RESISTÊNCIA A Β-LACTÂMICOS EM STAPHYLOCOCCUS SPP. ISOLADOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SILVESTRES: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE ÚNICA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
RESISTÊNCIA A Β-LACTÂMICOS EM STAPHYLOCOCCUS SPP. ISOLADOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SILVESTRES: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE ÚNICA
Autores
  • Luana de Oliveira Silva
  • Rebeca Praxedes Nogueira Dantas
  • Maria Rita Dager Costa Vieira
  • Manuela de Jesus Pitta
  • Sophia Marques Potz de Oliveira da Costa
  • ⁠Mário Tatsuo Makita
  • Letícia Baptista Pinto
  • Dayanne Araújo de Melo
  • Theresse Camille Nascimento Holmström
  • Miliane Moreira Soares de Souza
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Agrárias - Medicina Veterinária
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324710-resistencia-a-%3f-lactamicos-em-staphylococcus-spp-isolados-de-animais-domesticos-e-silvestres--implicacoes-para-
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
mecA, blaZ, MRSA, resistência antimicrobiana, Saúde Única.
Resumo
A resistência aos antimicrobianos é um dos principais desafios globais à saúde, constituindo-se em problema de elevada complexidade e impacto multissetorial. Embora se trate de um fenômeno natural associado à evolução bacteriana, a pressão seletiva intensificada pelo uso indiscriminado de antimicrobianos acelerou de maneira significativa a emergência e disseminação de cepas resistentes. No contexto da Saúde Única, seres humanos, animais e o ambiente compartilham microrganismos e genes de resistência, interligando de forma indissociável os riscos e as estratégias de enfrentamento à este agravo sanitário. O gênero Staphylococcus, um microrganismo versátil, amplamente distribuído e de reconhecida relevância médica e veterinária, pode atuar como patógeno oportunista em diferentes espécies e em uma variedade de quadros infecciosos. Historicamente, essas bactérias eram sensíveis à penicilina e à meticilina; entretanto, rapidamente desenvolveram mecanismos adaptativos de resistência, como a produção de beta-lactamases, responsáveis pela inativação da penicilina, e a aquisição do gene mecA, que codifica a proteína de ligação alterada à penicilina (PBP2a), conferindo resistência a diversos antibióticos β-lactâmicos, incluindo meticilina e oxacilina. A disseminação desses mecanismos comprometeu a eficácia de antimicrobianos de primeira escolha e culminou na emergência do Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). Desde a década de 1960, esse patógeno disseminou-se em hospitais, comunidades e ambientes associados a animais, configurando-se como um dos maiores desafios contemporâneos da resistência antimicrobiana. Diante desse panorama, o presente estudo teve como objetivo caracterizar o perfil fenogenotípico de resistência a antimicrobianos β-lactâmicos em cepas de Staphylococcus spp. isoladas de diferentes espécies animais, com ênfase na detecção dos genes blaZ e mecA. Foram coletadas 288 amostras, abrangendo cães com otite externa e cães saudáveis oriundos de clínica particular no Rio de Janeiro (178 amostras), coelhos saudáveis pertencentes ao setor de cunicultura da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (30 amostras) e capivaras mantidas na mesma instituição (80 amostras). Os isolados bacterianos foram submetidos a métodos fenotípicos de identificação de acordo com Koneman e colaboradores (2018), seguidos de confirmação genotípica por reação em cadeia da polimerase (PCR), tanto para a identificação do gênero Staphylococcus spp. quanto para a detecção específica dos genes de resistência. Do total, 90 cepas foram confirmadas como pertencentes ao gênero Staphylococcus, sendo 53,3% das amostras oriundas de cães (48/90), 21,2% de coelhos (19/90) e 25.5% de capivaras (23/90). O gene blaZ, de produção de beta-lactamases, foi detectado em apenas cinco amostras (3 de cães e 2 de coelhos). Já o gene mecA foi identificado em 14,4% das cepas (13/90), distribuídas entre cães (4/13), coelhos (2/13) e capivaras (7/13). A taxa mais expressiva de mecA em capivaras (54% das positivas) é especialmente relevante, sugerindo que animais silvestres podem atuar como reservatórios significativos de resistência, mesmo sem contato direto com antimicrobianos, reforçando o papel do ambiente e das interações entre fauna, humanos e animais domésticos na disseminação desses genes. Tais resultados demonstram que a resistência antimicrobiana não está restrita a ambientes clínicos ou de produção, mas também permeia a microbiota de animais saudáveis, ampliando o risco de circulação e transferência de resistência entre diferentes ecossistemas. Os resultados deste estudo alertam para a importância de aprofundar investigações em ambientes não convencionais e reforçam a urgência de ações intersetoriais no enfrentamento da resistência antimicrobiana, abordando-se o conceito de Saúde Única.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Luana de Oliveira et al.. RESISTÊNCIA A Β-LACTÂMICOS EM STAPHYLOCOCCUS SPP. ISOLADOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS E SILVESTRES: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE ÚNICA.. In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324710-RESISTENCIA-A-%3f-LACTAMICOS-EM-STAPHYLOCOCCUS-SPP-ISOLADOS-DE-ANIMAIS-DOMESTICOS-E-SILVESTRES--IMPLICACOES-PARA-. Acesso em: 13/06/2026

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