ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA NEGRITUDE EM CONTRASTE COM A BRANQUITUDE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E HISTÓRIAS DE VIDA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA NEGRITUDE EM CONTRASTE COM A BRANQUITUDE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E HISTÓRIAS DE VIDA
Autores
  • Karoliny Gonçalves Souto
  • LUCIENE ALVES MIGUEZ NAIFF
  • Adriele da Silva Gomes
  • Gabriela da Cruz Rodrigues
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Psicologia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325555-aspectos-psicossociais-da-negritude-em-contraste-com-a-branquitude--representacoes-sociais-e-historias-de-vida
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Representações Sociais, Racismo, Identidade Social.
Resumo
Na sociedade brasileira, a compreensão da negritude exige também a consideração da branquitude, entendidas aqui como noções raciais que estruturam relações sociais e simbólicas. Partindo dessa perspectiva, esta pesquisa utilizou os referenciais das representações sociais, da identidade social, da memória social e das histórias de vida para discutir como esses conceitos se articulam na compreensão do racismo no Brasil. A análise não se limita às opressões raciais externas, mas adentra o sofrimento psíquico produzido pelas questões raciais, seus reflexos na subjetividade e na construção da identidade negra, considerando ainda lembranças e esquecimentos como elementos centrais na organização dessas experiências. Assim, a pesquisa investigou a negritude em mulheres negras, analisando como suas vivências são relatadas, construídas e ressignificadas ao longo da vida. A metodologia consistiu na coleta de dados através das histórias de vida de 12 mulheres negras, considerando 3 cortes geracionais: 18 a 29 anos, 30 a 59 anos e 60 a 79 anos, e posterior análise qualitativa. O estudo buscou analisar as perspectivas das diferentes gerações sobre o racismo, explorou de que forma questões do cotidiano eram discutidas e vivenciadas por essas mulheres, desde a infância até as relações sociais na vida adulta. Os relatos evidenciam um processo de ressignificação da raça e de construção da autoestima ao longo dos anos, alimentando esperança e expectativas para as gerações futuras. As experiências narradas revelam como a questão racial atravessou o cotidiano dessas mulheres, seja pela dificuldade de aceitação do cabelo crespo e cacheado, marcada pela falta de reconhecimento do cabelo natural em determinadas épocas, seja pela discriminação no acesso ao mercado de trabalho, onde muitas vezes não eram selecionadas em entrevistas por conta da cor, do cabelo ou do tom de voz, enquanto pessoas não negras eram privilegiadas mesmo sem a qualificação necessária. Entre as mulheres mais velhas, destacou-se o distanciamento escolar e a naturalização do trabalho infantil, o que resultou na perda da infância para assumir responsabilidades domésticas e de sustento. Em relação ao racismo, algumas minimizaram ou não reconheceram situações como tais, apesar de relatarem incômodos, enquanto outras narraram episódios explícitos que impactaram a escolaridade, a aceitação dos traços de negritude e a vivência de humilhações no ambiente de trabalho. A análise articulou conceitos de identidade social, representações sociais, branquitude, negritude e memória social, os quais emergiram nas histórias de vida como parte de um processo de ressignificação da existência, da dor, da autoestima e da identidade dessas mulheres. Diante do exposto, compreende-se que lembranças e esquecimentos compõem dimensões sociais da memória, em que o que é lembrado está vinculado às vivências reforçadas coletivamente, enquanto o esquecido atua como forma de organizar a experiência. Ambos funcionam como mecanismos de proteção diante do sofrimento e como recursos de reafirmação da identidade coletiva e grupal. No contexto do racismo, esses fenômenos assumem relevância particular: o esquecimento pode servir como estratégia psíquica de enfrentamento e ressignificação, mas também como expressão de uma lógica social que silencia e nega a existência negra. Os relatos de vida analisados revelaram o sofrimento psíquico e social vivenciado pelas mulheres em relação ao racismo, demonstrando como as noções de raça em diferentes gerações moldaram a experiência de ser uma mulher negra em seus contextos específicos. Esses relatos também permitiram compreender como as representações sociais e as noções de negritude atravessam a estrutura psíquica, comportamental e identitária, ampliando a reflexão sobre tais dimensões. Ressalta-se ainda que a pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética da Plataforma Brasil, em conformidade com a Resolução nº 466/2012, sob o número 6.132.288/2023.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUTO, Karoliny Gonçalves et al.. ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA NEGRITUDE EM CONTRASTE COM A BRANQUITUDE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E HISTÓRIAS DE VIDA.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325555-ASPECTOS-PSICOSSOCIAIS-DA-NEGRITUDE-EM-CONTRASTE-COM-A-BRANQUITUDE--REPRESENTACOES-SOCIAIS-E-HISTORIAS-DE-VIDA. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes