DESAFIOS NA ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM FRENTE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS NA AMAZÔNIA: UMA REVISÃO DA LITERATURA

Publicado em 29/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2535-5

Título do Trabalho
DESAFIOS NA ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM FRENTE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS NA AMAZÔNIA: UMA REVISÃO DA LITERATURA
Autores
  • Carlos Eduardo Vital Leite Junior
  • Liriel Guimarães Ramos
  • Milena Farah Damous Castanho Ferreira
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Educação em saúde na Enfermagem
Data de Publicação
29/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1566498-desafios-na-atuacao-da-enfermagem-frente-a-transmissao-da-doenca-de-chagas-na-amazonia--uma-revisao-da-literatur
ISBN
978-65-272-2535-5
Palavras-Chave
Doença de chagas¹, Enfermagem na Amazônia², Assistência em saúde³
Resumo
A Doença de Chagas (DC) na região amazónica apresenta particularidades epidemiológicas que desafiam os modelos tradicionais de vigilância e controle, exigindo uma atuação diferenciada dos profissionais de enfermagem. Um aspecto relevante refere-se à compreensão da forma de transmissão da doença, frequentemente mal interpretada pela população. Embora o senso comum associe a infecção à picada do triatomíneo, a transmissão ocorre, na realidade, pelo contato das fezes contaminadas do inseto com a pele lesionada ou mucosas, sendo esse processo frequentemente facilitado pelo ato de coçar. No contexto Amazônico, observa-se uma mudança no perfil epidemiológico da doença, com predominância crescente da transmissão oral, especialmente associada ao consumo de alimentos contaminados, como açaí e bacaba. Esse cenário contribui para o aumento de surtos agudos e amplia os desafios para a vigilância em saúde, a região registra atualmente a maior predominância de casos no Brasil. Adicionalmente, fatores geográficos e estruturais dificultam a atuação dos profissionais de saúde. As grandes distâncias territoriais, o acesso limitado a serviços de saúde e a dependência do transporte fluvial comprometem o diagnóstico precoce, o envio de amostras laboratoriais e o acompanhamento contínuo dos pacientes, especialmente em comunidades ribeirinhas e rurais. Soma-se a isso a semelhança dos sintomas iniciais da DC com outras doenças endêmicas da região, como a malária, o que pode levar a atrasos diagnósticos. Diante desse contexto, a enfermagem assume papel estratégico não apenas na assistência clínica, mas também na educação em saúde, sendo essencial o desenvolvimento de ações que considerem as especificidades culturais e territoriais da Amazônia Objetivo: Analisar, por meio de revisão da literatura, os principais desafios enfrentados pela enfermagem na atuação frente à transmissão da Doença de Chagas na região amazônica. Método: Constitui-se como uma pesquisa de revisão integrativa da literatura fundamentada em uma abordagem qualitativa, com apoio de dados quantitativos, elaborada com o intuito de compreender as nuances da doença de Chagas no território amazônico sob a perspectiva da enfermagem. A coleta de dados foi realizada por meio de buscas nas bases de dados LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no período de 2022 a 2026. Para o refinamento da busca, empregaram-se descritores específicos como: “doença de Chagas”, “enfermagem na Amazônia” e “assistência à saúde”. Como critérios de inclusão, consideraram-se estudos publicados em português e inglês, disponíveis na íntegra e que abordassem a temática proposta, com foco na região Norte do Brasil. Foram excluídos artigos duplicados, textos incompletos e publicações que não apresentavam relação direta com o objeto de estudo. Resultados/Discussões: A análise dos estudos, complementada pelos dados epidemiológicos oficiais, evidenciou que a atuação da enfermagem frente à Doença de Chagas na região amazônica é permeada por desafios que extrapolam o âmbito clínico. Dados do SINAN/DATASUS revelam a persistência da transmissão na região: enquanto o Amazonas registrou 27 casos notificados em 2023, o estado do Pará enfrentou um cenário ainda mais crítico em 2026, com um surto que contabilizou 42 casos e 4 óbitos. Esses números não são apenas estatísticas, mas indicadores de uma realidade que envolve dimensões estruturais e socioculturais, interferindo diretamente na efetividade das ações de cuidado. A predominância da transmissão oral na Amazônia representa uma mudança significativa no perfil epidemiológico da doença, deslocando o foco das estratégias tradicionais centradas no controle vetorial. Esse cenário evidencia limitações históricas das políticas públicas previamente estabelecidas e exige da enfermagem a reformulação de suas práticas, com ênfase na educação em saúde voltada à manipulação segura de alimentos e à vigilância sanitária em contextos comunitários. Dessa forma, o cuidado deixa de ser exclusivamente assistencial e passa a incorporar ações preventivas integradas ao cotidiano das populações locais. No que se refere ao acesso aos serviços de