Dentre os poucos romances publicados por Domingos, Luzia-Homem guindou-lhe ao reconhecimento da historiografia literária brasileira. O escritor, que era também ator e teatrólogo, atuava muito mais como advogado do que como romancista. Formou-se em 1873 em Recife, fixando-se em Sobral. Olímpio foi encarregado pela Câmara para elaborar o Código de Posturas de Sobral de 1876, cujo conteúdo infelizmente não foi encontrado. Esta tarefa certamente deu-lhe o estofo necessário para o entendimento das relações sociais no espaço urbano. No ano seguinte à elaboração do Código, sobreveio a grande seca de 1877-1879, retratada em Luzia-Homem. No terceiro ano da estiagem, em 1879, Domingos Olímpio emigrou para Belém do Pará. Suas últimas impressões da terra natal foram seguramente marcadas pelo drama da calamidade.
O espaço urbano é o cenário daquele drama. Misturando nomes fictícios com verossímeis e outros ainda verdadeiros de fato, cada personagem de Domingos Olímpio está ligado a determinados lugares da Cidade, revelando-lhes as condições socioespaciais durante a seca. A análise da obra pela perspectiva dos aspectos da morfologia urbana é um campo ainda a ser explorado.
O objetivo deste projeto é extrair as descrições urbanas e arquitetônicas de Sobral da segunda metade do século XIX, citadas no romance Luiza-Homem, e visitar tais lugares comparando as permanências e rupturas.
O evento será uma vivência em forma de roteiro, com a participação de membros das academias de letras de Sobral, do Ceará e do Brasil. Destaca-se como oportuna a vista da bisneta do autor, Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, acadêmica da Academia Brasileira de Letras, que estará na cidade à convite da Academia Sobralense de Estudos e Letras - ASEL, para as comemorações de 175 anos de nascimento do seu bisavô, Domingo Olímpio Braga Cavalcanti. A autora proferirá palestra sobre Domingos Olímpio em sessão solene no auditório do Uninta no dia 18-09-2025. Na manhã seguinte haverá um passeio pelos principais marcos arquitetônicos de Sobral, onde serão lidos trechos com as descrições da época, da pena de Domingos Olímpio, com explicações arquitetônicas sobre as eventuais rupturas na morfologia dos edifícios. No roteiro destacam-se:
Matriz de N.S da Conceição; Casa do Capitão Mor; Casa de Câmara de Cadeia; ruínas do Teatro Apolo; ruínas do Mercado da Gangorra; Praça da Coluna da Hora onde existia o mercado citado no romance e Igreja de N. S. do Rosário dos Pretinhos.