SEMEANDO RESISTÊNCIA: A AGRICULTURA URBANA COMO RECONFIGURAÇÃO TERRITORIAL NA BAIXADA FLUMINENSE

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
SEMEANDO RESISTÊNCIA: A AGRICULTURA URBANA COMO RECONFIGURAÇÃO TERRITORIAL NA BAIXADA FLUMINENSE
Autores
  • João Pedro Costa e Silva
  • Betty Nogueira Rocha
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Sociais Aplicadas - Economia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331686-semeando-resistencia--a-agricultura-urbana-como-reconfiguracao-territorial-na-baixada-fluminense
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Agricultura Urbana e Periurbana, Economia Solidária, Território, Resistência, Baixada Fluminense.
Resumo
Autores: João Pedro Costa e Silva (Bolsista PIBIC/UFRRJ); Profa. Dra. Betty Nogueira Rocha (Orientadora, UFRRJ). Resumo – RAIC 2025 O intenso processo de urbanização da Região Metropolitana do Rio de Janeiro gerou metrópoles marcadas por desigualdades socioespaciais e vulnerabilidade alimentar. Nesse contexto, a agricultura urbana e periurbana (AUP) ressurge como prática de resistência, fortalecendo circuitos curtos de produção e consumo e reconfigurando os territórios. Este trabalho apresenta os resultados da pesquisa de iniciação científica desenvolvida entre agosto de 2024 e agosto de 2025, cujo objetivo foi investigar como agricultores urbanos e periurbanos da Baixada Fluminense constroem vínculos de pertencimento e territorialidade por meio da economia solidária. A investigação articulou os conceitos de território (SANTOS, 2006), bem como a crítica ao desenvolvimento capitalista e à mercantilização da terra (HARVEY, 2004), compreendendo a economia solidária como prática contra-hegemônica (SINGER, 2002;). A metodologia combinou pesquisa de campo, observação participante e alguns preceitos da pesquisa-ação no âmbito do Projeto de Pesquisa e Extensão em Agricultura Urbana e Economia Solidária, realizado através da parceria entre UFRRJ, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Instituto Zeca Pagodinho. A pesquisa foi realizada durante a execução de duas das metas articuladas às práticas de extensão: (i) curso de capacitação realizado de novembro de 2024 a agosto de 2025 e (ii) construção coletiva de uma Unidade Pedagógica e Solidária de Agricultura Urbana. Em dois momentos da realização dessas etapas foram aplicados formulários socioeconômicos, realizadas rodas de conversa e oficinas participativas. Inicialmente composta por 57 inscritos, a turma que finalizou o curso foi composta por 30 participantes residentes majoritariamente em Duque de Caxias (83,3%), com predominância de mulheres (70%) e afrodescendentes (52,4%). Com produção destinada predominantemente para autoconsumo, troca e doação (95,2%) esses agricultores associam o cultivo à promoção da saúde mental, reforçando a dimensão terapêutica e comunitária da prática. Apenas 28,6% produzem para venda em circuitos curtos de comercialização como feiras locais realizadas nos municípios da Baixada e na cidade do Rio de Janeiro em virtude de se constituírem em locais com relativa autonomia dos agricultores, predominância das relações solidárias no processo de organização da comercialização e se configuram em espaços onde as relações estão alicerçadas em laços de amizade, compadrio, reciprocidade e confiança (CONTRIGIANI et al, 2022, p. 5-6). Os dados revelam que a agricultura urbana expressa um processo de reapropriação do território, em que valores de uso e solidariedade desafiam a lógica da mercantilização do espaço urbano e a especulação imobiliária crescente, especialmente em Xerém. A circulação dos agricultores por múltiplos espaços — hortas domésticas, feiras, redes de troca e coletivos — demonstra a solidariedade como estratégia de resistência e de fortalecimento de redes de apoio. A construção da Unidade Pedagógica, com hortas em diferentes tipologias, composteiras e duas mandalas agroecológicas compostas exclusivamente por plantas medicinais, consolidou um espaço de experimentação, ensino e socialização de saberes. Conclui-se que a agricultura urbana na Baixada Fluminense é mais que uma atividade econômica ou alimentar, trata-se de significativa estratégia baseada no sentimento de pertencimento ao tecido social do território com capacidade de fortalecer identidades coletivas e ampliar as possibilidades de produção de vida frente às crises urbanas e ambientais. A experiência confirma o papel da iniciação científica e extensão universitária como instrumentos de transformação social e de trocas entre saberes ancestrais e acadêmicos. Referências CONTRIGIANI, A.C et al. Circuitos curtos de comercialização. Araras: UFSCar/CPOI, 2020. HARVEY, D. O Enigma do Capital. Boitempo, 2010. SANTOS, M. A natureza do espaço. São Paulo : Edusp, 2006. SINGER, P. Introdução à economia solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, João Pedro Costa e; ROCHA, Betty Nogueira. SEMEANDO RESISTÊNCIA: A AGRICULTURA URBANA COMO RECONFIGURAÇÃO TERRITORIAL NA BAIXADA FLUMINENSE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331686-SEMEANDO-RESISTENCIA--A-AGRICULTURA-URBANA-COMO-RECONFIGURACAO-TERRITORIAL-NA-BAIXADA-FLUMINENSE. Acesso em: 29/05/2026

Trabalho

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