DOI
10.29327/9786527223023.1325235  
Título do Trabalho
A ESCRITA DO SILÊNCIO: IDENTIDADE E RESISTÊNCIA NO DIÁRIO COMO AUTOBIOGRAFIA DE EVELYN SCOTT
Autores
  • Ana Carolina Medeiros de Almeida
  • Maria das Graças de Santana Salgado
Modalidade
Resumo
Área temática
Linguística, Letras e Artes - Letras
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325235-a-escrita-do-silencio--identidade-e-resistencia-no-diario-como-autobiografia-de-evelyn-scott
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Diário, Autobiografia feminina, Escrita do corpo, Gênero, A invisibilidade da mulher
Resumo
O trabalho tem o objetivo de discutir como a obra autobiográfica "Escapada" de Evelyn Scott se manifesta, através da escrita do diário, como uma ferramenta de retomada de poder sobre o discurso de si e como denúncia da invisibilidade da mulher. Elsie Dunn (1893-1963) foi uma escritora e poeta do Sul dos EUA reconhecida como uma modernista que experimentava em suas obras o imagismo, o expressionismo e a escrita do fluxo da consciência. Ainda na juventude, já demonstrava sua insatisfação com o puritanismo de sua época através de seus escritos em defesa do tratamento justo para as classes oprimidas pela sociedade, como negros, os pertencentes às classes econômicas mais baixas e mulheres. Talvez tenha sido esse seu inconformismo com as normas da sociedade que lhe deu coragem para assumir um romance proibido com o Dr.Wellman – duas vezes mais velho do que ela, casado e pai de quatro filhos, o que resultou na fuga do casal para o Brasil em 1913, mesma época em que adotaram pseudônimos, transformando Dunn e Wellman em Evelyn Scott e Cyril Kay-Scott, respectivamente. Como fugitivos da polícia americana, sem documentos e com pouco dinheiro, o futuro era incerto para os Scott e, em meio ao caos, Evelyn descobriu estar grávida. Dessa aventura veio Escapade (1923) onde registrou as diversas dificuldades que passou em território brasileiro. Indo muito além de um diário de viagem ou de uma autobiografia linear, a obra articula elementos confessionais, reflexões subjetivas, críticas sociais e registros diarísticos, assumindo uma forma híbrida que desafia os limites dos gêneros narrativos tradicionais. Narrado por uma voz feminina em estado de exílio – físico, emocional e simbólico – Escapade exibe uma escrita rebelde, assim como a natureza de sua autora, marcada por rupturas, silêncios, pulos temporais e delírios que refletem o inconsciente de Evelyn diante das circunstâncias adversas que viveu. Com uma abordagem qualitativa e interpretativa, ancorada nos estudos de gênero, da autobiografia e da escrita do eu, o trabalho discute como Evelyn Scott antecipou debates sobre a literatura feminina – e feminista – como a “escrita do corpo”, que pode ser encontrada nas propostas de l’écriture féminine de precursoras do movimento como Hélène Cixous, e a ultrapassagem de limites impostos por um padrão crítico falocêntrico, além de seu espaço dentro das manifestações literárias de movimentos identitários que contribuem para os estudos de feminismo, gênero, sexualidade e classe. Como resultado, o trabalho analisou como a “escrita de si” e a “escrita do corpo” foram utilizados pela autora como forma de retomada de poder, resistência e denúncia à invisibilidade feminina, ao silenciamento imposto pelas normas de gênero e a desvalorização da escrita íntima diarística como legítima dentro do campo autobiográfico; Scott também mostrou em seu texto uma subjetividade em crise — descentrada pelo exílio, pela maternidade e pelo esgotamento físico e emocional, mas também um processo de transformação e reconstrução. Escapade ultrapassa os limites do gênero autobiográfico, lidando com o corpóreo e o sensorial, oscilando entre a narrativa e a confissão. A análise com o auxílio dos estudos teóricos de Bunkers (1990), Gilmore (1992) e Hogan (2008) revela como essa escrita fragmentária de Escapade pode ser uma ferramenta de reivindicação de identidade, da autoria de sua história, experiências e de quem é, como um ato de transformação do eu e retomada de poder, o que se conecta com os textos de Gonzalez (2009) e Cixous (1975), vendo o corpo como território político, utilizando a escrita do corpo como resistência feminina ao culto falogocêntrico que oprime e invisibiliza as mulheres em diversas áreas. ¹SCOTT, Evelyn. Escapada. Rio de Janeiro: Versal Editores, 2019.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

ALMEIDA, Ana Carolina Medeiros de; SALGADO, Maria das Graças de Santana. A ESCRITA DO SILÊNCIO: IDENTIDADE E RESISTÊNCIA NO DIÁRIO COMO AUTOBIOGRAFIA DE EVELYN SCOTT.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325235-A-ESCRITA-DO-SILENCIO--IDENTIDADE-E-RESISTENCIA-NO-DIARIO-COMO-AUTOBIOGRAFIA-DE-EVELYN-SCOTT. Acesso em: 30/05/2026

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