QUANDO O PODER TEVE NOME DE MULHER? GÊNERO E PERIFERIA: A HISTÓRIA DAS MULHERES NA POLÍTICA DE SÃO JOÃO DE MERITI.

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2302-3

Título do Trabalho
QUANDO O PODER TEVE NOME DE MULHER? GÊNERO E PERIFERIA: A HISTÓRIA DAS MULHERES NA POLÍTICA DE SÃO JOÃO DE MERITI.
Autores
  • Alicia de Almeida Santos
  • Lucia Helena Pereira da Silva
Modalidade
Resumo
Área temática
Ciências Humanas - História
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324361-quando-o-poder-teve-nome-de-mulher-genero-e-periferia--a-historia-das-mulheres-na-politica-de-sao-joao-de-merit
ISBN
978-65-272-2302-3
Palavras-Chave
Gênero, Ditadura Militar, São João de Meriti, Política.
Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar a participação feminina na política do município de São João de Meriti entre as décadas de 1950 e 1970. Para isso, a pesquisa teve como foco a atuação de três figuras: Eny Martins Zambrano, eleita vereadora e designada ao cargo de superintendente da educação estadual; Alzira dos Santos da Silva, primeira prefeita da Baixada Fluminense; e Maria Lúcia D’Ávila, primeira e única mulher a assumir a presidência da Câmara de São João de Meriti em mais de setenta anos de história, sendo as duas últimas atuantes dentro do contexto do Regime Militar, marcado por restrições políticas e institucionais. O estudo partiu do problema do apagamento das mulheres na historiografia local, visto que durante as primeiras décadas da história política municipal ocorreu uma presença feminina incomum quando comparada à ausência quase total de representação em cidades vizinhas. Apesar disso, a historiografia local permanece voltada majoritariamente para figuras masculinas e para as elites tradicionais, apagando a atuação dessas mulheres. A pesquisa buscou, portanto, resgatar essas experiências e compreender os caminhos pelos quais elas alcançaram espaços de poder. A investigação articula as dimensões de gênero, classe e território, considerando os limites e as possibilidades enfrentados por essas figuras em um município de periferia. A metodologia combinou a análise de jornais que tratam das dinâmicas do período de atuação dessas mulheres, documentos encontrados no Arquivo Nacional como telegramas da FBPF, entrevistas, registros institucionais, legislações da época, obras acadêmicas sobre o município, além do diálogo com referenciais teóricos da história política e dos estudos de gênero, como Araújo (2012) e Oliveira (2014), que discutem os mecanismos de exclusão simbólica, institucional e material. Os resultados demonstram que as atuações de Eny, Alzira e Maria Lúcia não foram frutos de concessões casuais, mas de estratégias políticas em um campo profundamente estruturado por relações clientelistas, assistencialistas e patrimonialistas, o que lhes permitiu ocupar espaços de poder considerados exclusivos dos homens. A análise também expõe a permanência de obstáculos à participação feminina, ainda observados na política fluminense contemporânea, como a baixa representatividade nas câmaras municipais e práticas fraudulentas no uso da cota de gênero, demonstrando como as dinâmicas do passado permanecem no presente. Conclui-se que a recuperação das experiências dessas lideranças contribui para o resgate da memória local e para a compreensão das permanências e transformações da exclusão política feminina em contextos de periferia. Assim, o trabalho reafirma a relevância de integrar a história das mulheres à história política, ampliando os horizontes da historiografia e denunciando as desigualdades estruturais que atravessam o tempo. ARAÚJO, Clara. Cidadania democrática e inserção política das mulheres. Revista Brasileira de Ciência Política, p. 147–168, 2012. FEDERAÇÃO BRASILEIRA PELO PROGRESSO FEMININO. Telegrama enviado à Prefeita de São João de Meriti. 1 abr. 1968. Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Arquivo Nacional, p. 27. FEDERAÇÃO BRASILEIRA PELO PROGRESSO FEMININO. Telegrama enviada ao Presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti. 8 abr. 1968. Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Arquivo Nacional, p. 29. Jornal Luta Democrática, 22 de junho de 1966. Jornal Luta Democrática, 1971. Jornal Luta Democrática, 29 de março de 1968, p.2. KNOPP, Rodinei. O povo em cena: história política e movimentos sociais em São João de Meriti. 2001. Dissertação (Mestrado em História Política) – Universidade Severino Sombra, Vassouras, 2001. MEDEIROS, Arlindo de. Memória histórica de São João de Meriti. São João de Meriti: [s.n.], 1958. OLIVEIRA, Kamila Pagel. A trajetória da mulher na política brasileira: as conquistas e a persistência de barreiras. Cadernos da Escola do Legislativo, v. 16, n. 26, p. 11–49, 2014.
Título do Evento
XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Cidade do Evento
Seropédica
Título dos Anais do Evento
Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Alicia de Almeida; SILVA, Lucia Helena Pereira da. QUANDO O PODER TEVE NOME DE MULHER? GÊNERO E PERIFERIA: A HISTÓRIA DAS MULHERES NA POLÍTICA DE SÃO JOÃO DE MERITI... In: Anais da Reunião Anual de Iniciação Científica e Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da UFRRJ - Justiça climática: por um mundo mais sustentável, justo e igualitário. Anais...Seropédica(RJ) UFRRJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/xii-reuniao-anual-iniciacao-cientifica-da-ufrrj-raic/1324361-QUANDO-O-PODER-TEVE-NOME-DE-MULHER-GENERO-E-PERIFERIA--A-HISTORIA-DAS-MULHERES-NA-POLITICA-DE-SAO-JOAO-DE-MERIT. Acesso em: 30/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes