
O evento “Diálogos Interdisciplinares sobre os impactos e efeitos da mineração no Rio Grande do Sul”, previsto para ocorrer em três dias, será um espaço fundamental para discutir e enfrentar a crescente pressão da mineração sobre os territórios gaúchos.
Este evento surge em um contexto crítico, marcado pela nova guinada global em direção aos chamados “minerais estratégicos” e “terras raras” para a "transição" energética, que, sob o discurso da sustentabilidade, acaba por justificar a expansão de projetos extrativistas e gerar novos conflitos socioambientais em comunidades brasileiras.
A proposta do encontro é enraizada na trajetória do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração). Construído desde 2012 no Pará, a partir do enfrentamento ao Projeto Grande Carajás da Vale, o MAM representa a acumulação das lutas amazônicas de indígenas, quilombolas, ribeirinhos e camponeses contra o desapossamento e a espoliação histórica promovida pelo capital mineral.
Dessa forma, o evento gaúcho pretende realizar ponte interdisciplinar entre o conhecimento tecnocientífico de atuantes na temática e a realidade prática das populações afetadas. Ao reunir esses atores, a proposta central é fortalecer a organização popular no estado, debater o ritmo da extração e os locais onde se pode ou não minerar, alinhando-se à bandeira do MAM “por um país soberano e sério, contra o saque dos nossos minérios” à uma Ciência Popular.





