As noções de corpo, natureza e técnica vêm se consolidando no âmbito da investigação filosófica e isso não é gratuito: com o avanço do projeto modernizador, os processos e objetos técnicos têm ocupado (ou invadido), aparentemente, todas as esferas da vida. Os sistemas naturais têm sido objeto de exploração e intervenção radicais, de maneira a gerar efeitos cada vez mais nocivos à dinâmica dos processos vivos. Quanto ao corpo, após a crítica de categorias metafísicas tradicionais, manifesta-se como um lócus privilegiado de investigação acerca dos limites e potencialidades do humano (e do eventual horizonte pós-humano).
Mais do que domínios apartados, corpo, natureza e técnica apresentam-se como esferas intimamente conectadas. As fronteiras, que historicamente foram levantadas entre elas, vêm sendo derrubadas. Isso fica patente com o desenvolvimento de áreas tecnocientíficas como a Cibernética e as Inteligências Artificiais – que colocam em questão a distinção entre o sistemas naturais e artificiais – e de áreas humanísticas como a antropologia social e cultural – que tornam incerta as distinções estanques entre o que é próprio do domínio da natureza e o que é próprio do domínio da cultura, além de indicar, entre outras, a interdependência entre os domínios do imaginário e do simbólico para com os domínios das práticas e técnicas culturais e corporais. No âmbito da Filosofia, as noções de corpo, natureza e técnica vem sido abordadas, sob diferentes aspectos, por diversos autores, como Maurice Merleau-Ponty, Martin Heidegger, Gilbert Simondon e, mais recentemente, Bernard Stiegler, Donna Haraway e Céline Lafontaine.
A pluralidade de autoras e autores que têm pensado essa tríade revela a fecundidade dessas noções. As circunstâncias históricas em que nos encontramos, hoje, diante do avanço devastador do desenvolvimento tecnocientífico e capitalista, que ameaça não somente as instituições humanas, mas a biodiversidade; a proliferação de dispositivos e objetos técnicos de controle e de governo dos corpos; bem como a precarização do acesso aos bens naturais revelam a urgência do estudo e do debate acerca das noções de corpo, natureza e técnica para a tarefa de pensar a nossa época.
CHAMADA PARA O EVENTO
A primeira edição do Colóquio Corpo, Natureza e Técnica: Incursões, Relações e Rupturas, ocorrerá nos dias 18 e 19 de setembro de 2025 nas instalações da Universidade Federal do Paraná no campus Reitoria.
O Evento acontecerá em formato presencial e tem como objetivo criar um espaço de diálogo para que estudantes de diferentes Universidades e Programas de Pós-Graduação em Filosofia e áreas afins apresentem trabalhos e divulguem projetos e linhas de pesquisa relacionados ao tema do Colóquio.
As atividades ocorrerão nos períodos da manhã, tarde e noite.
Os comitês científico e organizador avaliarão os resumos submetidos para as mesas de comunicação que se enquadrem nas seguintes linhas de pesquisa:
História da Filosofia Moderna e Contemporânea;
Ontologia e Metafísica;
Filosofia das Artes e Estética;
Filosofia Política e Ética;
Filosofia das Ciências e das Técnicas;
Fenomenologia e Epistemologia.
Tendo em vista a equivocidade das noções de corpo, natureza e técnica, assim como a polissemia das abordagens em relação a esses conceitos e a seus possíveis vínculos e rupturas, trata-se de pensar a fecundidade dessas noções a partir de diferentes perspectivas filosóficas.
Sendo assim, convidamos estudantes de graduação e pós-graduação que se interessam pela temática do evento e por sua interdisciplinaridade a fazer parte do Colóquio Corpo, Natureza e Técnica: Incursões, Relações e Rupturas.
AS SUBMISSÕES PODEM SER REALIZADAS GRATUITAMENTE POR MEIO DO SEGUINTE LINK: submissão-resumo-colóquio
COMITÊ CIENTÍFICO
Prof. Dr. André Macedo Duarte (UFPR);
Prof. Dr. Antonio Edmilson Paschoal (UFPR);
Prof. Dr. Eduardo Salles Barra (UFPR);
Prof. Dr. Leandro Neves Cardim (UFPR);
Prof. Dr. Ronei Clécio Mocellin (UFPR);
Profa. Drª. Veronica Calazans (UTFPR).
ORGANIZAÇÃO
Christopher Jonathan Moro (Doutorando em Filosofia/UFPR);
Jorge Luiz Domiciano (Doutorando em Filosofia/UFPR);
Pedro Paulo Zanforlin Netto (Doutorando em Filosofia/UFPR);
Sônia de Souza e Silva (Doutoranda em Filosofia/UFPR).