INICIAÇÃO PRECOCE DA VIDA SEXUAL NA AMAZÔNIA: REPERCUSSÕES PARA A SAÚDE DO ADOLESCENTE E DESAFIOS PARA A ENFERMAGEM.

Publicado em 29/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2535-5

Título do Trabalho
INICIAÇÃO PRECOCE DA VIDA SEXUAL NA AMAZÔNIA: REPERCUSSÕES PARA A SAÚDE DO ADOLESCENTE E DESAFIOS PARA A ENFERMAGEM.
Autores
  • Liriel Guimarães Ramos
  • José Felipe dos Passos Corrêa
  • Thais Lopes do Amaral Uchôa
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Prática Assistencial e Transformação Social
Data de Publicação
29/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1564640-iniciacao-precoce-da-vida-sexual-na-amazonia--repercussoes-para-a-saude-do-adolescente-e-desafios-para-a-enferma
ISBN
978-65-272-2535-5
Palavras-Chave
Adolescente, comportamento sexual, saúde sexual
Resumo
Introdução: A adolescência constitui uma fase do desenvolvimento humano marcada por intensas transformações biopsicossociais, nas quais a construção da identidade, das relações sociais e da vivência da sexualidade desempenham papel central. Nesse período, a iniciação da vida sexual pode ocorrer como parte desse processo, entretanto, quando se dá de forma precoce, tende a associar-se a desfechos adversos à saúde. A iniciação precoce da vida sexual tem sido reconhecida como um importante problema de saúde pública, estando relacionada ao aumento da vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis, à ocorrência de gravidez não planejada e a impactos psicossociais relevantes. Esses desfechos não ocorrem de maneira isolada, mas estão inseridos em um contexto de determinantes sociais que envolvem desigualdades socioeconômicas, fragilidades no acesso à educação sexual e limitações na oferta e qualidade dos serviços de saúde. No cenário amazônico, tais fatores assumem maior complexidade, em virtude das especificidades territoriais, culturais e sociais da região, que incluem dificuldades de acesso geográfico, distribuição desigual dos serviços de saúde e diversidade sociocultural. Esse contexto contribui para a intensificação das vulnerabilidades vivenciadas pelos adolescentes, demandando estratégias de cuidado mais sensíveis às realidades locais. Nesse sentido, surgiu a seguinte questão de pesquisa: O que a literatura científica evidencia sobre as repercussões da iniciação precoce da vida sexual na saúde de adolescentes na Amazônia e os desafios enfrentados pela enfermagem na promoção da saúde sexual e reprodutiva Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca das repercussões da iniciação precoce da vida sexual na saúde de adolescentes na região amazônica, e seus desafios para a prática de enfermagem. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, que buscou sintetizar o conhecimento produzido acerca da temática. A busca foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram utilizados os descritores “adolescência”, “comportamento sexual” e “saúde sexual”. Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra e que abordassem diretamente a iniciação precoce da vida sexual na adolescência e suas repercussões. A análise dos estudos ocorreu de forma descritiva e interpretativa, permitindo a identificação de categorias temáticas relacionadas às repercussões em saúde e aos desafios para a enfermagem, com ênfase no contexto amazônico. Resultados e Discussão: A análise da literatura evidenciou que a iniciação precoce da vida sexual está associada a um conjunto complexo de repercussões na saúde do adolescente, que se manifestam nas dimensões física, psicológica e social. No âmbito físico, destacam-se o aumento da incidência de infecções sexualmente transmissíveis, decorrente principalmente do uso inconsistente ou inexistente de métodos de proteção, bem como a maior probabilidade de ocorrência de gravidez na adolescência. Esses fatores contribuem para desfechos adversos à saúde, incluindo complicações gestacionais e impacto no desenvolvimento educacional e social dos adolescentes. No contexto amazônico, tais repercussões são intensificadas por determinantes estruturais, como desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, sobretudo em áreas rurais e ribeirinhas, e limitações na implementação de políticas públicas de educação em saúde de forma contínua e efetiva. Estudos indicam que, na região Norte, a iniciação sexual frequentemente ocorre entre 12 e 15 anos, muitas vezes sem orientação adequada, o que evidencia fragilidades no processo de educação sexual e na atuação preventiva dos serviços de saúde. Além disso, observa-se que a ausência de diálogo familiar e a influência de pares desempenham papel relevante na tomada de decisão dos adolescentes, podendo favorecer comportamentos de risco. No que se refere às repercussões psicológicas, destacam-se sentimentos de insegurança, ansiedade, baixa autoestima e vulnerabilidade emocional, especialmente quando a iniciação ocorre em contextos de desinformação ou pressão social. Essas questões podem impactar negativamente o desenvolvimento emocional e as relações interpessoais, além de contribuir para situações de vulnerabilidade social. Outro aspecto relevante diz respeito às desigualdades de gênero, que influenciam diretamente a vivência da sexualidade na adolescência. Em muitos contextos, meninas