O evento Análise do Discurso no Cerrado: Gênero e Sexualidade na Educação Básica tem como proposta reunir pesquisadoras (es), estudantes e interessadas(os) na Análise do Discurso (AD), em suas múltiplas vertentes, com o intuito de fortalecer os estudos discursivos no Centro-Oeste brasileiro. O evento emerge da urgência de promover encontros que possibilitem o compartilhamento de saberes, experiências de pesquisa e reflexões críticas sobre linguagem, ideologia, sentidos e resistência, em diálogo com o território em que se inscreve: o Cerrado. A AD constitui uma ferramenta teórico-metodológica fundamental para compreender a linguagem como prática social, atravessada por relações de poder, ideologia e história. Apesar de sua relevância, os espaços de debate e formação continuada sobre AD ainda são concentrados em alguns polos do país, sendo pouco acessíveis para pesquisadores(as) da região Centro-Oeste. Nesse sentido, o evento surge como um espaço de encontro e fortalecimento da comunidade acadêmica regional, incentivando a produção e circulação do conhecimento, bem como a articulação entre universidades e grupos de pesquisa.
GT 2 – GÊNERO NA EDUCAÇÃO BÁSICA E AS INTERDIÇÕES ESCOLARES
Ementa: Para este grupo de trabalho, serão aceitas pesquisas que relacionem a Análise do Discurso, nos pressupostos de Foucault (2014), com os processos de ensino e a formação de uma pedagogia feminista na educação básica (Korol, 2007; Ochoa, 2008). Serão igualmente acolhidas pesquisas que abordem gênero, aqui compreendido como categoria analítica (Scott, 1986), bem como trabalhos que relacionem práticas educativas de combate à violência, ao sexismo, ao machismo e à misoginia (Zanello, 2018). Esperam-se também investigações sobre metodologias de ensino feministas e decoloniais, elaboração de recursos pedagógicos, letramentos críticos e feministas em práticas educativas colaborativas (Adichie, 2015; Hooks, 2020; Portella & Gouveia, 1998). A proposta é contribuir com estudos que articulem AD e educação (Foucault, 2014), refletindo sobre as interdições escolares que envolvem a retirada da palavra gênero das diretrizes educacionais, reforçando o preconceito e a invisibilidade de temáticas voltadas à questão de gênero na escola. Valorizam-se, ainda, estudos que estabeleçam uma relação direta entre os estudos feministas e as pesquisas em educação (Louro, 2014). Considera-se que os estudos do discurso assumem questões sociais e, nesse sentido, este simpósio tem como objetivo discutir as relações entre linguagem, gênero e educação, observando o papel fundamental da comunidade escolar, que pode ser potencializado em parceria com a universidade. Dessa forma, busca-se que o discurso não opere como mecanismo de naturalização de violências, mas como espaço de configuração de projetos de conscientização e resistência, voltado à superação das opressões por meio de uma educação emancipadora.
Coordenadora: Ma. Gabriela Magalhães Sabino (PPGLL/UFG)
GT 3 – BIOPOLÍTICA, EDUCAÇÃO E LITERATURA: DISCURSOS DE PODER E CORPOS DISCIPLINADOS
Ementa: Este simpósio temático propõe reunir trabalhos que dialoguem com a literatura, a educação e as instituições na perspectiva foucaultiana, interrogando os modos pelos quais discursos, práticas e narrativas operam como tecnologias de poder e controle social na modernidade. A análise-interpretativa do discurso literário e das experiências educacionais, articulada às ideias de Foucault (2021), permite compreender como os mecanismos de poder se inscrevem nos corpos e na vida social por meio da disciplina, do silenciamento e da normalização. Observa-se como a política de controle dos corpos — enquanto expressão da biopolítica — opera nos diversos âmbitos e instituições sociais, impondo comportamentos, moldando pensamentos e mantendo vigilância, sobretudo no projeto de precarização dos meios de disseminação de ideias e no cerceamento do conhecimento crítico. Assim, a partir de técnicas de poder, censuram-se obras literárias, verticalizam-se discursos, alimenta-se uma estrutura que desconsidera as diversidades, precariza-se o ensino, silencia-se vozes marginalizadas e destituem-se identidades. Por outro lado, em um movimento de subversão e resistência, a literatura, a educação e a cultura tornam-se campos privilegiados para refletir sobre a constituição de subjetividades e sobre a manutenção de estruturas de dominação legitimadas por discursos de verdade. O biopoder, como formula Foucault (2021), age sobre a dimensão biológica e social dos indivíduos, transformando corpos em instrumentos dóceis, produtivos e submetidos à ordem capitalista. Ao longo da história, essa lógica foi reforçada, entre outros modos, pelos ideais militares, pelas ideologias políticas e pela domesticação e repressão dos corpos para a obediência cega, à submissão e ao silenciamento em nome de ideias de estabilidade e progresso. Nesse sentido, objetiva-se discutir os conceitos de biopolítica, disciplina e normalização; analisar como a literatura retrata formas de dominação, silenciamento e controle dos corpos; refletir sobre o papel da educação e das instituições como dispositivos de reprodução de discursos normalizadores; e debater as articulações entre literatura, poder e resistência frente às práticas biopolíticas e às narrativas de progresso.
