PRÁTICA DE ABORTO VOLUNTÁRIO EM JOVENS MULHERES DE UMA CIDADE NO INTERIOR DA AMAZÔNIA LEGAL.

Publicado em 21/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2141-8

Título do Trabalho
PRÁTICA DE ABORTO VOLUNTÁRIO EM JOVENS MULHERES DE UMA CIDADE NO INTERIOR DA AMAZÔNIA LEGAL.
Autores
  • Lucas Zango Angeli Lima
Modalidade
Pesquisa de campo
Área temática
Ciências da Saúde
Data de Publicação
21/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xvii-simposio-iniciacao-cientifica-uninassau-cacoal/1410169-pratica-de-aborto-voluntario-em-jovens-mulheres-de-uma-cidade-no-interior-da-amazonia-legal
ISBN
978-65-272-2141-8
Palavras-Chave
Palavras – chave: Abortamento.Misoprostol.Parturiente
Resumo
O aborto inseguro é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um grave problema de saúde pública, sendo fortemente associado a desigualdades sociais, raciais e econômicas. No Brasil, a criminalização dessa prática não impediu sua ocorrência, apenas a empurrou para a clandestinidade, expondo milhares de mulheres a condições inseguras e precárias. Todos os anos, inúmeras brasileiras recorrem a métodos abortivos sem supervisão médica, o que resulta em altos índices de morbimortalidade materna e em graves consequências físicas, psicológicas e sociais. Essa realidade atinge principalmente mulheres negras, jovens e em situação de vulnerabilidade social, evidenciando a intersecção entre gênero, classe e raça na determinação das condições de saúde. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório e descritivo. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade com oito mulheres maiores de 18 anos, utilizando o método de amostragem “bola de neve”, no qual cada participante indica outra pessoa com experiência semelhante. As entrevistas buscaram compreender as vivências, motivações e consequências do abortamento inseguro. A análise dos dados seguiu o método proposto por Bardin (2011), que consiste em uma análise de conteúdo sistemática e interpretativa, permitindo identificar categorias e subcategorias de sentido a partir dos discursos. O estudo respeitou todos os princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), garantindo anonimato, sigilo e consentimento livre e esclarecido das participantes. A pesquisa foi registrada na Plataforma Brasil e aprovada pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Maurício de Nassau de Cacoal, sob o parecer nº 7.810.618 (CAEE: 89413625.9.0000.5298). Cumpriram-se todas as exigências para garantir a confidencialidade, ética e a segurança das participantes. Os resultados apontaram que a maioria das mulheres entrevistadas se autodeclarou negra (pretas e pardas), seguidoras de religiões cristãs, com média de idade de 28 anos e pertencentes a classes sociais de baixa renda. O principal método abortivo utilizado foi o misoprostol, adquirido de forma clandestina, seguido pelo uso de chás, garrafadas e outras práticas caseiras. Os sintomas mais relatados durante o processo foram cólicas intensas, sangramento abundante, febre e diarreia. Apenas uma das participantes procurou atendimento médico devido à gravidade dos sintomas, demonstrando o medo generalizado da criminalização e do julgamento moral nos serviços de saúde. As principais motivações para o abortamento foram a instabilidade financeira, a ausência de apoio do parceiro, a impossibilidade de criar um filho naquele momento e a incompatibilidade com o projeto de vida pessoal e profissional. O estudo evidencia que a criminalização do aborto não impede sua prática, apenas a torna mais insegura, aprofundando as desigualdades e expondo mulheres a riscos evitáveis. O aborto inseguro é, portanto, uma questão de saúde pública, justiça social e direitos humanos. Diante disso, torna-se urgente o fortalecimento de políticas públicas voltadas à educação sexual, ao planejamento reprodutivo e à ampliação do acesso a métodos contraceptivos eficazes. Além disso, é essencial garantir um atendimento humanizado, livre de julgamentos e discriminações, nos casos de abortamento, assegurando o direito das mulheres à vida, à saúde e à dignidade.
Título do Evento
XVII Simpósio de Iniciação Científica - UNINASSAU CACOAL
Cidade do Evento
Cacoal
Título dos Anais do Evento
Simpósio de Iniciação Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Lucas Zango Angeli. PRÁTICA DE ABORTO VOLUNTÁRIO EM JOVENS MULHERES DE UMA CIDADE NO INTERIOR DA AMAZÔNIA LEGAL... In: Simpósio de Iniciação Científica. Anais...Cacoal(RO) UNINASSAU CACOAL, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xvii-simposio-iniciacao-cientifica-uninassau-cacoal/1410169-PRATICA-DE-ABORTO-VOLUNTARIO-EM-JOVENS-MULHERES-DE-UMA-CIDADE-NO-INTERIOR-DA-AMAZONIA-LEGAL. Acesso em: 10/10/2026

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