estão mais expostas a relações desiguais, com menor poder de negociação quanto ao uso de métodos contraceptivos, o que aumenta o risco de desfechos negativos. No cenário amazônico, essas desigualdades podem ser agravadas por fatores culturais e sociais, exigindo abordagens sensíveis e contextualizadas por parte dos profissionais de saúde. Diante desse panorama, os desafios para a enfermagem mostram-se amplos e multifacetados. Um dos principais desafios refere-se à necessidade de qualificação profissional para abordagem da saúde sexual na adolescência, considerando aspectos culturais, sociais e emocionais. Além disso, a limitação de recursos nos serviços de saúde, a sobrecarga de trabalho e as dificuldades logísticas enfrentadas em regiões de difícil acesso representam barreiras significativas para a implementação de ações educativas contínuas. Outro desafio importante consiste na construção de vínculo com o público adolescente, que muitas vezes apresenta resistência em buscar os serviços de saúde, seja por medo, vergonha ou falta de acolhimento adequado. Apesar desses desafios, a enfermagem apresenta grande potencial transformador nesse contexto. A atuação na atenção primária à saúde permite o desenvolvimento de ações de educação em saúde voltadas para adolescentes, tanto em unidades de saúde quanto em escolas e comunidades. A escuta qualificada, o acolhimento e a construção de um ambiente de confiança são estratégias fundamentais para promover o diálogo e incentivar práticas seguras. Intervenções baseadas na educação em saúde, quando planejadas de forma participativa e adaptadas à realidade sociocultural da população, têm demonstrado impacto positivo na redução de comportamentos de risco e na promoção da saúde sexual e reprodutiva. Além disso, destaca-se a importância da articulação intersetorial entre saúde e educação, visando ampliar o alcance das ações e fortalecer a rede de proteção ao adolescente. A enfermagem, nesse cenário, atua como mediadora entre o conhecimento técnico-científico e as necessidades da população, contribuindo para o empoderamento dos adolescentes e para o desenvolvimento de autonomia na tomada de decisões relacionadas à sua saúde. Conclusão: A iniciação precoce da vida sexual na Amazônia configura-se como um importante desafio em saúde pública, com repercussões significativas na saúde física, emocional e social dos adolescentes. Esse fenômeno está intrinsecamente relacionado a determinantes sociais e estruturais que intensificam as vulnerabilidades nessa população. Os desafios enfrentados pela enfermagem nesse contexto evidenciam a necessidade de fortalecimento da atenção primária à saúde, ampliação do acesso aos serviços e desenvolvimento de estratégias educativas contínuas, culturalmente sensíveis e territorialmente adequadas. Contribuições para a enfermagem: Ressalta-se o papel essencial da enfermagem como agente de transformação social, capaz de promover a saúde, reduzir vulnerabilidades e contribuir para a construção de práticas mais seguras e conscientes entre adolescentes. O estudo possibilita ampliar a reflexão sobre a atuação do enfermeiro na promoção da saúde sexual e reprodutiva, fortalecendo a implementação de ações educativas, acolhimento qualificado e acompanhamento integral dessa população. Além disso, evidencia a importância da capacitação profissional e da elaboração de estratégias intersetoriais voltadas à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, gravidez não planejada e demais agravos relacionados à iniciação sexual precoce, contribuindo para uma assistência mais humanizada, preventiva e resolutiva. Palavras-chave: Adolescente; Comportamento Sexual; Saúde Sexual Referências Bibliográficas CABRAL, P. A. et al. Desigualdade e vulnerabilidade infantojuvenil na Amazônia Legal: um Panorama da exploração sexual. Revista Interdisciplinar de Estudos Amazônicos, v. 3, n. 1, p. 15-38, 2025. CAVALCANTI, Paula; OLIVEIRA, João. Violência Sexual Contra Crianças em Comunidades Ribeirinhas do Amazonas: Desafios e Perspectivas. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 28, n. 2, p. 85-102, 2023. SPINOLA, Mara Cristiany Rodrigues. Fatores associados à iniciação sexual precoce de adolescentes em Santarém, Pará. SANARE – Revista de Políticas Públicas, v. 19, n. 1, 2020. MARTINS, IP et al. Orientações sobre sexualidade e papel do enfermeiro: pesquisa qualitativa com adolescentes. Revista de Enfermagem da UFPE, v. 3, pág. 1245-1256, 2024. Villalobos Hernández A, Suárez-López L, De la Vara-Salazar E, et al. Servicios de salud sexual y reproductiva en adolescentes. Salud Publica Mex. 2024;66(4, jul-ago):479-487. Published 2024 Aug 22. doi:10.21149/15834
Título do Evento
XVIII SENF - SEMANA DE ENFERMAGEM DO UNIFAMAZ
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RAMOS, Liriel Guimarães; CORRÊA, José Felipe dos Passos; UCHÔA, Thais Lopes do Amaral. INICIAÇÃO PRECOCE DA VIDA SEXUAL NA AMAZÔNIA: REPERCUSSÕES PARA A SAÚDE DO ADOLESCENTE E DESAFIOS PARA A ENFERMAGEM... In: Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1564640-INICIACAO-PRECOCE-DA-VIDA-SEXUAL-NA-AMAZONIA--REPERCUSSOES-PARA-A-SAUDE-DO-ADOLESCENTE-E-DESAFIOS-PARA-A-ENFERMA. Acesso em: 22/09/2026

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