Coordenadoras: Dra. Analice de Sousa Gomes (SME-SLMB/Seduc-GO) e Dra. Fernanda Rocha Bonfim (SME-SLMB/UEG)
GT 4 –
Ementa: O grupo de trabalho propõe reunir pesquisas que problematizam a docência como prática discursiva inscrita em regimes de verdade que produzem modos específicos de ser e de se reconhecer como sujeito docente. Com base na perspectiva arqueogenealógica de Michel Foucault, compreende-se que o professor não preexiste às relações que o constituem, ele é efeito e operador de discursos que o objetivam, o classificam e o inserem em dispositivos de poder que regulam o que se pode dizer, fazer e ensinar. A docência, nesse sentido, é tomada como campo de práticas em que se articulam processos de objetivação, vigilância e normalização, mas também como espaço em que emergem fissuras, deslocamentos e resistências. Serão acolhidas investigações que analisem as condições discursivas e históricas de produção da docência, examinando os deslocamentos que, ao longo do tempo, conformaram diferentes regimes de verdade sobre o ser professor e as práticas que o tornam simultaneamente objeto e sujeito de saber-poder. Interessa compreender, ainda, como políticas educacionais, avaliações em larga escala, currículos e formações institucionais atuam como tecnologias de governo dos corpos e das condutas, e de que modo esses mesmos dispositivos possibilitam o surgimento de práticas de resistência e de subjetivação que desafiam a lógica disciplinar e biopolítica presente no cotidiano escolar. A partir dos Estudos Discursivos Foucaultianos, o GT busca constituir um espaço de reflexão sobre as relações entre saber, poder e subjetividade na docência, tomando as violências simbólicas e materiais não como desvios, mas como efeitos e estratégias de governo das condutas docentes. Pretende-se discutir, assim, de que modo a docência se inscreve nas tramas do poder e da resistência, constituindo-se em um território de práticas de si e de produção de novos modos de ser no interior das instituições educativas.
Coordenador: Me. Bruno Henrique Machado (UFG)
GT 5 - GÊNERO, SEXUALIDADES E OS MARCADORES SOCIAIS DA DIFERENÇA NA ESCOLA E ESPAÇOS COMUNITÁRIOS
Ementa: O grupo de trabalho se volta para o debate, a reflexão e a formação em gênero, sexualidades e marcadores sociais da diferença em espaços escolares e comunitários. Entendemos tais categorias como fundamentais para a análise da cultura escolar, das culturas juvenis, do trabalho docente, da violência e de sua prevenção a partir de procedimentos pedagógicos ou por meio da educação mediante as lentes dos estudos de gênero, sexualidade e raça. Enfatizamos o debate das supracitadas categorias de análise na intersecção com a raça, classe e região por acreditarmos ser esses marcadores, também, estruturadores das relações humanas, da cultura e da vida em sociedade. Um dos objetivos do espaço é criar condições para debates, diálogos, divulgação e a formação epistemológica com foco nos direitos humanos, cidadania e nas liberdades. Pretende-se dialogar sobre as diversidades, bem como falar e promover letramento em gênero, sexualidades e raça à medida que se desnaturaliza ideias estereotipadas sobre as categorias que estruturam o Grupo de Trabalho. Acreditamos que esse esforço coletivo pode oferecer oportunidades para o bem viver, o respeito mútuo e a confluência de entendimentos em uma sociedade de diferenças, diversidades e alteridades. Desse modo, esperamos receber trabalhos que, de diferentes formas e por variadas abordagens, promovam reflexões que interseccionam gênero, sexualidades, raça e classe como lentes de olhar da cultura escolar, de espaços comunitários e do combate a violências que interseccionam gênero, sexualidade e raça.
Coordenadores: Dra. Flávia Valéria Cassimiro Braga Melo (UEG) e Dr. Paulo Brito do Prado (UFPI)
GT 6 – GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO
Ementa: Este Grupo de Trabalho (GT) apresenta-se como uma possibilidade para a realização de discussões que permeiam a diversidade no sentido amplo da palavra, da educação para os direitos humanos e, especialmente, o papel da escola pública na garantia do direito à educação dos estudantes que carregam consigo marcadores sociais da diferença. Percebe-se que as dimensões de gênero e sexualidade, aliadas à educação, instigam, cada vez mais, pesquisadoras e pesquisadores de diferentes abordagens teóricas a produzirem conhecimentos, problematizando os diálogos com raça/etnia, classe, geração, nacionalidade, religião, dentre outras. Nesse sentido, este GT deseja se constituir como um espaço na articulação de estudos e pesquisas que interseccionam gênero, sexualidade e educação, em especial, a educação básica e, com isso, contribuir para a ampliação e a garantia do debate crítico, atualizado e situado sobre questões desta natureza, bem como daquelas que a estas estão agregadas. Ainda, demarca-se a escola como um campo privilegiado de produção e reprodução das diferenças, mas também como via de mão dupla, capaz de continuar a (re)produzir preconceitos e estereótipos a partir das questões de gênero, sexualidade e de outros marcadores sociais, como também com a potencialidade de desconstruir essas noções por meio de perspectivas críticas e emancipatórias. Por isso, temáticas como: Educação para a sexualidade, para a equidade de gênero e diversidade; Gênero, sexualidade e formação docente; Diversidade sexual na escola e ações pedagógicas; Experiências de combate a homofobia na escola; Inclusão, diversidade de gênero e educação em Direitos Humanos; Imagens sociais de mulheres, homens, homossexuais e travestis na escola/ensino; Religião e diversidade de gênero na escola, tornam-se bastante significativas no contexto deste debate e serão aceitas em forma de relatos de experiência, comunicações fruto de pesquisas acadêmicas quer sejam oriundas de trabalho de curso (TC), iniciação científica, dissertações, teses ou outra forma de análise empreendida academicamente.
Coordenadora: Dra. Luana Alves Luterman (UEG)