIA DE PARIPIRANGA
O Paripiranga é um termo toponímico, oriundo da tonalidade avermelhada de elementos da natureza ali encontrados, provavelmente associado ao solo argiloso que recobre os morros ou se associa a rios e encostas, permeando a imaginação dos primitivos povos que ocuparam a região. Essas ocupações primitivas eram originárias dos Tupinambás, que se espalharam por terrenos férteis e com umidade beneficiada pela altitude de relevo e a relativa proximidade com o litoral. O termo não tem origem no tupi totalmente esclarecida, pois pode significar tanto a expressão “terra vermelha”, como “pari vermelho”, pela compreensão da palavra “pari” (citada como armadilha de pesca) e “pyranga” (vermelho). Desse tom vermelho vem o nome original, já que a região foi denominada como “Malhada Vermelha”. Mais tarde, essa designação evoluiu para “Patrocínio do Coité” e somente em 1931 que a expressão Paripiranga consolidou-se como a nomenclatura ao lugar.
Com a chegada dos portugueses, foram se instalando fazendas e comunidades, fomentando a subsistência a criação extensiva, especialmente a partir do final do século XVII e início do século XVIII. A lida com o gado foi fundamental à fixação do colonizador, sendo central a figura do vaqueiro pioneiro, que abriu portas à chegada de gente vinda de outras regiões da Bahia, Alagoas e Sergipe, muito atraídos pela fertilidade dos solos.

Ainda na incipiente Malhada Vermelha foi erguida em 1846 uma capela à Nossa Senhora do Patrocínio. A criação dessa uma capela foi fundamental como ponto central para a formação da comunidade local, tanto do ponto de vista religioso quanto social. Mais tarde, em 1871, o povoado foi elevado à condição de freguesia, sendo chamado de Nossa Senhora do Patrocínio do Coité, ligado à vila de Jeremoabo. Com a transformação de Bom Conselho em vila (atual Cícero Dantas), a freguesia de Patrocínio do Coité permanece ligada a esse novo centro. Em 1886, a freguesia de Nossa Senhora do Patrocínio de Coité é elevada à vila e oficialmente chamada de Patrocínio do Coité. Finalmente, a localidade foi oficialmente emanciapada em 30 de março de 1938, através de um decreto estadual, desmembrando-se do vizinho de Cícero Dantas.