saúde, as barreiras geográficas e logísticas revelam desigualdades estruturais que impactam diretamente a capacidade de resposta do sistema de saúde. A dependência do transporte fluvial, associada às grandes distâncias territoriais, não apenas dificulta o diagnóstico precoce, mas também compromete a continuidade do cuidado e o acompanhamento dos pacientes. Nesse contexto, a enfermagem assume papel estratégico na descentralização da assistência, atuando por meio de ações itinerantes, fortalecimento da atenção primária e aproximação com as comunidades ribeirinhas e rurais. Outro aspecto relevante refere-se à similaridade clínica entre a fase aguda da Doença de Chagas e outras doenças endêmicas da região, como a malária, evidenciando a necessidade de maior qualificação profissional e de fortalecimento dos processos de vigilância em saúde. A enfermagem, nesse cenário, destaca-se como elemento-chave na triagem, no reconhecimento precoce de sinais clínicos e na articulação com outros níveis de atenção. Sob a perspectiva sociocultural, observa-se que práticas alimentares tradicionais e a insuficiência de informações adequadas sobre a doença contribuem para a manutenção da cadeia de transmissão. No entanto, intervenções educativas descontextualizadas tendem a apresentar baixa efetividade. Assim, a atuação da enfermagem deve considerar os saberes locais e estabelecer estratégias de comunicação que respeitem a cultura e o modo de vida das populações, favorecendo maior adesão às medidas preventivas. Além disso, a sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde, associada à escassez de recursos humanos e materiais, configura-se como um obstáculo importante para a implementação de ações contínuas e resolutivas. Esse cenário evidencia a necessidade de investimentos estruturais e de políticas públicas que fortaleçam a atuação da enfermagem na região, especialmente no que se refere à qualificação profissional e à melhoria das condições de trabalho. Dessa forma, os achados apontam que a atuação da enfermagem na Amazônia requer não apenas domínio técnico-científico, mas também capacidade de adaptação, sensibilidade cultural e atuação integrada com a comunidade. A complexidade do contexto amazônico demanda práticas que articulem cuidado clínico, educação em saúde e vigilância, reforçando o papel da enfermagem como protagonista na promoção da saúde e no enfrentamento da Doença de Chagas. Conclusão: A análise da atuação da enfermagem frente à doença de Chagas na Amazônia revela que o maior desafio não é apenas clínico, mas sim a capacidade de adaptar o cuidado a uma geografia que impõe silêncio e distância. Conclui-se que a mudança para o perfil de transmissão oral exige que o enfermeiro deixe de ser apenas um executor de protocolos para se tornar um estrategista em vigilância sanitária e um educador sensível à cultura local. Fica evidente que o sucesso no enfrentamento desta patologia depende da superação das barreiras logísticas e do fortalecimento da atenção primária como porta de entrada real para as populações ribeirinhas. Mais do que domínio técnico, a realidade amazônica demanda uma enfermagem protagonista, capaz de integrar os dados epidemiológicos do sistema à vida cotidiana das comunidades, garantindo que o direito à saúde chegue com a mesma força em todos os cantos do território. Descritores: Doença de chagas¹, Enfermagem na Amazônia², Assistência em saúde³ Referências: SABIN MEDICINA DIAGNÓSTICA. Entenda o que é a doença de Chagas. Brasília, DF: Blog Sabin, 8 out. 2025. Disponível em: https://blog.sabin.com.br/saude/entenda-o-que-e-a-doenca-de-chagas/. SOUZA FILHO, Zilmar Augusto de et al. Nursing care for the Amazon population: knowledge production and human resource development. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 75, n. suppl 2, e20201084, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1084. ORTIZ, Jessica Vanina et al. Cardiomiopatia Chagásica Na Amazônia Brasileira: Baixa Prevalência Ou Subdiagnóstico?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 117, n. 4, p. 869-873, out. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.36660/abc.20201236. COSTA, Andrea Silvestre Lobão et al. Infecção tripla por Trypanosoma cruzi, Plasmodium vivax e P. falciparum: relato de caso. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, Rio de Janeiro, v. 48, n. 6, p. 433-437, dez. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1676-24442012000600006.
Título do Evento
XVIII SENF - SEMANA DE ENFERMAGEM DO UNIFAMAZ
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JUNIOR, Carlos Eduardo Vital Leite; RAMOS, Liriel Guimarães; FERREIRA, Milena Farah Damous Castanho. DESAFIOS NA ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM FRENTE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS NA AMAZÔNIA: UMA REVISÃO DA LITERATURA.. In: Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1566498-DESAFIOS-NA-ATUACAO-DA-ENFERMAGEM-FRENTE-A-TRANSMISSAO-DA-DOENCA-DE-CHAGAS-NA-AMAZONIA--UMA-REVISAO-DA-LITERATUR. Acesso em: 01/11/2026

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