OS EFEITOS DO LUTO NO CÉREBRO

Publicado em 05/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2308-5

Título do Trabalho
OS EFEITOS DO LUTO NO CÉREBRO
Autores
  • Isabelly Rocha Bessa
  • Naira Maria Silva de Oliveira Uchoa
  • Ana Alice Silva Venancio
  • Emilly Kelly Melo da Costa
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Área de Ciências Humanas e Artes
Data de Publicação
05/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xiii-universo-ateneu-638379/1422145-os-efeitos-do-luto-no-cerebro
ISBN
978-65-272-2308-5
Palavras-Chave
Luto,Psicologia,Cérebro,Neurociência
Resumo
INTRODUÇÃO O luto constitui um fenômeno complexo, de natureza biopsicossocial, que envolve alterações emocionais, cognitivas e fisiológicas diante da perda de alguém significativo. Tradicionalmente abordado pela psicologia como sofrimento e adaptação, passou a ser investigado pelas neurociências, demonstrando como as emoções da perda repercutem no cérebro. Para Parkes (1998), o luto é um processo de transição psicossocial; Bowlby (1982), por sua vez, o define como uma resposta biológica ao rompimento de vínculos, fundamentada na Teoria do Apego. O avanço das ciências cognitivas revelou que a dor emocional aciona estruturas como a amígdala e o sistema límbico, responsáveis pela memória e regulação afetiva. Essa compreensão do luto como processo neuropsicológico é crucial, especialmente diante do aumento da relevância clínica e social do tema, marcada pela recente inclusão do Transtorno do Luto Prolongado (TLP) no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). Assim, o estudo dos efeitos do luto no cérebro aprimora as intervenções e favorece práticas clínicas integradas entre psicologia e neurociência. OBJETIVO O estudo tem como objetivo analisar os efeitos do luto no funcionamento cerebral, articulando perspectivas psicológicas, biológicas e sociais. Pretende-se compreender como as respostas emocionais e comportamentais se relacionam aos mecanismos neurobiológicos, especialmente à amígdala, sistema límbico e à neuroplasticidade. Busca-se, ainda, discutir as contribuições de Parkes e Bowlby, e analisar o impacto das repercussões fisiológicas e cognitivas que diferenciam o luto saudável do luto patológico (ou TLP). Por fim, visa-se reforçar as implicações práticas dessa visão integrada no cuidado em saúde. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo bibliográfico qualitativo e exploratório. O levantamento teórico incluiu autores clássicos como Parkes (1998) e Bowlby (1982), e estudos contemporâneos sobre neurobiologia do luto, como o Modelo Dual do Processamento do Luto de Stroebe e Schut (2001) e o TLP. Foi estabelecido um recorte temporal entre 2000 e 2023 para garantir a atualização das evidências neurocientíficas, embora obras seminais tenham sido incluídas para o referencial teórico. Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais e revisões sistemáticas disponíveis na íntegra, que apresentassem dados sobre alterações neuroquímicas ou funcionais do luto. Os critérios de exclusão foram textos focados exclusivamente em luto infantil ou artigos não disponíveis em acesso aberto. A metodologia baseou-se em síntese interpretativa e comparativa, relacionando teorias psicológicas com descobertas recentes da neurociência. aberto. A metodologia baseou-se em síntese interpretativa e comparativa, relacionando teorias psicológicas com descobertas recentes da neurociência. RESULTADOS Os estudos indicam que o luto mobiliza dimensões afetivas e fisiológicas que alteram o comportamento e o funcionamento cerebral. Parkes (1998) o descreve como readaptação psicossocial , enquanto Bowlby (1982) ressalta sua base biológica, onde o padrão de apego influencia a capacidade de lidar com a perda. No campo psicossocial, observam-se sintomas como isolamento, apatia e desinteresse. Biologicamente, o luto ativa o sistema límbico, a amígdala e o córtex pré-frontal. Essa ativação produz desequilíbrios hormonais (aumento do cortisol) e redução da imunidade , desencadeando sintomas físicos como insônia, fadiga e distúrbios alimentares. A neuroplasticidade destaca-se como o mecanismo fundamental de adaptação. Ela permite ao cérebro reorganizar conexões e favorecer a recuperação emocional. Essa reorganização neurológica e fisiológica é o que possibilita a reconstrução psíquica, confirmando que o luto não se limita à dor simbólica. A relevância clínica é sublinhada pelas evidências de que o luto patológico (TLP) apresenta padrões de ativação cerebral distintos, com hiperatividade do circuito de recompensa associado à memória da pessoa falecida, sugerindo um desvio no processo adaptativo. CONCLUSÃO Conclui-se que o luto é um processo multidimensional que envolve modificações neurológicas e corporais, além da esfera emocional. A dor da perda repercute em estruturas cerebrais (amígdala, sistema límbico ), mas a neuroplasticidade permite que o cérebro se adapte e promova equilíbrio. A integração entre psicologia e neurociência é fundamental para intervenções terapêuticas mais eficazes, especialmente no tratamento do TLP, exigindo um olhar que una ciência e sensibilidade. Uma limitação do presente estudo bibliográfico é a dependência de dados secundários e a variabilidade metodológica das pesquisas primárias sobre neurociência do luto, um campo em expansão. Sugere-se que estudos futuros explorem a eficácia de intervenções baseadas no modelo dual do luto à luz da neurobiologia. REFERÊNCIAS ARANTES-GONÇALVES, F. Luto e depressão: da psicanálise às neurociências. Interações: Sociedade e as novas modernidades, v. 11, n. 21, p. 15-32, 2013. BOWLBY, J. Attachment and loss: Vol. 1. Attachment. Nova York: Basic Books, 1982. BROMBERG, M. H. P. F. A psicoterapia em situações de perdas e luto. Campinas: Livro Pleno, 2000. CAMPOS, M. T. F. S. A influência do luto no comportamento alimentar e suas implicações nas condutas nutricionais. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, p. 2769-2779, 2013. CORDEIRO, M. D. S. Diálogos entre a neurociência e a psicologia, com foco no luto: um estudo bibliográfico. Dissertação (Mestrado em Psicologia) — PUC-SP, 2014. DAMÁSIO, A. R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. LENT, R. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais de neurociência. São Paulo: Atheneu, 2004. MSAWA, C. S. et al. Os efeitos do luto no cérebro. Revista Simbio-Logias, v. 14, n. 20, p. 68–87, 2022. PARKES, C. M. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 1998. PURVES, D. et al. Neurociências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Título do Evento
XIII UNIVERSO ATENEU
Cidade do Evento
Fortaleza
Título dos Anais do Evento
Anais do XIII UNIVERSO ATENEU
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BESSA, Isabelly Rocha et al.. OS EFEITOS DO LUTO NO CÉREBRO.. In: Anais do XIII UNIVERSO ATENEU. Anais...Fortaleza (CE) UNIATENEU, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xiii-universo-ateneu-638379/1422145-OS-EFEITOS-DO-LUTO-NO-CEREBRO. Acesso em: 24/05/2026

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