O USO DOS ATLAS GEOGRÁFICOS E DOS MAPAS MENTAIS COMO RECURSOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO CANGULO EM DUQUE DE CAXIAS

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
O USO DOS ATLAS GEOGRÁFICOS E DOS MAPAS MENTAIS COMO RECURSOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO CANGULO EM DUQUE DE CAXIAS
Autores
  • Isadora Letícia Melo Fernandes
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Geografia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324718-o-uso-dos-atlas-geograficos-e-dos-mapas-mentais-como-recursos-didaticos-no-ensino-de-geografia-no-cangulo-em-duq
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Cartografia Escolar; Educação Infantil; Baixada Fluminense; Mapas Mentais; Aprendizagem Significativa.
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar a experiência pedagógica desenvolvida com crianças da Educação Básica principalmente no bairro do Cangulo, localizado no segundo distrito de Duque de Caxias (RJ), próximo a Saracuruna, tendo sido feita a observação em uma escola de Belford Roxo também. A pesquisa foi centrada a partir do uso de atlas geográficos, mapas mentais e produções autorais como recursos didáticos voltados para a construção do conhecimento geográfico. A Baixada Fluminense, marcada por intensos contrastes sociais, históricos e urbanos, apresenta no bairro Cangulo uma realidade de precarização estrutural que não corresponde à classificação oficial do IBGE (2022), considerando área urbana de alta densidade demográfica com prédios altos, mas a realidade que os moradores descrevem é outra. A ausência de serviços básicos e forte presença de problemas socioespaciais, além da ausência contínua de acesso a saneamento básico tratado, interrupção constante de fornecimento de água e energia e alta criminalidade ignorada pelo poder público precarizam a vida do morador. Nesse contexto, a prática pedagógica buscou aproximar o conteúdo escolar da realidade concreta dos alunos, articulando vivências cotidianas com o ensino de Geografia e fundamentando-se nos pressupostos da aprendizagem significativa de Ausubel (1968, 2003), na reflexão crítica sobre cartografia escolar de Richter (2011), nas discussões de Mesquita e Santos (2020) acerca dos mapas mentais como representações afetivas do território, nas contribuições de Melo (2023) sobre a mediação entre saber empírico e científico e no estudo de Fonte (2024) acerca da cartografia crítica em contextos da Baixada Fluminense. As atividades iniciaram-se com a proposta “meu caminho até a escola”, em que os alunos representaram graficamente seus trajetos diários, revelando preocupações com segurança, precariedade urbana e a ausência de equipamentos públicos adequados. Em seguida, foram trabalhados mapas em papel pardo com imagens do bairro e do município, estimulando a distinção conceitual entre espaço vivido e espaço representado, e culminando na produção de fanzines autorais nos quais as crianças construíram frases e desenhos relacionados ao território. Por fim, a construção de mapas mentais possibilitou identificar vínculos afetivos com espaços de socialização, lazer e pertencimento, mas também a percepção crítica das contradições locais, incluindo referências a pontos de violência urbana, criminalidade e ausência de infraestrutura, o que confirma a ideia de territorialização afetiva proposta por Mesquita e Santos (2020). Os resultados evidenciam que o uso da cartografia escolar não apenas favoreceu a apropriação de conceitos básicos como bairro, município e território, mas também promoveu o desenvolvimento do pensamento espacial, da criatividade e da expressão subjetiva dos alunos, fortalecendo sua capacidade de leitura crítica da realidade. Além disso, os mapas e fanzines revelaram uma visão das crianças que vai além do conhecimento geográfico formal, expondo questões sociais latentes como insegurança, desigualdades urbanas e falta de pertencimento a um espaço reconhecido institucionalmente. Tais achados confirmam a perspectiva de Richter (2011), ao defender a cartografia crítica como instrumento de diálogo entre o saber técnico e o saber experiencial, configurando-se, portanto, como recurso pedagógico transformador. Conclui-se que o trabalho com atlas, mapas mentais e produções autorais contribuiu significativamente para a formação do olhar geográfico e crítico das crianças, ampliando sua compreensão sobre o território em que vivem e possibilitando que se reconheçam como sujeitos ativos na construção do conhecimento. A invisibilidade da realidade local nos mapas oficiais, contrastada com as representações infantis, mostra o potencial da cartografia escolar como prática de resistência simbólica e de valorização da voz dos alunos da Baixada Fluminense, reforçando a necessidade de que a escola reconheça e integre essas experiências ao processo educativo.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERNANDES, Isadora Letícia Melo. O USO DOS ATLAS GEOGRÁFICOS E DOS MAPAS MENTAIS COMO RECURSOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO CANGULO EM DUQUE DE CAXIAS.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324718-O-USO-DOS-ATLAS-GEOGRAFICOS-E-DOS-MAPAS-MENTAIS-COMO-RECURSOS-DIDATICOS-NO-ENSINO-DE-GEOGRAFIA-NO-CANGULO-EM-DUQ. Acesso em: 30/05/2026

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