A INVISIBILIDADE DE POPULAÇÕES TRADICIONAIS NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: DESAFIOS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL EM SAÚDE

Publicado em 29/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2535-5

Título do Trabalho
A INVISIBILIDADE DE POPULAÇÕES TRADICIONAIS NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: DESAFIOS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL EM SAÚDE
Autores
  • Eduarda Carolinne Pinheiro da Silva
  • Juliane Melo Silva
  • Alaina Gisele Pinho Lima
  • Fábio Williames Costa De Carvalho
  • Gabriela Éleres Casseb
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Prática Assistencial e Transformação Social
Data de Publicação
29/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1564624-a-invisibilidade-de-populacoes-tradicionais-na-assistencia-de-enfermagem--desafios-para-a-transformacao-social-e
ISBN
978-65-272-2535-5
Palavras-Chave
Assistência de Enfermagem, Populações Tradicionais Brasileiras, Cuidados Intercultural em Saúde.
Resumo
Introdução: No Brasil, as populações e comunidades tradicionais, como povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, enfrentam historicamente processos de exclusão social e desigualdades no acesso aos serviços de saúde, fatores que repercutem diretamente na qualidade da assistência de enfermagem ofertada a esses grupos. Apesar dos avanços nas políticas públicas voltadas à atenção igualitária, ainda persistem barreiras geográficas, culturais, linguísticas e estruturais que dificultam a efetivação de um cuidado integral, humanizado e acessível. Estudos apontam que o isolamento territorial das comunidades, a insuficiência de recursos, a limitação da formação profissional e a presença de práticas discriminatórias comprometem a assistência prestada às populações tradicionais1. A literatura científica evidencia que a invisibilidade dessas comunidades no sistema de saúde está relacionada à predominância de um modelo biomédico que, muitas vezes, desconsidera os saberes tradicionais, as práticas culturais e os determinantes sociais envolvidos no processo saúde-doença. Nesse contexto, a Teoria do Cuidado Transcultural, desenvolvido por Madeleine Leininger, destaca a importância da compreensão dos valores culturais, crenças e práticas de cada população, para oferta de um cuidado humanizado, baseado no respeito às especificidades culturais e na construção de vínculos entre profissionais e comunidades2. Pesquisas anteriores destacam a necessidade de fortalecer práticas assistenciais culturalmente sensíveis, capazes de integrar conhecimentos científicos e tradicionais na promoção da saúde. Dessa forma, discutir a invisibilidade das populações tradicionais na assistência de enfermagem torna-se relevante para compreender os desafios presentes no cuidado em saúde e contribuir para o fortalecimento de ações voltadas à equidade, inclusão e transformação social. Objetivos: Analisar os desafios relacionados à invisibilidade das populações tradicionais na assistência de enfermagem, identificando fatores que dificultam a efetivação de um cuidado intercultural, humanizado e equitativo no contexto da saúde. Métodos: Essa pesquisa trata-se de um estudo qualitativo, do tipo revisão narrativa, tendo como temática escolhida a invisibilidade de populações tradicionais na assistência de enfermagem, discutindo sobre os desafios para a transformação social em saúde na vida dessas pessoas. O trabalho científico foi desenvolvido a partir das etapas primordiais de uma revisão bibliográfica narrativa: a princípio foi realizado a escolha do tema, baseado na sua relevância dentro da sociedade civil atual. Logo após, foi iniciado a procura por estudos nas bases de dados científicos Google Acadêmico e SciELO, com a combinação dos descritores ‘’Assistência de Enfermagem’’, ‘’Populações Tradicionais Brasileiras’’ e ‘Cuidado Intercultural em Saúde’’ do DeCS. Utilizou-se como critérios de inclusão estudos publicados nos últimos 5 anos (2021–2025), disponíveis na íntegra, na língua portuguesa, e que abordassem diretamente o tema proposto pelo estudo. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados artigos duplicados, cartas ao editor, editoriais, resumos simples e estudos que não apresentassem relevância para os objetivos da pesquisa. Após, houve a leitura desses periódicos selecionados, para identificação dos principais pontos abordados nos mesmos. Posteriormente, foi realizado a leitura íntegra de cada estudo, visando identificação dos principais tópicos abordados. Por fim, o trabalho foi redigido a partir da interpretação dos dados e análise descritiva, integrado com evidências cientificas da literatura. Resultado/Discussão: A análise dos estudos permitiu identificar que a assistência de enfermagem destinada às populações tradicionais ainda é marcada por desigualdades que dificultam a efetivação de um cuidado integral e equitativo. Entre os principais desafios observados destacam-se as dificuldades de acesso aos serviços de saúde, especialmente em comunidades