Título do Trabalho
CORPOS E SENTIDOS DA RECUPERAÇÃO: PENTECOSTALISMO, PENSAMENTOS DE PAZ E PLANOS DE FUTURO
Autores
  • Matheus Moreira Santos
  • Carly Barboza Machado
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Antropologia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1326056-corpos-e-sentidos-da-recuperacao--pentecostalismo-pensamentos-de-paz-e-planos-de-futuro
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Religião, Política, Saúde, Corpo, Baixada Fluminense.
Resumo
Nas últimas décadas, as Comunidades Terapêuticas (CTs) consolidaram-se como um dos principais dispositivos de gestão da questão das drogas no Brasil. De acordo com Machado e Torres (2024) as nomenclaturas utilizadas ao longo dessas décadas eram (e por vezes continuam sendo) muito variadas: centros, clínicas e casas de recuperação são algumas delas. Apenas mais recentemente passaram a ser aglutinadas sob a categoria política de “Comunidade Terapêutica”. Apresentadas como espaços de acolhimento e tratamento, os modelos de cuidado estão quase sempre pautados na abstinência e os sujeitos submetidos a práticas cotidianas que combinam assistência espiritual, vigilância e trabalho. Embora oficialmente voltadas ao acolhimento de indivíduos que fazem uso problemático de álcool e outras drogas, as CTs acabam por acolher também outros sujeitos que não encontram lugar nas cidades, pessoas em sofrimento psíquico, idosos em situação de vulnerabilidade e moradores de rua. Assim, tornam-se não apenas espaços de cuidado, mas também zonas de exílio (MACHADO, 2021) e exclusão regulada para indivíduos marcados por diferentes experiências de sofrimento. Compreendendo as CTs não apenas como produtos de marcos legais, mas como campos de disputa, objetivamos analisar a agência dos corpos dos abrigados. Argumentamos que a precariedade dessas vidas, tratadas como “abjetas” e “não enlutáveis” , possui uma força política. O levantamento bibliográfico apoiou a análise, mobilizando conceitos como corpo abjeto (Rui, 2014), abjeção (Kristeva, 1982) e perfomatividade incomoda (Porto, 2016). A pesquisa empregou a etnografia como método central, realizada na CT Parque Brasil, localizada na Baixada Fluminense. O trabalho de campo, desenvolvido ao longo de 2024 e 2025 , envolveu observação participante, acompanhamento de atividades e conversas com gestores (Pastor Lucas e líderes) e abrigados, buscando compreender os sentidos da recuperação mediada pelo pentecostalismo. A etnografia evidenciou que a dinâmica do campo é reconfigurada por eventos internos e externos. Os resultados empíricos residem na análise do caráter performativo do corpo abjeto. O episódio da morte de um interno em outra instituição da região, em 2024 , desencadeou uma série de fiscalizações, autuações e fechamentos. Na CT esse evento mobilizou um processo acelerado de formalização, com a criação de um novo CNPJ e estatuto, reorganização do espaço físico e redefinição de normas de convivência, como a abolição da punição chamada de “disciplina”, onde o abrigado só poderia "comer angu" por determinado período. A ao longo de poucos meses a CT mudou bastante no sentido mais material e visual. Havia reformas de vários espaços, trocas e novas composições, reorganizações dos espaços tais como eu havia conhecido ao ganhar acesso a CT. Meses antes havia muitos abrigados, mais do que camas e do que o espaço em si poderia comportar. Pessoas dormiam nas varandas, corredores, amontoados em literalmente qualquer área coberta que desse para improvisar uma cama. Agora espaços que antes eram dormitórios viraram uma sala para reuniões, um espaço que antes era uma varanda e uma espécie de depósito foram reformados para serem novos dormitórios com triliches de ferro e colchões novos. A pintura das paredes havia sido refeita na maior parte nas áreas externas e em boa parte interna, também receberam algum tipo de tratamento mais estrutural, para rachaduras, vazamentos e infiltrações e a parte elétrica estava começando a ser trabalhada nesses espaços. Conclui-se que as CTs estão longe de serem meros objetos de gestão estatal, a precariedade e a morte do corpo abjeto atuam como forças políticas que mobilizam rearranjos normativos e administrativos. O trabalho destaca que, mesmo em sua condição de abjeção, os corpos abrigados demonstram capacidade de agência, sendo, paradoxalmente, elementos constitutivos e desestabilizadores da ordem social e das políticas de cuidado.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Matheus Moreira; MACHADO, Carly Barboza. CORPOS E SENTIDOS DA RECUPERAÇÃO: PENTECOSTALISMO, PENSAMENTOS DE PAZ E PLANOS DE FUTURO.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1326056-CORPOS-E-SENTIDOS-DA-RECUPERACAO--PENTECOSTALISMO-PENSAMENTOS-DE-PAZ-E-PLANOS-DE-FUTURO. Acesso em: 30/05/2026

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