Título do Trabalho
RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM BACTÉRIAS DE AVES SILVESTRES SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA
Autores
  • Maria Rita Dager Costa Vieira
  • Manuela de Jesus Pitta
  • Rebeca Praxedes Nogueira Dantas
  • Letícia Baptista Pinto
  • Claudio Marcos Rocha de Souza
  • Sophia Marques Potz de Oliveira da Costa
  • Luana de Oliveira Silva
  • Theresse Camille Nascimento Holmström
  • Miliane Moreira Soares de Souza
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Agrárias - Medicina Veterinária
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325805-resistencia-antimicrobiana-em-bacterias-de-aves-silvestres-sob-a-perspectiva-da-saude-unica
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Zoonoses; microbiota aviária; Saúde Única; antimicrobianos; monitoramento ambiental.
Resumo
As aves silvestres podem atuar como importantes reservatórios de patógenos bacterianos relevantes para a saúde humana. Devido à ampla distribuição geográfica e ao comportamento migratório, desempenham papel estratégico como sentinelas de doenças zoonóticas. Quando interagem com ambientes urbanos, intensifica-se o risco de troca e disseminação de bactérias resistentes, que podem afetar tanto seres humanos quanto animais de produção, comprometendo a saúde no contexto da abordagem única. Entre os principais patógenos associados a essas aves destacam-se Staphylococcus spp., Streptococcus spp., Enterococcus spp. e membros da família Enterobacteriaceae. O presente estudo, desenvolvido pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aprovado pela CEUA n° 6239180418, teve como objetivo identificar os principais patógenos bacterianos presentes em aves da ordem Passeriformes e da espécie Fregata magnificens, encontrados no Parnaso (Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e nas Ilhas Cagarras, e avaliar o perfil de resistência antimicrobiana. Foram coletadas 55 amostras de swab cloacal do Parnaso, além de nove swabs orais e onze cloacais das Ilhas Cagarras. As amostras foram cultivadas em ágar sangue de carneiro a 5%, ágar sangue com azida e meio CLED, incubadas entre 24 e 48 horas a 37 °C. Em seguida, os isolados foram submetidos à identificação presuntiva e posterior confirmação por espectrometria de massa (MALDI-TOF). As bactérias de interesse foram semeadas em ágar Mueller-Hinton, e os antimicrobianos testados foram divididos por classe farmacológica: os betalactâmicos, incluindo amoxicilina com clavulanato, ampicilina, penicilina, aztreonam, ceftazidima, cefepima, cefotaxima, cefoxitina e ceftriaxona; as fluoroquinolonas, ciprofloxacina, enrofloxacina e norfloxacina; as tetraciclinas, doxiciclina e tetraciclina; os macrolídeos, eritromicina; as lincosamidas, clindamicina; e os glicopeptídeos, vancomicina. A avaliação da suscetibilidade foi realizada pelo método de difusão em disco, com padronização de inóculo na escala de 0,5 McFarland, conforme normas do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). Ao final, foram obtidos 51 isolados bacterianos, sendo 84,3% oriundos de swabs cloacais e 15,7% de swabs orais, restritos a aves migratórias. Observou-se predominância de Enterococcus spp. (27,9%), seguida por Staphylococcus spp. (18,6%) e Escherichia coli (18,6%). Em menor frequência, detectaram-se Enterobacter spp. (6,98%), Serratia spp. (4,65%), Hafnia alvei (4,65%), Streptococcus spp. (4,65%) e Citrobacter freundii (2,32%). Todas as espécies apresentaram resistência a pelo menos um antimicrobiano testado. No perfil de suscetibilidade, Staphylococcus spp. demonstrou 50% de resistência à penicilina (4/8), 12,5% à tetraciclina (1/8) e 12,5% à clindamicina (1/8). Streptococcus spp. apresentou 50% de resistência à ceftriaxona (1/2) e 100% à tetraciclina (2/2). Em Enterococcus spp., observou-se 16,6% de resistência à tetraciclina (2/12), 8,3% de suscetibilidade intermediária à clindamicina (1/12) e sensibilidade à vancomicina. Entre as Enterobacteriaceae, Hafnia alvei apresentou 50% de resistência à ampicilina (1/2); Enterobacter spp. teve 33,3% de resistência à amoxicilina com clavulanato (1/3) e 66,6% à ceftriaxona (2/3); e Escherichia coli exibiu perfis variados de resistência, incluindo 10% à ampicilina (1/10), 10% à ciprofloxacina (1/10), 20% à doxiciclina (2/10) e 30% à tetraciclina (3/10). Esses resultados evidenciam a importância das aves silvestres como reservatórios e disseminadores de genes de resistência antimicrobiana. A detecção de bactérias multirresistentes em aves livres reforça seu potencial papel como vetores de resistência entre ecossistemas e espécies, ampliando o risco de disseminação para animais de produção e seres humanos. Os achados reforçam a necessidade de abordagens integradas de monitoramento e controle, alinhadas à perspectiva de Saúde Única, para enfrentar os desafios transfronteiriços e multiespécies impostos pela resistência antimicrobiana.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIEIRA, Maria Rita Dager Costa et al.. RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM BACTÉRIAS DE AVES SILVESTRES SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325805-RESISTENCIA-ANTIMICROBIANA-EM-BACTERIAS-DE-AVES-SILVESTRES-SOB-A-PERSPECTIVA-DA-SAUDE-UNICA. Acesso em: 30/05/2026

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