A Cardio-Oncologia é uma habilitação médica, oriunda da necessidade de
interação entre as duas especialidades Cardiologia e Oncologia, no sentido de
prevenir, diagnosticar e tratar as complicações cardiovasculares relacionadas a
evolução e tratamento do câncer, objetivando maior sucesso no tratamento oncológico,
com menor risco de eventos cardiovasculares, e especial atenção a cardiotoxicidade
associada a alguns quimioterápicos e imunoterápicos que podem determinar
significativo impacto na sobrevida do paciente com câncer.
Tal condição pode resultar no aumento da morbi-mortalidade decorrente de
disfunção ventricular, insuficiência coronária aguda, hipertensão arterial,
arritmias e eventos tromboembólicos proporcionado pelo aumento da sobrevida do
paciente oncológico, envelhecimento da população e o surgimento de novos agentes
quimioterápicos com efeitos colaterais por cardiotoxicidade.
Atrelada às doenças cardiovasculares e oncológicas que ocupam o primeiro
e segundo lugares no índice de mortalidade dos brasileiros em muitas faixas
etárias, tornando-se um grande desafio epidemiológico, torna-se ainda mais do
que necessário a qualificação de profissionais especialistas, sendo a formação
no âmbito de programas de residência o padrão-ouro dessa qualificação.
Pensando nisso, profissionais da saúde especializados e capacitados a
identificar, prevenir, diagnosticar e tratar pacientes com câncer de forma
holística, sobre as doenças cardiovasculares, são cada dia mais necessários
para estarem presentes na linha do cuidado das terapias oncológicas.
Dessa forma, o ensino da Cardio-Oncologia deve seguir os princípios de
abordagem integral do indivíduo, visando formar profissionais para que ofereçam
a assistência médica de excelência aos pacientes oncológicos que sofrem com as
patologias cardíacas. Já os programas de residência médica em cardiologia, após
o devido credenciamento pela Comissão Nacional de Residência Médica, podem
ofertar a opção de um ano adicional em cardio-oncologia aos médicos residentes
que se interessarem por esse ramo da especialidade.
Obviamente que acompanhando o processo de aperfeiçoamento ao atendimento
em cardio-oncologia torna-se imprescindível a integração com os demais
profissionais de saúde, e sendo assim programas de residência
multiprofissionais também devem ser implantados, a fim de gerar uma completa
abordagem na linha de cuidado especializada.