ENTREGA VOLUNTÁRIA: GESTÃO BUROCRÁTICA DA JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE E DA SAÚDE REPRODUTIVA EM SEROPÉDICA.

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
ENTREGA VOLUNTÁRIA: GESTÃO BUROCRÁTICA DA JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE E DA SAÚDE REPRODUTIVA EM SEROPÉDICA.
Autores
  • Maria Clara Paiva Pereira
  • ALESSANDRA DE ANDRADE RINALDI
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - Antropologia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324525-entrega-voluntaria--gestao-burocratica-da-justica-da-infancia-e-da-juventude-e-da-saude-reprodutiva-em-seropedic
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
gênero, Infância e Juventude, políticas de Estado
Resumo
Título: Moralidades de Estado: gênero e cuidado Ao longo deste relatório, busquei atingir os objetivos, que incluíam compreender de que forma, mulheres/mães, em situação de vulnerabilidade social, vítimas de violência, com “trajetória de rua”(1) tem suas vidas geridas pelas políticas públicas em Seropédica. As atividades desenvolvidas foram planejadas e executadas de maneira a garantir a coleta de dados relevantes e a análise aprofundada dos mesmos. Realizei pesquisa de campo junto ao Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher- NIAM Seropédica, além dos estudos de caso a partir de Carol e de Mariana o me que permitiu obter uma compreensão abrangente sobre o tema da pesquisa. A análise nos permite apreender a relação entre moralidades, políticas de Estado e os caminhos dessas para manutenção ou ruptura de vínculos maternais(2). Os casos de Mariana e Carol podem ser analisados com base nos escritos de Didier Fassin (2014) sobre economias morais nas práticas de estado. De acordo com o autor, é importante considerar como as instituições e seus agentes constroem e aplicam valores morais em suas práticas cotidianas. Fassin (2014) argumenta que as economias morais envolvem a distribuição de compaixão, indignação e solidariedade, que são moldadas por contextos históricos, sociais e políticos. No caso de Mariana, a resposta institucional foi marcada por uma distribuição significativade compaixão e solidariedade. Ela recebeu apoio contínuo do NIAM, CRAS e CAPS, além do suporte emocional de sua mãe. A repercussão de sua história nas redes sociais e na mídia também mobilizou solidariedade pública. Em contraste, Carol enfrentou uma resposta institucional mais punitiva, com a perda da guarda de seus filhos e a falta de adesão às regras da casa de acolhimento, o que resultou em uma ação de destituição de poder familiar. Em contraposição, a resposta ao caso de Carol foi marcada por uma maior ênfase na indignação e na punição. Seu histórico com a polícia, o uso de tornozeleira eletrônica e as ameaças de milicianos contribuíram para uma percepção negativa por parte das instituições, resultando em ações mais punitivas. A falta de visitas aos filhos e a ausência de adesão às regras da casa de acolhimento reforçaram essa resposta punitiva. Em resumo, a análise dos casos de Mariana e Carol com base nos escritos de Didier Fassin (2014) sobre economias morais nas práticas de estado revela como as instituições distribuem compaixão, indignação e solidariedade de maneiras diferentes, influenciadas por contextos históricos, sociais e políticos. Essas economias morais moldam as respostas institucionais e têm impactos significativos nas vidas das mulheres em situação de vulnerabilidade. Além disso, apesar de a pesquisa não ter se suportado nas reflexões sobre “entrega voluntária” é possível identificar ou aventar a hipótese que mulheres gestantes e puérperas podem ser levadas a manter seus vínculos com seus bebês, decidindo por não os encaminhar à adoção (mesmo contra suas vontades) caso sejam tidas moralmente como potencialmente boas mães. Nesses casos, as políticas públicas podem ser construídas para a permanência de vínculos. Em contrapartidas, mulheres tidas como fora do ideal de cuidado, podem ser incitadas à “entrega voluntária” ou podem ter menores acessos às políticas públicas que lhes garantiriam a possibilidade do exercício parental. (1) SARMENTO, Caroline. Antropologia e Direitos Humanos 9. “Por que não podemos ser mães?”: Gestão da maternidade de mulheres com trajetória de rua como questão pública através de regulamentações e práticas. (2) RINALDI, Alessandra de Andrade et al. Gestar, parir e não se tornar mãe: recusas, impossibilidades e violações no contexto da Covid-19. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, [S.l.], v. 28, p. 1–15, 2024. (3) FASSIN, Didier, «Compaixão e Repressão: A Economia Moral das Políticas de Imigração na França», Ponto Urbe [Online], 15 | 2014, posto online no dia 30 dezembro 2014, consultado o 12 abril 2021.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Maria Clara Paiva; RINALDI, ALESSANDRA DE ANDRADE. ENTREGA VOLUNTÁRIA: GESTÃO BUROCRÁTICA DA JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE E DA SAÚDE REPRODUTIVA EM SEROPÉDICA... In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324525-ENTREGA-VOLUNTARIA--GESTAO-BUROCRATICA-DA-JUSTICA-DA-INFANCIA-E-DA-JUVENTUDE-E-DA-SAUDE-REPRODUTIVA-EM-SEROPEDIC. Acesso em: 30/05/2026

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