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Apresentação
É com grande alegria que
convidamos à leitura dos Anais do IIIX ENAPEGS, pesquisadores e pesquisadoras, professores e professoras,
estudantes, gestores públicos, participantes de organizações da sociedade
civil, praticantes e todas as pessoas interessadas na gestão social e suas interfaces, teóricas práticas.
O tema que sustentou essa edição do ENAPEGS foi Gestão Social: trajetória, valores e sentidos, escolhido
para nos fazer parar e (re)pensar a nossa história, nossos valores e as
direções possíveis enquanto campo de conhecimento, de práticas e de vivências.
A noção de sentido aqui é dupla e corresponde a duas questões para reflexão. a)
Que sentidos a gestão social teve e quais ela adquiriu ao longo da sua
trajetória? E, b) Que sentido tomaremos juntos para consolidação do campo e das
nossas práticas-pesquisas? Postas essas questões, é imprescindível começarmos
olhando para trás, refletindo nossos valores e sentidos no caminho percorrido
até aqui.
Ao olharmos para as
origens da Gestão Social, é fundamental reconhecer as sementes plantadas nas
edições do Colóquio do Poder Local pelos seus protagonistas. Realizados sempre
em Salvador, desde 1986, com o tema central sendo a análise dos poderes locais,
os Colóquios organizados pelo Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e
Gestão Social (CIAGS) foram essenciais para a sedimentação deste campo de
conhecimento. Por este motivo, o ENAPEGS 2025 homenageou os Colóquios do Poder
Local e seus protagonistas. Além desta homenagem, o ENAPEGS 2025 que aconteceu no mês da Consciência Negra e em Salvador contou com uma cerimônia
comemorativa, convidando mulheres negras, cientistas de destaque, reconhecendo
as contribuições fundamentais dessas mulheres para a ciência e as políticas
públicas no Brasil. Ao destacar essas vozes, o ENAPEGS 2025 não apenas enaltece suas conquistas, mas sublinha a importância de uma ciência plural para a
construção de um país mais equitativo.
Foi no início dos anos
2000 que um grupo de pesquisadores se reuniu e propôs a criação da Rede de
Pesquisadores em Gestão Social (RGS). O intuito era apoiar a realização de
pesquisas sobre Gestão Social, associada à noção de desenvolvimento local.
Posteriormente, em 2007, a RGS ganhou corpo e o primeiro Encontro Nacional de
Pesquisadores em Gestão Social (ENAPEGS) foi realizado, em Juazeiro do Norte,
no interior do estado do Ceará. Desde então, a RGS se encontra presencialmente
nos encontros nacionais, os quais vêm despertando interesse na comunidade
acadêmica brasileira. É durante e a partir dos ENAPEGS que as redes de
colaboração científica dentro do campo da gestão social no Brasil mostram o
potencial das parcerias entre pesquisadores e instituições dentro do campo.
Na edição de 2025, o
esforço da comissão organizadora conseguiu ultrapassar as fronteiras do país em
direção à África e a outros países da América Latina. Debates e momentos de
troca foram organizados sobre valorização dos saberes e experiências do Sul
Global, com pesquisadoras brasileiras, africanas e latino-americanas. O
conceito de Gestão Social é um construto conceitual brasileiro que vem se
espalhando pela América Latina e pelo mundo a partir da atuação engajada de
seus e suas expoentes. O XIII ENAPEGS certamente contribuiu com a consolidação de uma compreensão
compartilhada do conceito, a partir do campo comum, e mesmo assim diverso, do
Sul Global.
Foram 205 trabalhos submetidos, 186 trabalhos aprovados e 166 inscritos. Nestes Anais, você encontrará todos os trabalhos inscritos no evento em três modalidades: Artigo completo (científico ou tecnológico), relatos de experiência e resumos expandidos.
Esses trabalhos encontram-se distribuídos em nove eixos temáticos, cada qual com coordenação própria, que representam a diversidade e a riqueza dos estudos no campo da gestão social. Os eixos temáticos do XIII ENAPEGS resultaram do estudo e da sistematização dos temas, grupos de trabalho (GTs) e eixos dos encontros anteriores, afinadas pela coordenação de cada um com pesquisadores mais aderentes a cada eixo.
Eixo 1 - Economia social e solidária: acolhe trabalhos sobre economia popular, autogestão, formas de expressão da economia solidária e gestão de empreendimentos econômicos solidários, bem como experiências de gestão social de empreendimentos. Serão bem-vindas, reflexões sobre a ideia do econômico na sua relação com outras questões (política, ambiental, cultural etc.) e o papel das organizações coletivas no desenvolvimento e na dinamização socioeconômica e ambiental dos territórios, bem como nas relações interpessoais e de constituição da subjetividade humana. Neste sentido, trabalhos que tratem da avaliação da utilidade social dessas organizações também são aceitos neste eixo. São adequadas reflexões e análises das teorias sobre a economia solidária produzidas no Brasil e sua pluralidade de manifestações empíricas, bem como o papel do Estado no fomento e consolidação da economia solidária. O eixo engloba ainda trabalhos na linha da economia social, contemplando análises sobre o cooperativismo e as diferentes formas de associativismo e movimentos coletivos.
