FARMACOVIGILÂNCIA DE CONDIÇÕES COGNITIVAS E DEGENERATIVAS EM IDOSOS: EVIDÊNCIAS DA PLATAFORMA VIGIMED

Publicado em 05/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2308-5

Título do Trabalho
FARMACOVIGILÂNCIA DE CONDIÇÕES COGNITIVAS E DEGENERATIVAS EM IDOSOS: EVIDÊNCIAS DA PLATAFORMA VIGIMED
Autores
  • Maria Fernanda Maia Gomes
  • Wessila Araujo Dias Ponte
  • Nathalia Criscian De Araújo Chagas
  • Maria Stefhany Sousa Herculano
  • Jeymson Xavier da Silva
  • Ana Isabelle de Gois Queiroz
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Área da Saúde e Biológicas
Data de Publicação
05/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xiii-universo-ateneu-638379/1422398-farmacovigilancia-de-condicoes-cognitivas-e-degenerativas-em-idosos--evidencias-da-plataforma-vigimed
ISBN
978-65-272-2308-5
Palavras-Chave
Vigimed, farmacovigilância, idosos, transtornos neuropsiquiátriacos, fármacos
Resumo
INTRODUÇÃO: O envelhecimento é um processo fisiológico humano, e suas repercussões variam conforme fatores como saúde física, contexto social e condições cognitivas. Com o aumento da longevidade, cresce também o número de idosos com algum grau de déficit cognitivo, condição que impacta diretamente a autonomia (Macêdo et al., 2012). Pereira et al. (2020) também identificam alta prevalência desse déficit na atenção primária do Nordeste, associada à desnutrição, à baixa escolaridade e à dependência funcional. Gontijo et al. (2020) observaram que 24 de 88 idosos em uma instituição de longa permanência utilizavam benzodiazepínicos, como o clonazepam, fármaco inadequado para essa população por aumentar o risco de quedas e prejuízo cognitivo, reforçando a relação entre polifarmácia e vulnerabilidade. A observação de efeitos indesejados relacionados ao uso de medicamentos é uma atividade clínica essencial. Essa prática permite promover a segurança do paciente e agir conforme os princípios éticos da assistência. Para essa análise, utilizou-se a plataforma VigiMed, sistema oficial de registro de eventos adversos, que viabiliza a investigação por profissionais da saúde e autoridades sanitárias ( De Brito Malonn et al. (2023). Diante desse contexto, para compreender o déficit cognitivo de forma integrada, a plataforma VigiMed contribui diretamente para essa compreensão, ao permitir a análise de notificações relacionadas a alterações cognitivas, fortalecendo a tomada de decisão clínica e a vigilância sanitária. OBJETIVO: Analisar o perfil das notificações de eventos adversos relacionados a condições neuropsiquiátricas e degenerativas em idosos no Brasil, incluindo Alzheimer, Parkinson, depressão e insônia. A partir dos dados do VigiMed, o estudo identificou padrões envolvendo fármacos visando reforçar a importância da notificação e fortalecer a farmacovigilância no país. MATERIAIS E MÉTODOS: O estudo utilizou dados de farmacovigilância do sistema VigiMed, compreendendo notificações entre 1º de dezembro de 2018 e 3 de agosto de 2025, com foco exclusivo em indivíduos ≥ 65 anos. Foram filtradas as notificações da faixa etária selecionada e incluídos os termos MedDRA “Depressão”, “Demência”, “Demência do tipo Alzheimer”, “Insônia” e “Parkinson”. Para cada termo, foram tabulados o total de notificações, a distribuição por sexo, os estados com maior número de registros, a gravidade, o desfecho informado antes da análise da ANVISA e os princípios ativos mais notificados, considerando as quatro primeiras posições e excluindo vacinas e itens não codificados, sendo desconsiderados registros sem informações em todas as etapas. Os dados de cada termo foram compilados em planilha (Google Planilhas). O presente estudo não precisou ser submetido a comitê de ética, uma vez que os resultados coletados estão disponíveis na plataforma de consulta pública VigiMed. RESULTADOS: A análise das 1.087 notificações de eventos adversos no VigiMed revelou padrões claros quanto aos termos pesquisados, perfil dos pacientes e distribuição regional. Insônia foi o termo mais frequente, com 509 notificações, enquanto demência (104) e doença de Parkinson (106) tiveram os menores registros. Para os cinco termos, São Paulo concentrou o maior número de notificações. Embora possa refletir sua grande população, sugere-se um possível viés de notificação e sub-registro nas demais regiões do país. Houve predominância feminina em todos os termos analisados. Entre os medicamentos, a rivastigmina, padrão ouro no tratamento de demência e parkinson, foi o fármaco mais notificado em casos de demência do tipo Alzheimer, o que pode levantar questionamentos quanto a possíveis interações medicamentosas ou a notificação de um sintoma pontual. O clonazepam apresentou altas notificações especialmente em insônia e depressão, achado relevante diante do risco aumentado de declínio cognitivo, conforme abordado por Gontijo et al. (2020). Outro ponto importante foi a presença de medicamentos que não pertencem às classes neurológicas entre os mais notificados, como insulina glargina, infliximabe e secuquinumabe, achado coerente com De Brito Malonn et al. (2023), que aponta os imunomoduladores entre os fármacos mais frequentemente associados a notificações. Essas ocorrências evidenciam o impacto das comorbidades e da polifarmácia na população idosa. A associação desses medicamentos com termos como demência e Parkinson não indica causalidade direta, mas demonstra a complexidade terapêutica nos idosos. CONCLUSÃO: Os resultados indicam que, em idosos, os eventos adversos podem estar relacionados à polifarmácia, ao uso de medicamentos de maior risco e às condições neuropsiquiátricas e degenerativas, influenciados por fatores demográficos, regionais e da própria fragilidade inerente ao envelhecimento. No geral, os achados reforçam a necessidade de ampliar a conscientização, qualificar o cuidado e fortalecer ações preventivas para uma farmacoterapia mais segura nessa população. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. DE BRITO MALONN, Fabiane; LINS CAMARGO, Aline. VigiMed: notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados aos medicamentos no Rio Grande do Sul. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, v. 8, n. 4, 22 nov. 2023. 2. GONTIJO, Ana Paula Silva et al. Declínio cognitivo e uso de medicamentos na população de idosos institucionalizados de uma cidade do interior de Minas Gerais, Brasil. Cadernos Saúde Coletiva, 29 jul. 2022. 3. MACÊDO, Ana Macli Leite et al. Avaliação funcional de idosos com déficit cognitivo. Acta Paulista de Enfermagem , v. 3, pág. 358–363, 2012. 4. MARAGNO, Luiza Baião et al. Polifarmácia e cognição em pacientes com idade avançada. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, v. 17, n. 4, p. 180–182, 2019. 5. PEREIRA, Xiankarla De Brito Fernandes et al. Prevalência e fatores associados ao déficit cognitivo em idosos na comunidade. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia , v. 2, pág. e200012, 2020.
Título do Evento
XIII UNIVERSO ATENEU
Cidade do Evento
Fortaleza
Título dos Anais do Evento
Anais do XIII UNIVERSO ATENEU
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GOMES, Maria Fernanda Maia et al.. FARMACOVIGILÂNCIA DE CONDIÇÕES COGNITIVAS E DEGENERATIVAS EM IDOSOS: EVIDÊNCIAS DA PLATAFORMA VIGIMED.. In: Anais do XIII UNIVERSO ATENEU. Anais...Fortaleza (CE) UNIATENEU, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xiii-universo-ateneu-638379/1422398-FARMACOVIGILANCIA-DE-CONDICOES-COGNITIVAS-E-DEGENERATIVAS-EM-IDOSOS--EVIDENCIAS-DA-PLATAFORMA-VIGIMED. Acesso em: 19/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes