Título do Trabalho
A RELAÇÃO ENTRE ESPAÇOS FIXOS E FLUXOS NA BAIXADA FLUMINENSE
Autores
  • Gilmar de Oliveira Machado
  • Larissa Pereira
  • Anita Loureiro de Oliveira
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1326314-a-relacao-entre-espacos-fixos-e-fluxos-na-baixada-fluminense
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Palavras-chave: periferias urbanas; mobilidade; segregação socioespacial;
Resumo
A análise da relação entre fixos e fluxos é fundamental para compreender a dinâmica das regiões periféricas, em especial a Baixada Fluminense, território marcado por desigualdades históricas, estigmas sociais e carência de investimentos públicos. Inserida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Baixada apresenta uma configuração singular, na qual a proximidade com o centro não garante a integração plena aos fluxos urbanos mais dinâmicos. O objetivo deste trabalho é investigar como a infraestrutura e as representações sociais atuam na conformação do espaço, limitando ou potencializando a circulação de pessoas, recursos e informações, ao mesmo tempo em que revelam práticas de resistência e valorização cultural capazes de ressignificar o território. Como base teórica, adota-se a perspectiva de Milton Santos (2006), para quem o espaço geográfico resulta da interação entre sistemas de objetos e sistemas de ações, constituindo um espaço vivo que não pode ser compreendido isolando-se os elementos materiais das práticas sociais. A metodologia empregada tem caráter qualitativo e interpretativo, fundamentando-se em revisão bibliográfica, análise conceitual e observação territorial. Foram tomados como referência os conceitos de fixos, fluxos e sistemas de objetos e de ações propostos por Santos (2006), articulados à experiência empírica da autora, moradora da Baixada Fluminense, o que confere ao estudo uma dimensão situada e sensível. O olhar cotidiano sobre o território permitiu identificar tanto as contradições impostas pela precariedade urbana quanto as potencialidades presentes nas redes culturais, práticas políticas alternativas e formas de resistência locais. Como estudo de caso, foi analisada a Rodovia Presidente Dutra (BR-116), inaugurada em 1951, eixo de infraestrutura que ultrapassa a função de conectar cidades e que molda fixos e fluxos no município de Nova Iguaçu. Os resultados e discussões demonstram que a Dutra, compreendida como sistema de objetos (SANTOS, 2006), não apenas articula deslocamentos intermunicipais, mas também atua como fronteira física, simbólica e social, fragmentando o território e condicionando a urbanização local. Historicamente implantada sem diálogo com os tecidos urbanos que atravessa, produziu fixos opacos, áreas com infraestrutura precária e pouca integração aos fluxos sociais e econômicos. Entretanto, a requalificação de pontos específicos, como o Posto Treze no bairro da Prata, mostra como mudanças de fluxos podem ressignificar fixos, reintegrando-os às dinâmicas urbanas por meio da instalação de serviços, melhoria de mobilidade, iluminação e segurança. Além disso, pontos de travessia como viadutos, passarelas e cruzamentos surgem como oportunidades estratégicas de intervenção urbana, capazes de conectar escalas locais e globais. Nesse contexto, as práticas culturais e redes de resistência que emergem da Baixada reforçam a ideia de que a periferia não é apenas carência, mas também possibilidade, contestando a homogeneização estigmatizante e projetando novas formas de protagonismo urbano. Conclui-se que a relação entre fixos e fluxos na Baixada Fluminense é atravessada por contradições que revelam tanto a exclusão material e simbólica quanto a potência criativa e social de seus habitantes. Ao mesmo tempo em que a infraestrutura precária limita os fluxos econômicos, culturais e sociais, as redes locais ressignificam o espaço e produzem alternativas de resistência. Assim, compreender o território a partir da interação entre sistemas de objetos e sistemas de ações, conforme propõe Santos (2006), permite evidenciar as barreiras, mas também destacar as potencialidades que emergem das experiências cotidianas. Referência SANTOS, Milton.A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção.4. ed., 2. reimpr. São Paulo: Edusp, 2006. GRILLO, Maria Rúbia; CAPILLÉ, Cauê.Cidade-atravessamento: morfologias transversais da Rodovia Presidente Dutra na Baixada Fluminense. In: SRIU – Seminário Internacional de Investigação em Urbanismo, Lisboa, 25 de junho de 2020. Rio de Janeiro: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAUUFRJ), 2020
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MACHADO, Gilmar de Oliveira; PEREIRA, Larissa; OLIVEIRA, Anita Loureiro de. A RELAÇÃO ENTRE ESPAÇOS FIXOS E FLUXOS NA BAIXADA FLUMINENSE.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1326314-A-RELACAO-ENTRE-ESPACOS-FIXOS-E-FLUXOS-NA-BAIXADA-FLUMINENSE. Acesso em: 30/05/2026

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