Título do Trabalho
GEOGRAFIAS DO REFÚGIO: TERRITORIALIDADES PALESTINAS EM SÃO PAULO.
Autores
  • Kawana Vitória Gussate Vianna
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331029-geografias-do-refugio--territorialidades-palestinas-em-sao-paulo
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Refugiados, Migração. Territorialidade, Palestina
Resumo
A migração forçada é um dos processos mais marcantes do século XXI, capaz de reconfigurar territórios e transformar as cidades em espaços de múltiplos pertencimentos. No Brasil, São Paulo se destaca como destino de diferentes fluxos migratórios, acolhendo uma diversidade de grupos sociais que buscam reconstruir suas vidas em meio à precariedade. Entre esses grupos está a comunidade palestina, cuja presença evidencia a forma como refugiados inscrevem novas territorialidades em meio a condições desiguais de acolhimento. A cidade de São Paulo, marcada pela concentração de riqueza e por intensas desigualdades socioespaciais, não garante de forma plena os direitos básicos previstos na legislação brasileira do refúgio (Lei nº 9.474/1997). Embora reconheça formalmente a proteção a solicitantes de refúgio, na prática, a implementação das políticas é fragmentada e insuficiente. Essa lacuna transfere responsabilidades para a sociedade civil, tornando mesquitas, ONGs, restaurantes e centros culturais protagonistas na construção de redes de solidariedade. Esses espaços funcionam como microterritórios de resistência, nos quais práticas de hospitalidade e pertencimento são cotidianamente reinventadas. O objetivo deste trabalho é compreender como refugiados palestinos constroem territorialidades em São Paulo, analisando práticas de acolhimento, redes de apoio e estratégias de resistência diante da ausência estatal. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa orientada pelo materialismo, privilegiando a análise das condições estruturais, políticas e econômicas que moldam o refúgio. Foram utilizados três procedimentos principais: (a) revisão bibliográfica sobre migração, refúgio, territorialidade e solidariedade, em diálogo com autores como Raffestin (1993), Macé (2020), Orlandi (2009) e Souza (2006); (b) entrevistas semiestruturadas com refugiados palestinos e instituições de acolhimento, em andamento, analisadas por meio da análise temática (Braun; Clarke, 2006) e da análise de discurso; e (c) trabalho de campo exploratório no restaurante árabe-palestino Al Janiah, no bairro do Bixiga, que se tornou referência de articulação entre acolhimento, cultura e militância. Os resultados preliminares indicam que o refúgio palestino em São Paulo deve ser compreendido a partir de duas dimensões complementares. De um lado, a exclusão estrutural: marcada pela dificuldade de acesso a moradia, emprego, saúde e educação, essa realidade revela a insuficiência das políticas públicas e a transferência da responsabilidade para atores não estatais. De outro, a solidariedade comunitária: a formação de redes em torno de mesquitas, centros culturais e associações fortalece vínculos sociais e culturais, permitindo que os refugiados transformem sua condição de vulnerabilidade em práticas de resistência. O restaurante Al Janiah exemplifica essa dinâmica ao unir gastronomia, ativismo político e identidade cultural. Nesse espaço, a hospitalidade assume caráter híbrido, funcionando tanto como fonte de renda e visibilidade social quanto como instância de mobilização política. Nele, a luta palestina conecta-se a pautas brasileiras, como o combate ao racismo e a defesa de direitos humanos, mostrando como a solidariedade se materializa em práticas concretas de resistência. Essas experiências demonstram que os refugiados não são apenas receptores passivos de ajuda humanitária, mas sujeitos ativos na produção de novas formas de vida. A partir de um olhar materialista, percebe-se que suas práticas de acolhimento e pertencimento emergem como resposta à exclusão, ao mesmo tempo em que revelam a potência criativa de comunidades migrantes diante da precariedade. Conclui-se que São Paulo se configura simultaneamente como espaço de exclusão e solidariedade. As contradições da metrópole se expressam no cotidiano da comunidade palestina, que enfrenta desigualdades estruturais, mas também constrói territórios de memória e resistência. Reconhecer e fortalecer esses espaços é fundamental para que o refúgio não seja visto apenas como experiência de sobrevivência, mas como possibilidade concreta de futuro coletivo, no qual os refugiados participam ativamente da construção da cidade.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIANNA, Kawana Vitória Gussate. GEOGRAFIAS DO REFÚGIO: TERRITORIALIDADES PALESTINAS EM SÃO PAULO... In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1331029-GEOGRAFIAS-DO-REFUGIO--TERRITORIALIDADES-PALESTINAS-EM-SAO-PAULO. Acesso em: 29/05/2026

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