CIRCULAÇÃO CIENTÍFICA, MODERNIZAÇÃO GEOGRÁFICA E GEOPOLÍTICAS DE TRADUÇÃO NO ESTADO NOVO: O CASO DO BOLETIM GEOGRÁFICO DO IBGE (1943-1945)

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
CIRCULAÇÃO CIENTÍFICA, MODERNIZAÇÃO GEOGRÁFICA E GEOPOLÍTICAS DE TRADUÇÃO NO ESTADO NOVO: O CASO DO BOLETIM GEOGRÁFICO DO IBGE (1943-1945)
Autores
  • Arthur da Silva Barcelos
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325153-circulacao-cientifica-modernizacao-geografica-e-geopoliticas-de-traducao-no-estado-novo--o-caso-do-boletim-geog
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
geopolítica do conhecimento, translation studies, multilinguismo, nacionalismo, Estado Novo.
Resumo
Esta pesquisa visa acessar a história da geografia sob um ângulo pouco explorado no Brasil tanto em termos de objeto quanto de método: o das línguas e das traduções baseado na decolonialidade e nos translation studies. Para tanto, selecionamos o Boletim Geográfico do IBGE durante o Estado Novo (1943-1945) e identificamos uma questão de vulto: a ocorrência de uma intensa política editorial multilíngue de circulação científica por meio de diversas traduções. Durante sua circulação no Estado Novo de 1943 a 1945, o BG publicou, em seus 36 números, 26 traduções, 17 autores traduzidos (destaque para Pierre Deffontaines com 8 aparições e apenas 2 mulheres traduzidas), 4 idiomas diferentes (12 vezes francês, 6 vezes espanhol, 7 vezes inglês e 1 vez alemão), 7 tradutores envolvidos (destaque para Orlando Valverde com 14 traduções) e 1 revisor de tradução. Uma vez desnaturalizadas e tratadas como objetos geográficos, as traduções ajudam a iluminar várias camadas ao mesmo tempo: elas são uma forma de atualizar o campo geográfico e de atrair leitores junto a um público mais amplo, mas, também, um modo de preencher lacunas bibliográficas em língua portuguesa – questão recorrente à época e, principalmente, para o BG devido à sua natureza bibliográfica –, de materializar redes de intercâmbio e de chamar atenção para o trabalho editorial do CNG. Fundindo as reflexões de Benedict Anderson às de Naoki Sakai, podemos dizer que em nome de uma « comunidade imaginada » o « capitalismo editorial » estadonovista põe de pé um instituto de geografia e estatística almejando a modernização da administração governamental através da ciência, patrocina a vinda de intelectuais estrangeiros, apropria-se de suas expertises na fundação das primeiras universidades e traduz suas respectivas produções científicas em um periódico de alcance nacional, além de mandar para o estrangeiro geógrafos que, ao regressarem ao país, passam a atuar como tradutores de geografia no âmbito do « moderno regime de tradução » brasileiro (Anderson, 2008 [1983]; Sakai, 2010). No interior de um regime autoritário e em plena Segunda Guerra Mundial, o Boletim Geográfico operou uma política multilíngue capaz de fazer convergir o nacionalismo monolinguístico defendido pelo Estado Novo e o internacionalismo idiomático derivado das redes de cooperação estrangeira e das capacidades de tradução dos geógrafos do CNG no interior da geopolítica do conhecimento. As traduções do BG podem ser entendidas como uma maneira de transformar, de « adaptar » o internacional ao nacional atendendo, assim, tanto ao nacionalismo linguístico e territorial perseguido por Vargas quanto à modernização científica empreendida pelo CNG. O conjunto dessas questões aponta para a importância de considerarmos a dimensão idiomática como um elemento central na história da geografia de um país periférico como o Brasil, cuja língua dominada, se o constrange a lançar mão de traduções no âmbito da geopolítica do conhecimento (o que explica a razão pela qual países periféricos traduzem muito mais que países centrais), também diversifica a circulação de saberes e combate o provincianismo graças ao multilinguismo.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARCELOS, Arthur da Silva. CIRCULAÇÃO CIENTÍFICA, MODERNIZAÇÃO GEOGRÁFICA E GEOPOLÍTICAS DE TRADUÇÃO NO ESTADO NOVO: O CASO DO BOLETIM GEOGRÁFICO DO IBGE (1943-1945).. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1325153-CIRCULACAO-CIENTIFICA-MODERNIZACAO-GEOGRAFICA-E-GEOPOLITICAS-DE-TRADUCAO-NO-ESTADO-NOVO--O-CASO-DO-BOLETIM-GEOG. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes