Bem-vinde à VI Semana de Agroecologia da UFRJ de volta ao presencial!
A fome está diretamente conectada ao abismo de desigualdade na posse de terras no Brasil, a raiz da situação tem o seu viés reforçado no momento em que finda o período escravocrata e as pessoas libertas não têm direito à terras. O Brasil com essa característica de ocultar os seus problemas sociais estruturais, faz com que a realidade fuja do alcance ocular daqueles que não querem saber.
As heranças deixadas pela invasão da coroa portuguesa produziram sentidos profundamente dolorosos e desconexos sobre o que é a posse de terras, neste vasto território chamado Brasil. Ao assumir capitanias hereditárias, o sentido de territorialização tomou um rumo espantoso quando, entendemos que uma única família passa a ter em mãos o território de diferentes populações, expulsando os povos originários de seu próprio espaço construído a gerações. Diversos povos indígenas foram desbancados de suas terras com obrigatoriedade de ceder ao invasor e, ainda, serem escravizados.
Na atualidade, percebemos como o controle dos alimentos está concentrado em poucas corporações internacionais, que constroem suas próprias narrativas do "alimento" a ser consumido, e de como o ele é produzido e distribuído.
Com essa visão do alimento enquanto mercadoria implantada pelo capitalismo a fome se torna um projeto político, onde certas populações são excluídas e enfraquecidas. Sabemos que a fome no Brasil tem cor e endereço, sendo principalmente sentida pela população negra e periférica. Assim, o alimento perde seu componente cultural e territorial, sendo visto como commodite, uma mercadoria internacional.
A Economia, ditada pelo capitalismo, com seus argumentos deixa transparente que o alimento é uma mercadoria apenas, isso produz uma normalização do não acesso, deixando marcado que alcançar a dignidade de comer do que é bom, limpo e justo é para quem tem condições financeiras de fazer.
A fome se veste de diferentes maneiras, é sistêmica e se propaga em progressão geométrica, é urgente pensarmos de maneira articulada com os diferentes atores sociais para curar essa ferida aberta no país. Pensar maneiras e ações estruturantes que possam ser fundamentadas dentro de programas que promovam a extinção do prato vazio, se faz valer na base de fomentar o campesinato potente e real para o povo.
A agroecologia é um bem comum a todos nós, embutido no bem viver de cada um e que só prospera se passado de geração para geração, sendo essa a melhor herança, porque comer alimenta tudo; o corpo, as relações e o bem estar físico e emocional entre os povos.
Alimentação adequada e saudável é um direito de todes!
Construída coletivamente pelos projetos de extensão que compõe a Rede de Agroecologia da UFRJ, a VI SA contará com rodas de conversa, oficinas, vivências agroecológicas rurais e urbanas e exposições artísticas. Fique de olho que ja ja sai a programação!