A palestra “Arquitetura subterrânea no Cerrado: diversidade de sistemas subterrâneos e adaptações à recorrência de fogo” apresenta uma síntese sobre como as plantas se mantêm em um dos ecossistemas mais suscetíveis ao fogo no planeta. Entre as síndromes de adaptação ao fogo, a apresentação ressalta a variedade de estruturas subterrâneas responsáveis pela regeneração e manutenção das espécies. O Cerrado é caracterizado como um laboratório evolutivo, em que a recorrência de incêndios, a seca sazonal e os solos pobres moldaram estratégias adaptativas convergentes entre diferentes linhagens vegetais. Nesse contexto, o banco de gemas subterrâneo se destaca como um elemento central da resiliência, possibilitando um rápido rebrotamento após distúrbios. A palestra enfatiza o fogo como um filtro ecológico que favorece plantas com alta capacidade de regeneração e proteção de tecidos vitais, evidenciando que sobreviver no Cerrado não implica em evitar o fogo, mas em resistir e se recuperar dele. Por fim, a discussão aborda as implicações para a conservação diante das mudanças no regime de fogo, ressaltando que a verdadeira diversidade do Cerrado se encontra abaixo da superfície do solo, fruto de milhões de anos de evolução.