A CARTA COMO ESPAÇO LITERÁRIO: A CORRESPONDÊNCIA ENTRE JOYCE E POUND (1926–1938) NO CONTEXTO DO MODERNISMO

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
A CARTA COMO ESPAÇO LITERÁRIO: A CORRESPONDÊNCIA ENTRE JOYCE E POUND (1926–1938) NO CONTEXTO DO MODERNISMO
Autores
  • Helena Peçanha Cabral
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325659-a-carta-como-espaco-literario--a-correspondencia-entre-joyce-e-pound-(19261938)-no-contexto-do-modernismo
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
James Joyce, Ezra Pound, Modernismo, Tradução, Epistolografia
Resumo
A correspondência entre James Joyce e Ezra Pound, no período de 1926 a 1938, constitui um corpus significativo para a compreensão do modernismo anglo-americano, tanto em sua dimensão estética quanto em seus bastidores editoriais e pessoais. Essas cartas revelam não apenas as dificuldades práticas enfrentadas pelos escritores, como problemas financeiros, pirataria editorial, censura e doenças, mas também funcionam como espaço de reflexão crítica e de experimentação discursiva. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo analisar a carta como espaço literário no contexto modernista, considerando o recorte temporal em que Joyce, já consagrado pela publicação de Ulysses (1922), dedicava-se à escrita de sua nova obra, Finnegans Wake, ao mesmo tempo em que lidava com graves problemas de visão, sendo frequentemente obrigado a ditar seus textos a familiares. Além disso, o autor dependia de colaboradores e mecenas como Harriet Shaw Weaver, que se tornaram fundamentais para a continuidade de seu trabalho. Pound, por sua vez, acompanhava à distância o processo criativo de Joyce, mas demonstrava crescente desconforto com a complexidade experimental da nova obra, mantendo, entretanto, uma postura ativa como interlocutor e crítico. A metodologia utilizada combina a tradução comentada das cartas trocadas no período com análise crítico-literária, tendo como referenciais teóricos estudos sobre epistolografia (Altman, Derrida, Lejeune) e modernismo (Kenner, Ellmann). A tradução é compreendida não apenas como transposição linguística, mas como prática interpretativa que evidencia aspectos estilísticos, tonais e performativos das correspondências. Para tanto, buscou-se preservar marcas de oralidade, ironia e subjetividade, de modo a oferecer ao leitor lusófono uma experiência próxima da intencionalidade original. Os resultados obtidos até o momento mostram que, entre 1926 e 1938, as cartas cumprem múltiplas funções: registro de disputas editoriais, como a pirataria de Ulysses promovida por Samuel Roth; espaço de confidência pessoal, especialmente quanto à saúde de Joyce e à carreira de seu filho Giorgio; e terreno de afirmação de uma persona literária, em que os autores se apresentam como críticos, mediadores e participantes de um movimento cultural em transformação. Observa-se que a correspondência desse período não pode ser reduzida a mero documento biográfico, pois apresenta elementos de construção narrativa típicos do modernismo, como fragmentariedade, ironia, performatividade e experimentalismo estilístico. A discussão aponta para a importância da carta enquanto espaço literário, em que vida, obra e crítica se entrelaçam e se ressignificam mutuamente. Conclui-se que a correspondência entre Joyce e Pound de 1926 a 1938 deve ser compreendida como parte integrante do projeto modernista, ampliando os limites do literário para além das publicações canônicas e revelando o papel das cartas como textos literários em si. Nesse sentido, a tradução contribui para ampliar sua recepção no contexto lusófono e para destacar sua relevância na história do modernismo, reafirmando a carta como um gênero fundamental para a compreensão do período.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CABRAL, Helena Peçanha. A CARTA COMO ESPAÇO LITERÁRIO: A CORRESPONDÊNCIA ENTRE JOYCE E POUND (1926–1938) NO CONTEXTO DO MODERNISMO.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325659-A-CARTA-COMO-ESPACO-LITERARIO--A-CORRESPONDENCIA-ENTRE-JOYCE-E-POUND-(19261938)-NO-CONTEXTO-DO-MODERNISMO. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

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