FOGO COMO COVARIÁVEL NA MODELAGEM ESPACIAL DO ESTOQUE DE CARBONO ORGÂNICO DO SOLO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
FOGO COMO COVARIÁVEL NA MODELAGEM ESPACIAL DO ESTOQUE DE CARBONO ORGÂNICO DO SOLO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Autores
  • EDUARDO CARNEIRO GONÇALVES
  • Isabella Silva Lopes
  • Maria Eduarda Silva de Oliveira
  • Marcos Gervasio Pereira
  • Eduardo Carvalho da Silva Neto
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Agrárias - Agronomia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325802-fogo-como-covariavel-na-modelagem-espacial-do-estoque-de-carbono-organico-do-solo-no-territorio-brasileiro
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
sensoriamento remoto , matéria orgânica do solo, mudanças climáticas.
Resumo
Os efeitos do fogo na modelagem do carbono orgânico do solo (COS) no Brasil ainda necessitam de refinamento. Isso porque, melhorar a modelagem e, consequentemente, o monitoramento desse elemento no solo é relevante diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.Diante disso, este trabalho teve como objetivo levantar, revisar e analisar dados de literatura sobre impactos do fogo nos solos brasileiros para identificar covariáveis capazes de melhorar a precisão dos Mapas de Estoque de Carbono no Solo no âmbito do Projeto MapBiomas. Foi também avaliada a viabilidade de reutilizar variáveis já empregadas nos Mapas de Cicatrizes de Fogo, sendo elas “frequência do fogo” e “tempo desde o último evento de fogo”. Realizou-se uma busca por artigos revisados por pares, indexados nas plataformas Scopus, Web of Science e/ou SciELO, utilizando as palavras-chave “fogo” OU “queima” E “solo”, selecionando estudos com dados primários realizados no Brasil. Dos estudos encontrados e selecionados, foram extraídas informações sobre o efeito do fogo em propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, estoques de C e N, além de características das áreas (bioma, classe de solo, clima, tipo de vegetação, profundidade amostrada, etc.). Os dados foram organizados em planilha para análise estatística, com implicações diretas para a modelagem do COS. A análise sistemática dos resultados indica que o fogo afeta o solo de maneiras distintas conforme intensidade, frequência e escala temporal, com efeitos que podem ser divididos em físicos, químicos e biológicos. Do ponto de vista físico, a combustão da matéria orgânica desestabiliza os agregados do solo, aumenta a suscetibilidade à erosão, reduz a porosidade, o que eleva a densidade do solo. Também se observa formação de hidrofobicidade na camada superficial, dificultando a infiltração. Quimicamente, ocorre mineralização da matéria orgânica com liberação de CO₂ e N para a atmosfera, enquanto as cinzas aportam cátions básicos, elevando o pH. A alcalinização pode persistir por anos, e as perdas de carbono podem não retornar aos níveis pré-fogo mesmo após longos períodos. Biologicamente, o fogo reduz a biomassa microbiana, altera a fauna do solo e diminui a diversidade microbiana, impactando a ciclagem de nutrientes. De modo geral, os estudos indicam que os efeitos se concentram nas camadas superficiais (tipicamente 0–15 cm). A frequência de fogo, a fitofisionomia e o bioma podem ser identificados como variáveis-chave no impacto do fogo no carbono do solo: formações florestais na Amazônia e Mata Atlântica tendem a ser menos adaptadas ao fogo do que savanas como o Cerrado e, por acumularem maior serapilheira, são associadas a eventos mais intensos. A grande diversidade ambiental do Brasil torna inviável aplicar um “fator fogo” uniforme em escala nacional, o que poderia gerar distorções na estimativa de COS. Conclui-se que o fogo afeta direta e indiretamente o COS e deve ser considerado na modelagem digital; porém, sua implementação precisa ser contextualizada por bioma para garantir consistência espacial. São necessárias mais pesquisas sobre o efeito do fogo no solo, principalmente no Pampa, Pantanal e Caatinga. Deve-se incorporar curvas de resposta ao fogo por bioma ou, minimamente, separar ambientes florestais e não florestais, com ênfase na camada 0–15 cm, e incluir explicitamente as covariáveis frequência e tempo desde o último evento de fogo na modelagem do COS.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, EDUARDO CARNEIRO et al.. FOGO COMO COVARIÁVEL NA MODELAGEM ESPACIAL DO ESTOQUE DE CARBONO ORGÂNICO DO SOLO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325802-FOGO-COMO-COVARIAVEL-NA-MODELAGEM-ESPACIAL-DO-ESTOQUE-DE-CARBONO-ORGANICO-DO-SOLO-NO-TERRITORIO-BRASILEIRO. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes