Título do Trabalho
ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DA UFRRJ
Autores
  • Pâmela Chagas
  • Rafael Wagner Reis Barbosa
  • Carla Cristine Vicente
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Psicologia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331336-aspectos-psicossociais-das-mudancas-climaticas-em-estudantes-universitarios-da-ufrrj
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Mudanças climáticas; Consciência Ecológica; Bem-estar psicossocial; Estudantes universitários; Ecoansiedade; Esperança Ativa.
Resumo
As mudanças climáticas, afetam não apenas o meio ambiente, mas também os aspectos psicossociais das populações. Esse fenômeno é caracterizado pelo aumento da temperatura média do planeta devido a fatores naturais e humanos. No contexto universitário, onde o acesso à informação é constante e as incertezas sobre o futuro no contexto das mudanças climáticas são crescentes, estudantes têm apresentado sintomas associados aos impactos psicossociais da crise climática. Assim, o presente trabalho objetivou investigar os aspectos psicossociais das mudanças climáticas em estudantes universitários da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A partir de uma abordagem qualitativa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 15 estudantes (20–29 anos) de diversos cursos, cujas falas foram analisadas segundo os pressupostos de Bardin para identificar categorias relativas à percepção das mudanças climáticas, consciência ecológica, influência do sistema capitalista e autorresponsabilização. Os resultados revelaram que ondas de calor e infraestrutura precária no campus como salas sem ventilação adequada, trajetos expostos ao sol e falta de coleta seletiva, impactam diretamente o bem-estar físico e emocional dos estudantes, gerando sintomas de cansaço, tontura e ecoansiedade. Apesar das limitações institucionais, emergiu uma forte “esperança ativa”, traduzida em micro-ações cotidianas (reuso de água, copos reutilizáveis, hortas caseiras) e em engajamento em mutirões externos (plantio de árvores, limpeza de rios), apontando para o potencial mobilizador da ação coletiva e para o desejo de pressionar a universidade e o poder público por práticas mais sustentáveis. Com base nas transcrições e análises presentes na presente pesquisa, observa-se também que os impactos relatados não são apenas físicos, mas configuram um efeito cotidiano sobre o rendimento acadêmico e sobre a saúde mental dos discentes: relatos de aulas canceladas ou realocadas, dificuldade de realização de atividades práticas em dias de calor extremo, episódios de desmaio ou mal-estar em trabalhos de campo e prejuízos a pesquisas por problemas de umidade e falta de água ilustram como a combinação de eventos climáticos e infraestrutura deficiente amplifica vulnerabilidades já existentes. As falas documentadas evidenciam uma frustração com a ausência de respostas institucionais, muitos estudantes acabam organizando ações informais fora dos espaços oficiais da universidade, apontando uma tensão entre responsabilidade individual e necessidade de intervenção estrutural. Essa tensão reforça a recomendação por políticas públicas e institucionais que superem a mera apelação ao comportamento individual. Além das recomendações já propostas, o documento indica intervenções concretas de baixa complexidade e alto impacto para mitigar os problemas vivenciados no campus, tais como arborização estratégica dos trajetos, instalação de sistemas de captação e reuso de água, implementação de áreas sombreadas e ventilação apropriada em salas de aula, programas de compostagem e coleta seletiva e ações integradas de saúde mental voltadas ao manejo da ecoansiedade. Finalmente, o estudo ressalta a importância de articular ensino, pesquisa e extensão para transformar a “esperança ativa” em programas institucionais sustentáveis e duradouros, reforçando que a resposta universitária às mudanças climáticas deve priorizar tanto a mitigação física dos impactos no campus quanto o apoio psicossocial aos estudantes afetados. Conclui-se que, embora os estudantes demonstrem alto grau de autorresponsabilização e crítica ao capitalismo como fator catalisador da crise, a UFRRJ ainda carece de políticas e infraestruturas verdes que consolidem essa consciência em ações efetivas. Recomenda-se, portanto, a integração de cláusulas de sustentabilidade nos currículos, a implantação de projetos de infraestrutura verde e o fortalecimento de programas permanentes de extensão voltados à minimizar os danos das mudanças climáticas.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CHAGAS, Pâmela; BARBOSA, Rafael Wagner Reis; VICENTE, Carla Cristine. ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DA UFRRJ.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331336-ASPECTOS-PSICOSSOCIAIS-DAS-MUDANCAS-CLIMATICAS-EM-ESTUDANTES-UNIVERSITARIOS-DA-UFRRJ. Acesso em: 29/05/2026

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