O VII Colóquio, realizado em memória ao legado de Hermenegildo Bastos – idealizador de sua primeira edição em 2014 e de quem nos despedimos em 2020 –, tem como finalidade proporcionar a continuidade da discussão sobre a atualidade do realismo. A partir da crítica literária dialética (Marx, Lukács, Benjamin, Kracauer, Bloch, Candido, Schwarz etc.), pretende-se debater as relações entre arte e vida: a forma como a literatura, em seus limites e possibilidades, capta as contradições da realidade e produz tanto uma crítica da vida quanto põe à luz o núcleo da vida – as relações sociais humanas. Considerando-se o realismo, não, como uma reprodução minuciosa do real, mas, precisamente, como a recusa à mera reprodução das condições presentes na vida coisificada, compreende-se que a arte realista produz uma contra imagem, diversa do mundo empírico, pela qual questiona a realidade protocolar e reificada (distópica) contrapondo-a à dimensão utópica da criação artística, um mundo antropomórfico, inclusive, superior ao mundo contemporâneo. Assim, de forma aparentemente paradoxal, a não conciliação da literatura com o mundo é a garantia da atualidade de seu realismo, como expressão dos elementos distópicos do presente e como descobrimento da utopia latente e historicamente necessária para a afirmação do gênero humano. Dessa forma, os pesquisadores do Brasil e da Argentina reunidos neste VII Colóquio discutirão a atualidade do realismo sob o prisma dos contrastes entre utopia e distopia no desenvolvimento das formas artísticas.