Coordenador/as: Ariadne Scalfoni Rigo (UFBA), Laerson Morais Silva Lopes
(UFBA), José Roberto Pereira (UFLA) e Stefania Becattini Vaccaro (UFLA)
?Eixo 2 - Políticas públicas, ação pública e gestão social transformadora:
a Gestão Social é um campo de
conhecimentos e práticas que vem sendo construído no Brasil desde o final dos
anos 1990, caracterizando-se como uma inovação brasileira, cujas raízes, pelo
menos em parte, encontram-se no pensamento crítico latino-americano. Este eixo
de pesquisa parte desse histórico para problematizar e ampliar as articulações
entre Gestão Social, Políticas Públicas e Ação Pública, em uma perspectiva
implicada com a transformação social. Embora essas interconexões sempre
tenham estado de alguma forma presentes, entendemos que, diante dos desafios
contemporâneos, é necessário reforçá-las e expandi-las, tanto em termos
normativos quanto metodológicos. A complexidade dos problemas e desafios
contemporâneos exige, mais do que nunca, valores, concepções, processos e
instrumentos renovados de gestão e por isso o adjetivo transformador à essa
categoria central de gestão social.
Nosso objetivo, portanto, é privilegiar compreensões mais
dialógicas, criativas e reflexivas desses conceitos interconectados, explorando
como a Gestão Social pode ser compreendida como um fazer, uma prática, mas
também uma epistemologia, própria das Políticas Públicas e da Ação Pública de
forma mais ampla e transformadora. Reforçamos que estamos em um momento
propício para a criação de novos espaços que avancem a ideia e a prática da
Gestão Social, e queremos incentivar abordagens que dialoguem com a tradição
crítica latino-americana, especialmente com os estudos decoloniais e os estudos
feministas, os estudos sobre desigualdades e públicos vulnerabilizados nas
políticas públicas e abordagens colaborativas de gestão, embora não somente.
Este eixo de pesquisa está aberto a contribuições teóricas
e empíricas que explorem essas articulações, e encorajamos a submissão de
artigos completos, estudos de caso e vídeos. Reforçamos, enfim, que buscamos
trabalhos que reflitam sobre as potencialidades e desafios da Gestão Social em
conexão com o campo das Políticas Públicas e da Ação Pública, contribuindo para
o avanço dessas áreas no contexto brasileiro e latino-americano.
Coordenador/as: Carla Bronzo (FJP), Rosana Boullosa (UnB) e Tatiana Sandim
( Enap)
Eixo 3 - Ação coletiva, participação e democracia: Gestão social: trajetórias,
abordagens e práticas; Perspectivas, formas e tipos de participação e
democracia; Debate contemporâneo sobre a democracia e seus desafios;
Democracia, colonialidade e Bem Viver; Crises, reconstrução e aprofundamento
das democracias; Democracia plural e democracia radical; Cidadania deliberativa
e democracia: potenciais e limites; Inovações sociais, inovações democráticas e
experimentalismo democrático; Relações entre participação, experimentação,
democracia e as políticas públicas; Interações socioestatais e governança
pública na gestão dos comuns e na resposta aos problemas e públicos;
Pluralização das formas de ações coletivas contemporâneas, experiências
públicas sociocentradas, autonomias e redes sociais; Movimentos sociais e suas
interações com a ação pública, as políticas públicas e o Estado democrático.
Coordenador/as: Anderson Luis do Espírito Santo (UFMS), Carolina Andion
(UDESC), Flávia Duque-Brasil (Fundação João Pinheiro), Jeová Torres Silva
Júnior (UFCA) e Valéria Giannella (UFSB)
Eixo 4 - Organizações da Sociedade Civil, interfaces
público-privadas e a gestão social: Mobilização e articulação de colaborações locais e externas,
coprodução e ação pública nas relações com atores diversos, filantropia,
cooperação internacional e acesso a recursos e outros tipos de apoio.
Coordenador/as: Patrícia Mendonça (USP), Zilma Borges (FGV-SP), Raniere
Moreira (UFCA) e Paula Schommer (UDESC)
Eixo 5 - Inovação e tecnologias sociais: Inovação Social; Tecnologias Sociais; Ecologia de Saberes; Epistemologias do Sul; Saberes Tradicionais e Populares; Interações entre Estado, Mercado e Sociedade Civil na construção de Inovações Sociais; Tecnociência Popular; Inovações Sociais a partir do Sul Global; Pensamento Social Brasileiro e Latino-americano em Tecnologias Sociais, Cultura e Poder na produção de Tecnologias Sociais; Inovações e Tecnologias Sociais para o Bem Público e o Bem Viver.