localizadas em regiões remotas, onde a limitação de transporte, infraestrutura inadequada e escassez de profissionais comprometem a continuidade da assistência e o acompanhamento em saúde. Essas condições contribuem para a manutenção da invisibilidade social dessas populações dentro do sistema de saúde³. Além das barreiras estruturais, verificou-se que fatores culturais e linguísticos também interferem diretamente na qualidade do cuidado prestado. Muitos profissionais apresentam dificuldades em compreender os costumes, crenças e práticas tradicionais das comunidades, o que pode gerar distanciamento entre equipe e usuários. A ausência de preparo voltado à interculturalidade favorece práticas assistenciais centradas apenas no modelo biomédico, desconsiderando os conhecimentos populares e as formas tradicionais de cuidado utilizadas pelas populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas4. Os resultados também demonstram que a enfermagem possui papel fundamental na redução dessas desigualdades, principalmente por meio da construção de vínculos, das ações educativas e da promoção de um cuidado humanizado. Estratégias como visitas domiciliares, educação em saúde e escuta qualificada contribuem para fortalecer a relação entre profissionais e comunidade, possibilitando maior compreensão das necessidades locais e favorecendo uma assistência mais acolhedora e culturalmente sensível. Entretanto, ainda existem dificuldades relacionadas à alta rotatividade de profissionais, à insuficiência de capacitação continuada e à fragilidade das políticas públicas direcionadas às populações tradicionais. Esses fatores dificultam a consolidação de práticas assistenciais permanentes e comprometidas com a equidade em saúde. Dessa forma, torna-se necessário ampliar investimentos em formação profissional, valorização da diversidade cultural e fortalecimento da atenção básica, visando garantir uma assistência de enfermagem mais inclusiva, ética e adequada às especificidades dessas populações5. Conclusão: A revisão narrativa evidenciou que a invisibilidade dos povos tradicionais no Brasil ainda está associada a importantes barreiras estruturais, culturais e linguísticas, comprometendo a efetivação de uma assistência de enfermagem integral e equitativa. Apesar da existência de políticas públicas voltadas a essa população, os desafios persistem, especialmente no acesso aos serviços de saúde e na adequação cultural do cuidado, aspecto diretamente relacionado aos princípios da Teoria Transcultural de Madeleine Leininger, que valoriza o respeito às crenças, valores e práticas culturais no processo de cuidar. Como obstáculo para elaboração do estudo, destaca-se a escassez de produções científicas específicas sobre a temática, além da seleção de estudos apenas na língua portuguesa. Ainda assim, a pesquisa contribui para ampliar as discussões acerca da necessidade de inclusão, capacitação profissional e fortalecimento das políticas públicas direcionadas às populações tradicionais. Além disso, evidencia a importância da enfermagem na promoção de um cuidado intercultural, humanizado e socialmente inclusivo. Por fim, sugere-se a realização de novos estudos que investiguem estratégias e intervenções capazes de reduzir a invisibilidade desses povos no contexto da saúde. Descritores: Assistência de Enfermagem, Populações Tradicionais Brasileiras, Cuidados Intercultural em Saúde. Referências: 1. Valentim LA, et al. Saúde em comunidades tradicionais: desafios e soluções. Recife: Even3 Publicações; 2023. doi:10.29327/5317381. 2. Leininger MM. Transcultural nursing: concepts, theories, and practices. New York: Wiley; 1978. 3. Müller ASC, Dullius WR, Lira ELB, Cas SC, Pedroso GTO. Assistência de enfermagem e o cuidado transcultural aos povos indígenas: uma revisão integrativa. Rev JRG Estud Acad. 2026;9(20):e092959. doi:10.55892/jrg.v9i20.2959. 4. Santos JVNC, Gomes RSS, Barbosa IEB, Mota BS, Barboza SCN, Fonseca AR, et al. Atribuições e dificuldades apresentadas pelo enfermeiro frente à assistência de enfermagem à população indígena. Res Soc Dev. 2022;11(4):e2511426834. doi:10.33448/rsd-v11i4.26834. 5. Oliveira MER, Alves LT. O papel transformador dos enfermeiros na Estratégia Saúde da Família: desafios na atenção a comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas. Rev Contemp. 2024;4(12):1-18.
Título do Evento
XVIII SENF - SEMANA DE ENFERMAGEM DO UNIFAMAZ
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Eduarda Carolinne Pinheiro da et al.. A INVISIBILIDADE DE POPULAÇÕES TRADICIONAIS NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: DESAFIOS PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL EM SAÚDE.. In: Anais do XVIII Semana de Enfermagem do UNIFAMAZ. Anais...Belém(PA) UNIFAMAZ, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xviii-semana-de-enfermagem-unifamaz-717467/1564624-A-INVISIBILIDADE-DE-POPULACOES-TRADICIONAIS-NA-ASSISTENCIA-DE-ENFERMAGEM--DESAFIOS-PARA-A-TRANSFORMACAO-SOCIAL-E. Acesso em: 01/11/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes