O paradigma eurocêntrico que orientou o desenvolvimento das ciências ditas exatas estabeleceu, para além de seus conteúdos disciplinares, determinados ideais em torno daquelas pessoas que estariam aptas a engajar-se neste empreendimento. As características que são usualmente associadas à figura “dO cientista”, e mesmo a dO professor de matemática espelham uma encruzilhada de normas sociais historicamente contingentes. Este profissional é facilmente representado no imaginário popular como um homem branco, cisgênero, heterossexual, cristão, de classe média ou alta, neurotípico e sem deficiências de quaisquer naturezas. Além disso, atributos como razão, inteligência acima da média, persistência na condução das pesquisas e amplo uso de ferramentas matemáticas para produção de conhecimento cooperam para conferir ao cientista o privilégio de “dizer a verdade”. Portanto, os discursos produzidos pelas ciências ditas exatas circulam na sociedade dotados de “efeitos de verdade”, ao mesmo tempo em que estabelecem os critérios para determinar a “certeza” dos discursos produzidos por outras instâncias sociais. Tais estereótipos sobre o que significa “ser cientista” limitam, por sua vez, a forma como as pessoas se relacionam com as diversas áreas científicas, em particular, com a matemática e com a física. Ao longo das últimas décadas temos testemunhado um crescimento significativo de pesquisas denunciando casos de violência sofridos muitas vezes por mulheres, pessoas negras e, mais recentemente, por dissidentes das cis-heteronormas (pessoas LGBT+) quando do estudo de algum ramo dessas ciências ditas exatas. Outras pesquisas têm buscado ainda explicitar como a visão estereotipada dO cientista atua como ficção reguladora responsável por moldar subjetividades e conferir privilégios a determinados corpos em detrimento de outros. É urgente reconhecer essas ciências ditas exatas, a matemática, como produções humanas, histórico-cultural e socialmente situadas, e que espelham as humanidades e intencionalidades políticas de quem as produz. A matemática e áreas afins devem ser “estranhadas” (na perspectiva dos Estudos Queer), assim como as práticas de ensino, para não reproduzir e naturalizar os estereótipos associados a quem se dedica e costuma ter sucesso nelas, desracializando-as, desgenerificando-as e dessexualizando-as, pelo menos. Mais que isso, criando mecanismos de fomento, visibilização e reconhecimento de corpos políticos contra-hegemônicos na produção e recriação dessas áreas a partir da valorização das diferenças.
O texto acima é adaptado do Simpósito Temático 23, "Que corpos podem ocupar as ciências ditas exatas?", proposto pelo Grupo MatematiQueer de Pesqusisa e Extensão no âmbito do XI CINABETH - Congresso Internacional de Diversidade Sexual, Etnicorracial e de Gênero. Na 1ª Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática (E²GSEM) - evento internacional - estamos particularizando a temática para o campo da Educação Matemática, área que se dedica - em poucas palavras - a compreender processos de produção, de ensino e de aprendizagem de matemática, de modo histórico, político e socioculturamente situado. Na E²GSEM queremos refletir sobre que papeis podem ter meninas e mulheres e pessoas LGBT+ nos campos da Matemática e da Educação Matemática. Queremos discutir sobre representatividade, sobre interseccionalidade, sobre criar ambientes seguros para que essas e outras minorias sociais possam se sentir confortáveis ao escolher essas áreas profissionalmente. Queremos ter a oportunidade de conhecer melhor os campos dos Estudos de Gênero e Sexualidades, dos Feminismos, dos Estudos Queer, das Mulheridades e Masculinidades, das Epistemologias Trans e demais assuntos que se articulem ao escopo do evento. Nos interessa discutir o papel político da (Educação) Matemática, visando uma formação que prepare profissionalmente docentes a planejarem e implementarem aulas de matemática que considerem e valorizem as diferenças, que sejam antidiscriminatórias, em particular, antimachistas, antissexistas, antiLGBT+fóbias, anticapacitistas, antirracistas etc.
A carga-horária de certificação de participação no evento será de 40h.
Fique atualizada/e/o sobre a E²GSEM no Instagram @matematiqueer!
Sobre a submissão de trabalhos e publicação dos Anais
Convidamos todas/es/os a submeterem trabalhos (resumos entre 250 e 500 palavras) compartilhando uma reflexão teórica, pesquisa concluída ou em andamento, ou fazendo um relato de experiência de ensino ou extensão no campo dos Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática ou que tenha como protagonistas meninas, mulheres ou pessoas LGBT+ no campo das Ciências ditas Exatas. Também serão bem-vindos textos articulando o tema do evento com as áreas com formação docente, currículo, inclusão, história da matemática e da educação matemática etc.
Atenção: para a submissão de trabalho, todas as pessoas autoras devem estar inscritas no evento.
Todos os trabalhos aprovados, e que forem apresentados, serão publicados nos Anais do Evento. Alguns dos trabalhos aprovados e apresentados poderão ser convidados pela Comissão Científica para compor, em versão completa, um e-book. Mais detalhes serão divulgados após o evento.
Atividades
{{item.titulo}}
{{item.horaInicio}}-{{item.horaFim}}
Informações importantes sobre sua participação ao longo do evento
O evento terá atividades a partir das 09h do dia 17 de junho, próxima segunda-feira. É muito importante que vocês acessem nosso site para conferir a programação detalhada.
Ao longo da semana do evento, disponibilizaremos o link para cada atividade até 1h antes do início de sua realização. Para ter acesso ao link, é necessário fazer login no site do evento.
Como o evento é pago, pedimos que não passem o link para pessoas não inscritas.
As inscrições para as Oficinas serão realizadas até o momento de sua realização, desde que existam vagas.
Informação importante: o evento será realizado por meio do site da Even3, do Google Meet e da plataforma Zoom. Para uma melhor experiência, recomendamos que baixem com antecedência o aplicativo Zoom no computador/tablet/celular que usarão para acompanhar o evento.
Como já informamos, os trabalhos poderão ser apresentados utilizando não mais que sete slides - sendo o primeiro a capa e o sétimo exclusivo para referências - ou seja, apenas CINCO slides para o conteúdo a ser apresentado.
A apresentação com slides não é obrigatória, as pessoas que desejarem apresentar apenas oralmente, sem o apoio de slides, poderão fazê-lo.
Cada apresentação deverá ocorrer em, no máximo, 10 minutos, restando 5 min para breves comentários sobre cada trabalho. Por uma questão de educação e de prestígio ao trabalho das/des/dos colegas, espera-se que as pessoas que apresentarem em determinada sessão, permaneçam nela durante toda a sessão, não entrando apenas no horário de sua apresentação e saindo em seguida.
Estamos abrindo inscrições para a oferta de oficinas com 2h ou 3h de duração, a serem realizadas nas manhãs da semana do evento, ou no dia 17 de junho a tarde.
Apenas pessoas inscritas no evento podem submeter Oficinas.
As propostas de Oficinas devem ser submetidas para matematiqueer@im.ufrj.br, indicando:
- título;
- resumo com até 250 palavras e 3 palavras chave;
- indicação da carga horária, se 2h ou 3h;
- nome completo das pessoas autoras, tais quais utilizados na inscrição do evento;
- indicação de preferência de dias e turnos para realização da Oficina. Lembrando que as opções são: dia 17 manhã; dia 17 tarde; dia 18 manhã; dia 19 manhã; dia 20 manhã; dia 21 manhã. Infome todas as suas possibilidades.
Informação importante sobre as inscrições:
As pessoas associadas à Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), com anuidade de 2023 quitada - para inscrições até 31 de março de 2024 - ou com anuidade de 2024 quitada - para inscrições a partir de 01 de abril de 2024, podem ter desconto de 20% no valor da inscrição. Para usufruir desse desconto, basta enviar o Comprovante de Quitação (baixado no site da SBEM) para matematiqueer@im.ufrj.br e solicitar o cupom de desconto.