A Mitologia Nórdica ocupa um lugar central na criação de identidades no Ocidente desde o século XVIII, com o denominado “Renascimento Nórdico”. Seja na sua forma mais clássica, com os usos nacionalistas e políticos - forjadores de identidades sociais para nações já estruturadas ou ainda em formação - seja para um público ávido e consumidor das narrativas antigas, os mitos nórdicos fascinam, entretêm, educam, disciplinam e são modelos. Nos tempos mais recentes, eles voltaram a ser forjadores de identidades religiosas, com o neopaganismo nórdico. Não importando qual a sua faceta dentro da recepção, hoje os mitos nórdicos aparecem em músicas, em séries de streaming, em jogos eletrônicos – eles estão por toda a parte. Dentro deste referencial, o VIII Ciclo de Debates do NEVE apresenta diversas pesquisas relacionadas à recepção dos mitos nórdicos, do Oitocentos até os nossos dias, pensando de maneira crítica e reflexiva em como estes receptores (políticos, artistas, público, acadêmicos), entenderam e usaram (ou usam) as antigas narrativas míticas, dentro de um fundo de expectativa de crenças individuais e sociais de cada época: os mitos como artefatos culturais da recepção. Buscando as razões, causas e motivações de cada releitura, adaptação ou interpretação, mas pensando sempre a recepção como uma apropriação ativa.