Título do Trabalho
MOBILIDADE, VIDA COTIDIANA E FINANCEIRIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO E NA BAIXADA FLUMINENSE
Autores
  • Vitória Martins Bernardes
  • Lirian Melchior
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1329667-mobilidade-vida-cotidiana-e-financeirizacao--no-rio-de-janeiro-e-na-baixada-fluminense
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
movimento pendular, financeirização, vida cotidiana, SuperVia, MetrôRio
Resumo
Produzida nos termos da mundialidade atual, os estudos sobre mobilidade pendular se mostram essências à compreensão da totalidade urbana contemporânea. Pois é através dos deslocamentos diários, e dos meios pelos quais são realizados, que se revelam as contradições do espaço urbano. Sendo este subordinado aos ritmos de valorização e desvalorização contínua do capital, reorganiza e reorienta as práticas urbanas (Melchior, Rocha, 2020). Dessa forma, a mobilidade urbana é o meio pelo qual o sujeito citadino se adapta aos “ritmos de valorização fictícia do capital, em sua [atual] condição de mundialização financeira” (Martins, 2011), sendo, portanto, circunstancial para a própria dinâmica capitalista. Assim, sendo a própria “condição necessária, senão suficiente, da gênese do capitalismo” (Gaudemar, 1977), a mobilidade da força de trabalho é essencial ao “vai-e-vem” do capital (Smith, 1984). Além disso, na era do capital fictício, a mobilidade constitui um dos meios pelos quais a financeirização da vida cotidiana se realiza. Interesses globais e necessidades locais se confundem, isto é, “capital mundial” e “realidade local” são expressões de uma mesma economia ficcionalizada que encontra no espaço urbano, e em seus repetidos rearranjos, o seu caminho de sobrevida. Promovendo um jogo de escalas e levando em consideração a proximidade empírica, este estudo buscou analisar como tais relações se expressam na cidade do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense - esta última não em totalidade, mas considerando os municípios que a compõem e se desmembraram de Nova Iguaçu. Tal análise é feita a partir dos eixos de transporte ferroviário - trem e metrô. A tarefa tem se realizado por meio da revisão da literatura, com apoio nas obras Mobilidade do Trabalho e Acumulação de Capital, de J. Paul Gaudemar, e Os Limites do Capital, de David Harvey. Também, a análise de dados secundários, adquiridos por meio de notícias e relatórios do estado e das próprias empresas, é fundamental para o aporte quantitativo do argumento. Ainda, com a intenção de apreender as imbricações cotidianas que as tabelas numéricas não nos revelam, o trabalho de campo será realizado. Transporte de massa por natureza, o metrô na cidade do Rio de Janeiro assume o caráter gentrificado. Isso porque, com sua malha ferroviária insuficiente, ele não cobre 30% do território fluminense, concentrando-se apenas nas zonas elitizadas da cidade. Com a tarifa mais cara do país, o transporte não integra, mas atua como agente de segregação na capital carioca. Operado pelo fundo de investimento do governo de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), a empresa, Mudabala Invest Company, atua como investidora global de ativos, como infraestrutura, saúde, petróleo etc. Junto a isso, tem-se a SuperVia, responsável pela operação dos trens urbanos em toda região metropolitana fluminense, está em processo de recuperação judicial e devolveu o direito de operação para o governo do estado. A empresa é controlada pela GUMI (Guarana Urban Mobility Incorporated), que por sua vez pertence a Mitsui & Co. Ltd., um dos maiores conglomerados de comércio e investimento no Japão, listada na bolsa de Tokyo. Fica evidente que, subordinadas aos interesses globais, a mobilidade urbana no Rio de Janeiro é um empreendimento privado e lucrativo, no entanto, seus prejuízos são socializados. Portanto, é urgente a ampliação da Tarifa Zero e a prática do Sistema Único de Mobilidade, a fim de garantir transporte universal e gratuito, que atenda as demandas coletivas. E a reorganização dos transportes coletivos passam por esses caminhos pois, partindo da ideia de que a vida urbana se realiza sob o signo da mobilidade (Telles, 2006), entendemos que ela também o faz sob o signo da financeirização. Está posta a hipótese.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BERNARDES, Vitória Martins; MELCHIOR, Lirian. MOBILIDADE, VIDA COTIDIANA E FINANCEIRIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO E NA BAIXADA FLUMINENSE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1329667-MOBILIDADE-VIDA-COTIDIANA-E-FINANCEIRIZACAO--NO-RIO-DE-JANEIRO-E-NA-BAIXADA-FLUMINENSE. Acesso em: 28/05/2026

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