A
Escandinavística antiga e medieval teve início após o denominado Renascimento Nórdico, em 1755, assentada
especialmente em dois temas de pesquisa: as sagas islandesas e a mitologia
nórdica. No início, os pesquisadores preocuparam-se muito mais com as traduções
de fontes medievais para as línguas vernáculas e o latim, mas com o tempo,
foram publicados estudos acadêmicos analisando estes materiais. Na primeira
metade do século XIX, houve estudos sobre as religiões escandinavas
pré-cristãs, as primeiras investigações de arqueologia e história dos vikings e
as primeiras pesquisas em torno da literatura medieval escandinava. Na segunda
metade, surgiram as primeiras sistematizações, como a monumental Normannerne, em quatro volumes
(1876-1882). O século XIX, de maneira geral, produziu diversos estudos
acadêmicos extremamente dependentes de ideais nacionalistas e políticos, tanto aqueles produzidos em línguas escandinavas, quanto no alemão, francês e inglês.
Esse panorama começou a ser modificado com o século XX, além da enorme complexificação
de diversas áreas da Escandinavística: a linguística, a runologia, a
paleográfica, a folcloristica, os estudos de recepção, etc. Novas perspectivas
de investigação da cultura material e arqueológica (de técnicas de campo,
laboratório a datações), novos conceitos e metodologias, bem como novas
perspectivas (múltiplas conexões do mundo nórdico com a afroeurásia), ampliaram
o nosso entendimento sobre a Era Viking e o seu legado medieval. Sabendo da
dificuldade de sintetizar todos os espectros investigativos da
Escandinavística, o CEVE de 2026 concentra-se em torno de três eixos
principais, os mais seguidos pelos pesquisadores brasileiros até o momento: a
História e a Arqueologia da Escandinávia; a Mitologia Nórdica; os estudos de
recepção do viking e dos mitos nórdicos. Convidamos todos os interessados a
discutir, a debater e a apresentar as suas pesquisas, fortalecendo ainda mais o
campo da Escandinavística antiga e medieval em nosso país.
A Escandinávia
Antiga e Medieval sob a ótica da entomologia
Fabiana Gama Chimes
Características
da linguagem literária n’A Saga de Njáll
Geraldo Augusto Fernandes
Linguagem e poder
na Normandia do século X: uma aristocracia bilíngue?
Matheus Brum Domingues Dettmann
Formalismo,
substantivismo e pós substantivismo: uma breve apresentação das teorias
econômicas sobre o período Viking
Munir Lutfe Ayoub
GT 2 — Mitologia Nórdica
Quinta-feira, 12 de novembro de 2026 | 19h–21h30
Coordenação:
Victor Hugo Sampaio Alves; Leandro Vilar Oliveira
Donzelas da
guerra: a representação das valquírias nas mídias japonesas
Leandro Vilar Oliveira
Negociando a
violência: o que os motivos recorrentes do lobo nas narrativas
nórdico-islandesas antigas podem revelar sobre as tensões em torno dos
úlfheðnar?
Victor Machado Soares
Skjǫldr e Scyld
Scefing: o herói e os deuses nórdicos no prólogo de Beowulf
Samuel Renato Siqueira Sant’Ana
Odalismo: a
construção de uma religião neonazista a partir da ressignificação de uma runa
Helena Mancebo Soares
A ruína do
soberano: medievalismo lúdico e recepção intermidial na figura de Odin em God of
War Ragnarök (2022)
Thaïs de Matos Barbosa; Victor Hugo
Sampaio Alves; Glezia Alves de Melo
GT 3 — Recepção de temas nórdicos
Sexta-feira, 13 de novembro de 2026 | 19h–22h
Coordenação:
Isabelle Maria Soares; Glezia Alves de Melo
Nornavegr: o
imaginário nórdico e a construção de uma identidade autoral
Ariel Suzana Rodrigues Ramos
A construção da
imagem de Loki na Dinamarca setecentista: um estudo iconográfico da obra: A
Morte de Balder de Johannes Ewald (1775-1780) e de Johannes Wiedewelt
(1731-1802)
Glezia Alves de Melo
Entre mito e
memória: a construção do heroísmo em Ashe: Mãe de Guerra
Mateus José Aleixo Miranda
O cíclico
Ragnarok em Thor: representações da mitologia nórdica nas histórias em
quadrinhos da Marvel
Savio Queiroz Lima
A camponesa, a
princesa e a rainha: a adaptação da personagem Áslaug na série Vikings
Verônica Kelly Gomes Silva
A recepção dos vikings no filme ‘O homem do Norte’
Daniel Beltrão Moreira Félix
Submissões de Resumos
Data limite para envio dos resumos: 10 de outubro de 2026
Submissão de resumos aos Grupos de Trabalho
Os resumos para participação nos Grupos de Trabalho (GTs) do XIV CEVE Escandinavística deverão ser enviados diretamente aos dois coordenadores do GT escolhido, utilizando os endereços de e-mail informados abaixo.
Importante: o envio deverá ser realizado simultaneamente para ambos os e-mails da coordenação do respectivo GT. Recomenda-se conferir atentamente o grupo de trabalho selecionado e os endereços eletrônicos antes do envio.
A seguir, estão disponíveis as ementas dos GTs, os nomes de seus coordenadores e os respectivos contatos para submissão dos resumos.
GT 1: Escandinávia Antiga e Medieval
Este GT
reúne pesquisas sobre a Escandinávia antiga e medieval, da Idade do Bronze até
o fim do Medievo. Aceita trabalhos sobre cultura material, sociedade,
religiosidade, temas históricos, iconografia, cotidiano, arquitetura,
runologia, navegação, comércio, diáspora, colonização nórdica, escravidão,
pluralidade cultural e meio ambiente. O objetivo é fortalecer os estudos
escandinavísticos no Brasil, promovendo debates científicos a partir da
História, Arqueologia, Ciências das Religiões e demais áreas das Ciências
Humanas.
Este GT acolhe
pesquisas voltadas ao estudo da mitologia nórdica, com foco em fontes como
Eddas, sagas, poemas e materiais visuais da Era Viking, incluindo pedras
rúnicas, pedras gotlandesas, cruzes, hogbacks, pingentes e estatuetas. Também
são aceitas investigações sobre aspectos culturais, sociais, simbólicos e
literários dos mitos, bem como estudos de mitologia comparada, desde que a
mitologia nórdica permaneça como eixo central. A proposta busca reunir
diferentes métodos, teorias e abordagens para analisar os mitos nórdicos em
seus contextos antigos e medievais.
Este GT
recebe trabalhos sobre a recepção, apropriação e ressignificação de temas
nórdicos, especialmente mitologia nórdica e representações dos vikings, em
produções culturais modernas e contemporâneas. As pesquisas podem articular
fontes antigas, como Eddas, sagas e poemas escáldicos, com literatura, artes
visuais, cinema, quadrinhos, jogos eletrônicos, cultura pop e outras linguagens
midiáticas. O foco está em compreender como temas nórdicos foram
reinterpretados em diferentes contextos artísticos e culturais, mantendo a
centralidade dos vikings e dos mitos nórdicos.
Os proponentes deverão enviar em fonte Times New Roman, espaço simples (em arquivo Word), com no mínimo 250 palavras e no máximo 500 palavras, contendo seu nome completo, titulação e vinculação acadêmica (ser pelo menos graduando em qualquer área do conhecimento, com vínculo em qualquer instituição) ou ter concluído algum curso superior universitário. As informações pessoais (curso, universidade, e-mail, Orcid ou link do Lattes, com bolsa ou sem bolsa e órgão de fomento, se houver) devem estar em nota de rodapé. Serão permitidas propostas de comunicações no máximo em dupla. Cada proponente só poderá inscrever-se com uma proposta de apresentação oral. O resumo deve conter título em negrito, centralizado e possuir o texto justificado em espaçamento simples. O texto deve ser escrito em um único parágrafo, contendo os objetivos, indicação das fontes primárias e principais teorias e metodologias ou autores adotados na pesquisa. Ao final deve-se inserir uma bibliografia de no mínimo quatro e no máximo dez referências e quatro palavras-chave.