Ao iniciar um estudo sobre um determinado fenômeno, as influências sociais e culturais do grupo no qual o pesquisador está inserido serão fortemente perceptíveis no olhar construído sobre o problema. Desse modo, percebe-se que o olhar do pesquisador nunca será neutro, pois é enviesado pelas crenças e habitus que compõem seu universo. Nas investigações com seres humanos, as influências não são diferentes. A interpretação sobre o que está sendo pesquisado dependerá das percepções e visões de mundo, historicamente construídas. Questões de gênero, classe social, religião, politica, etnia, são fatores determinantes na construção de um ponto de vista único. Portanto, todo conhecimento produzido deve ser social e culturalmente referenciado, o que torna a interpretação do objeto de estudo ainda mais complexo.
Nesse sentido, a pesquisa qualitativa busca contribuir para o entendimento de diversas problemáticas oriundas das Ciências Sociais e Humanas, superando as concepções de mero “achismo”. Para Antônio Costa, pesquisador em educação da universidade de Aveiro (Portugal), “apesar da subjetividade implícita, observa-se que as abordagens qualitativas têm caminhado para o uso da palavra que os mais reticentes e positivistas consideram como propriedade das abordagens quantitativas: o rigor” (Costa, Prefácio, apud Taquette; Borges, 2020, p. 21). Ao definir os objetivos e a problemática da investigação qualitativa, o pesquisador depara-se com imensos desafios relacionados aos aspectos metodológicos, entre outros. Nessa perspectiva, entram em cena os tipos de instrumentos de coleta de dados com vista à sistematização do material a ser analisado, e, a posteriori, à produção de conhecimento. A escolha e utilização de ferramentas adequadas ao objetivo do estudo dependerá da capacidade do pesquisador em sistematizar, de maneira rigorosa, o desenvolvimento das diferentes etapas de um projeto de investigação.
Diante dos desafios impostos pelos estudos de abordagem qualitativa e da complexidade advinda das problemáticas subjacentes às Ciências Sociais e Humanas, considera-se necessária para a formação cientifica dos acadêmicos e acadêmicas da UEAP, a realização de quatro minicursos sobre “Instrumentos de Coleta de dados em Pesquisa Qualitativa” (GEPEDI/CNPq/UEAP), os quais apresentam como objetivo: contribuir para o aprimoramento do conhecimento através da elaboração de instrumentos de coleta de dados em pesquisa qualitativa na área da educação, e, desse modo, participar na disseminação do conhecimento cientifico de excelência.
Para este primeiro ciclo de minicursos, haverá quatro intervenções de pesquisadoras e pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e uma intervenção de um pesquisador da Secretaria da Educação (SEED/AP). Desse modo, as atividades propostas pelos membros do “Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Diversidade e Interculturalidade” (GEPEDI/CNPq/UEAP), servirão como um ponto de partida para uma série de outras iniciativas a serem discutidas e planejadas para os próximos semestres, relacionadas a aspectos metodológicos em pesquisa qualitativa, no âmbito educacional.