Coordenador/as: Verônica Macário de Oliveira (UFCG), Carla Regina Pasa Gomes (UFPE), Elaine Aparecida Araújo (UFF), Andressa Carolina do Nascimento Nunes (PUC Minas) e Armindo dos Santos de Sousa Teodósio (PUC Minas)
Eixo 6 - Pesquisa, extensão, metodologias e epistemologias em gestão social: aplicações, conhecimentos e abordagens inovadoras, teoria e prática de gestão social em organizações da sociedade civil, métodos participativos, colaborativos, multi e transdisciplinares para o desenvolvimento sustentável e a inclusão social. Prioriza a pluralidade do conhecimento em gestão social e interfaces entre ciência e saber tradicional. Abrange a coprodução e aplicações de conhecimentos e metodologias de ação social, pelo viés dialógico, e a apreciação crítica de práticas da extensão envolvendo acadêmicos, gestores públicos, setor privado e organizações da sociedade civil na coprodução de respostas para problemas em contextos diversos, rurais e urbanos. Volta-se a contribuições metodológicas e teóricas para a transformação social a partir de princípios e práticas de justiça social, trabalho decente, sustentabilidade e emancipação.
Coordenadores: Airton Cardoso
Cançado (UFT), Juan Munt (UNRC – Argentina) e Washington José de Sousa
(UFRN)
Eixo 7 - Educação, formação e aprendizagem em gestão social: o eixo terá como objetivo entender
como a gestão social contribui nas práticas de ensino, pesquisa e extensão.
Tais práticas podem ser vistas como alicerces da educação, na troca de saberes
e na construção de tecnologias sociais includentes. Sua importância na
curricularização da extensão e de práticas invasoras educacionais
Coordenador/as: Lamounier Villela (UFRRJ), Andréa Leite (USP) e Rafaela Rosa (UFRRJ)
Eixo 8 - Gestão Social e emergência climática: aborda aplicações, conhecimentos sobre a emergência climática. Prioriza a construção de conhecimentos para superação e/ou limites das mudanças abruptas e, muitas vezes, irreversíveis que afetam os ecossistemas (tipping point). Aborda os caminhos possíveis para superação da crise ambiental e climática a partir de conhecimentos produzidos que abrangem a coprodução, co-gestão, autogestão, governança e gestão de comuns. Volta-se às contribuições metodológicas, teóricas e epistemológicas para a transformação social, local, global a partir da multi e interdisciplinaridade a partir de princípios e práticas de justiça social e sustentabilidade, emancipação e lógica de ação coletiva.
Coordenadoras: Sylmara Dias (USP), Ana Vasconcelos (UNAMA), Ynis Cristine de Santana Martins Lino Ferreira
(UFRA) e Luciana Aparecida Iotti Ziglio (USP)
?Eixo 9 - Temas transversais e emergentes: este eixo temático busca reunir
trabalhos que dialoguem com a diversidade e a pluralidade presentes nas
práticas de Gestão Social, promovendo uma análise crítica sobre temas que
emergem na sociedade contemporânea. Este eixo abrange tópicos como: corpos, emoções,
artes e culturas, questões de gênero, raça e interseccionalidade, saúde mental,
religiosidades, direitos humanos, juventude, além da interface com povos
originários e comunidades tradicionais, através da agroecologia e pesca
artesanal ou mesmo outras aplicações para além destas e que não estejam
englobadas em outros eixos temáticos.
Ao longo das edições
anteriores do ENAPEGS, esses temas vêm sendo discutidos sob a ótica da
governança, democracia deliberativa e da participação social, aspectos
fundamentais na Gestão Social. Através de uma abordagem participativa, este
eixo visa explorar como esses temas podem contribuir para uma Gestão Social
mais inclusiva e sensível às demandas sociais, promovendo a construção de
espaços de articulação entre diferentes atores da sociedade civil, governos e
organizações, como já observado em edições passadas. Esta é uma oportunidade
para discutir e compartilhar experiências e teorias que integram as diversas
faces da Gestão Social em interação com esses temas emergentes e transversais,
essenciais para a explorar o alcance do campo da Gestão Social, para além das
limitações atuais de suas aplicações, buscando a construção de uma sociedade
mais justa e inclusiva.
Coordenadores: Ives Romero do Nascimento (UFCA), Edmir Amanajás Celestino
(UFRRJ), Edna Ferreira
Alencar (UFPA), e Mariana Lima Bandeira (Universidad Andina Simon Bolivar)
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Responsável
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